Ricardo Nunes nega falta de ônibus em São Paulo, critica estratégia do PT e enfrenta pressão após decisão da Justiça Eleitoral que exige 100% da frota nas ruas no segundo turno das eleições de 2026

Prefeito afirma que a demanda pelo transporte coletivo está sendo atendida, enquanto partido cobra providências sobre veículos retidos nas garagens

Novos serviços ampliam as opções de deslocamento para moradores de diferentes bairros da capital.

A SPTrans alegou que recebeu a determinação do TRE com pouca antecedência e apontou dificuldades operacionais para cumprir a exigência. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

O debate sobre a falta de ônibus em São Paulo ganhou força neste domingo (25), durante o segundo turno das eleições de 2026. O prefeito Ricardo Nunes (MDB) contestou as acusações sobre a circulação dos coletivos e afirmou que adversários políticos usam o assunto para fins eleitorais.

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Nunes critica atuação do PT sobre os ônibus

Em declaração à coluna Painel, da Folha de S.Paulo, Nunes afirmou que a demanda pelo transporte público estava sendo atendida. O prefeito também criticou a forma como aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva abordaram o assunto.

“Não temos falta de ônibus, a demanda está sendo atendida. É uma estratégia muito ruim que estão usando”, declarou o prefeito, segundo a publicação.

A discussão envolve a operação do transporte municipal durante o dia de votação. O caso ganhou destaque após questionamentos sobre a disponibilidade dos veículos e o cumprimento das determinações da Justiça Eleitoral.

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Justiça Eleitoral determina circulação de toda a frota

No sábado (24), a Justiça Eleitoral determinou que a Prefeitura de São Paulo disponibilizasse 100% da frota operacional de ônibus neste domingo. A decisão foi tomada pelo juiz da 1ª Zona Eleitoral, Tiago Ducatti Machado, após uma ação popular apresentada por parlamentares do PSOL.

Segundo o Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP), o descumprimento da ordem pode resultar em multa de R$ 100 mil para o prefeito e o presidente da SPTrans. A decisão também prevê a possibilidade de caracterização de crime eleitoral.

A determinação considera as regras que garantem transporte coletivo gratuito nos dias de votação, com frequência compatível com a dos dias úteis. A medida busca assegurar que os eleitores consigam chegar aos locais de votação sem depender de pagamento de passagem.

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SPTrans aponta dificuldades para cumprir a determinação

A SPTrans, empresa responsável pela gestão do transporte municipal por ônibus, informou que recebeu o aviso do Tribunal Regional Eleitoral com pouca antecedência. Segundo a companhia, o prazo gerou dificuldades operacionais para atender à exigência de disponibilizar toda a frota.

Antes da decisão judicial, a Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana e Transporte e a SPTrans haviam anunciado um reforço no serviço para o segundo turno. O planejamento previa a circulação de 6,9 mil ônibus em 1.137 linhas, com operação equivalente à dos sábados.

De acordo com a nota divulgada pela SPTrans, o número representava um aumento de 40% em relação aos domingos comuns, com cerca de 2 mil veículos adicionais.

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PT e aliados de Lula cobram providências

O PT anunciou que pediria a prisão do secretário municipal de Transportes, Celso Jorge Caldeira, diante das informações sobre ônibus retidos em garagens. O partido sustenta que a situação pode representar descumprimento da ordem judicial.

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, também anunciou que pediria a prisão de Nunes. As medidas anunciadas pelos aliados de Lula ampliaram o conflito político em torno do transporte público na capital paulista.

As acusações e os argumentos da prefeitura envolvem a necessidade de verificar se a oferta de veículos atendeu às exigências estabelecidas pela Justiça.

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O que diz a regra sobre transporte nas eleições?

A Resolução nº 23.751/2026 do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determina que o poder público ofereça transporte coletivo urbano gratuito nos dias de votação, com frequência compatível com a dos dias úteis.

A norma também prevê que a redução do serviço habitual pode configurar crime eleitoral. Cabe aos órgãos responsáveis verificar eventuais irregularidades e adotar as providências previstas na legislação.

A discussão sobre a falta de ônibus em São Paulo reúne, portanto, questionamentos políticos, justificativas operacionais e uma determinação judicial. A verificação do cumprimento da ordem depende das informações sobre a frota efetivamente disponibilizada à população.