São Paulo registra um roubo de celular a cada 10 minutos e tem média de 147 casos por dia, aponta levantamento

Levantamento mostra que os distritos com maior número absoluto de casos não são necessariamente os que apresentam as maiores taxas em relação à população

Média equivale a 146 ocorrências por dia, cerca de seis por hora ou um roubo a cada dez minutos/Mathilde Missioneiro/Folhapress

A cidade de São Paulo registrou 53.353 roubos de celular entre setembro de 2025 e agosto de 2026, segundo análise da Crime Brasil com dados da Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP). A média equivale a 146 ocorrências por dia, cerca de seis por hora ou um roubo a cada dez minutos.

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O levantamento mostra que os distritos com maior número absoluto de casos não são necessariamente os que apresentam as maiores taxas em relação à população. Também aponta diferenças nos horários das ocorrências e nos modelos de aparelhos levados pelos criminosos.

A análise considerou os registros de cada ocorrência, com informações sobre o local, o horário e a marca do celular. Segundo o levantamento, 94% dos roubos aconteceram na rua.

Os dados também indicam uma redução de 15,3% nos registros entre janeiro e agosto de 2026, na comparação com o mesmo período do ano anterior. A queda, porém, não ocorreu de maneira uniforme entre os distritos da capital.

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Capão Redondo lidera em número de roubos de celular

Em números absolutos, o Capão Redondo, na zona sul, registrou a maior quantidade de roubos de celular, com 2.235 ocorrências no período de 12 meses. Na sequência aparecem Pinheiros, com 1.716 casos; Jardim Ângela, com 1.571; República, com 1.548; e Campo Limpo, com 1.376.

O ranking também inclui Itaim Bibi (1.370), Jardim São Luís (1.243), Santo Amaro (1.216), Consolação (1.035) e Sé (907). A presença de distritos da zona sul entre os primeiros colocados chama a atenção, mas o volume de registros precisa ser analisado em relação ao tamanho da população de cada região.

O Capão Redondo tem aproximadamente 270 mil moradores, enquanto o Jardim Ângela reúne cerca de 311 mil. Distritos mais populosos tendem a concentrar mais ocorrências em números absolutos.

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De acordo com a análise, a região sul mais distante, que inclui Capão Redondo, Jardim Ângela, Campo Limpo, Jardim São Luís, Santo Amaro, Grajaú e distritos vizinhos, concentra 24,6% dos roubos com local identificado, proporção próxima à sua participação na população da cidade, de 23,6%.

Sé tem maior taxa de roubos por número de moradores

Quando os registros são comparados à população residente, o ranking muda. A Sé aparece na primeira posição, com 3.806 roubos por 100 mil habitantes. Pinheiros ocupa o segundo lugar, com 2.634, seguido pela República, com 2.545, Consolação, com 1.948, Barra Funda, com 1.932, e Brás, com 1.884.

Santo Amaro aparece na sequência, com 1.425 ocorrências por 100 mil habitantes, seguido por Itaim Bibi (1.350), Bela Vista (1.206) e Bom Retiro (1.196). O Capão Redondo, que lidera em número absoluto, registra 825 casos por 100 mil moradores. Já o Grajaú, distrito mais populoso da capital, apresenta uma taxa de 213.

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A comparação, no entanto, exige uma ressalva: regiões centrais e comerciais recebem diariamente trabalhadores, consumidores e turistas que não moram nesses locais. Assim, a taxa calculada com base na população residente não representa necessariamente a probabilidade individual de uma pessoa ser vítima de roubo enquanto circula pelo distrito.

Para observar a concentração territorial das ocorrências, a Crime Brasil também calculou a quantidade de roubos por quilômetro quadrado. Nesse recorte, a República registra 646 casos por km² em um ano, seguida pela Sé, com 413, Consolação, com 271, Pinheiros, com 206, e Capão Redondo, com 162.

A diferença também aparece na participação de cada região nos registros da cidade. A subprefeitura da Sé reúne 3,7% da população paulistana, mas concentra 12% dos roubos com local identificado. Na região oeste, onde estão Pinheiros e Itaim Bibi, vivem 9,5% dos moradores da capital, enquanto a área responde por 17% das ocorrências.

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Horários dos roubos mudam entre as regiões da cidade

O levantamento também identificou diferenças nos horários de maior incidência. Considerando toda a capital, 40% dos roubos de celular ocorreram entre 19h e meia-noite. Em alguns distritos, porém, a concentração aparece em outros períodos do dia.

No Capão Redondo, o maior número de ocorrências foi registrado às 5h da manhã. Quase um quarto dos roubos no distrito, 23%, aconteceu entre 4h e 6h59. A proporção é quase o dobro da média municipal para o mesmo intervalo, de 12%.

No Itaim Bibi e no Jardim Paulista, o pico foi às 21h. No Itaim, metade dos registros ocorreu entre 19h e meia-noite. A distribuição dos casos indica diferenças entre os horários de maior incidência na zona sul e em áreas de comércio, serviços e vida noturna do centro expandido.

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iPhones representam 46% dos celulares roubados

A marca dos aparelhos também varia conforme o distrito. Na cidade de São Paulo, 46% dos celulares roubados eram iPhones, segundo os dados analisados pela Crime Brasil. Em alguns bairros, a participação da marca é ainda maior: chega a 75% no Jardim Paulista, 74% em Pinheiros, 71% na Consolação e 70% no Itaim Bibi.

Em outras regiões, o percentual é menor. No Grajaú, os iPhones representam 24% dos aparelhos roubados; no Jardim Ângela, 36%. Os números mostram diferenças no perfil dos celulares registrados como subtraídos em cada distrito, mas não permitem, isoladamente, determinar os critérios utilizados pelos criminosos para escolher as vítimas ou os aparelhos.

A pesquisa também relaciona os locais de roubo a uma cadeia de receptação e adulteração de celulares investigada pelas autoridades.

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Em setembro de 2026, a Operação Frankmobile, do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), identificou um esquema que recebia aparelhos roubados na Rua Guaianases, no centro de São Paulo, entre 20 e 25 minutos após os crimes. Segundo a investigação, os celulares eram encaminhados para desbloqueio e alteração do IMEI no entorno da Santa Ifigênia.

Entre as vias com maior número de registros estão a Avenida Cruzeiro do Sul, com 269 casos; a Rua Augusta, com 264; a Avenida do Estado, com 243; a Rua da Consolação, com 232; e a Praça da República, com 173. Parte desses endereços fica na região central ou em vias de ligação com o centro expandido.

Roubos de celular caem 15,3%, mas redução não ocorre em toda a cidade

Apesar do volume de ocorrências, os dados indicam uma queda nos roubos de celular na capital. Entre janeiro e agosto de 2026, foram registrados 35.279 casos, ante 41.650 no mesmo período de 2025. A diferença representa uma redução de 15,3%. A média mensal passou de aproximadamente 5.200 para 4.400 ocorrências.

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A diminuição, porém, foi mais acentuada em alguns distritos da periferia sul. Campo Limpo teve redução de 30%, Jardim Ângela caiu 24%, Jardim São Luís registrou queda de 20% e Capão Redondo, de 18%.

Em sentido contrário, quatro regiões com concentração de comércio, serviços e atividades noturnas tiveram aumento nos registros: Santo Amaro apresentou alta de 21%, Brás, de 17%, Consolação, de 15%, e Pinheiros, de 6%. Os números mostram que a redução observada no conjunto da cidade não se repetiu em todos os distritos.

Como a pesquisa foi realizada

A análise da Crime Brasil utilizou a base Celulares Subtraídos, da SSP-SP, com registros de setembro de 2025 a agosto de 2026.

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Segundo a Secretaria da Segurança Pública, essa base reúne informações sobre celulares relacionados a boletins de ocorrência e não corresponde à estatística oficial de criminalidade. Para o levantamento, foram removidas duplicidades por meio da combinação entre delegacia, ano e número do boletim. Foram considerados os registros classificados como roubo.

Para identificar o local das ocorrências, a pesquisa utilizou as coordenadas dos fatos informadas nos boletins e cruzou os pontos com os 96 distritos municipais, com dados do GeoSampa. Cerca de 7,7% dos registros não tinham coordenadas válidas e, por isso, não entraram nos cálculos que dependiam da localização.

A população de cada distrito foi considerada com base no Censo Demográfico de 2022, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

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O levantamento também aponta que aproximadamente 60% dos boletins são registrados em delegacias diferentes daquelas correspondentes à área onde o crime aconteceu. Por esse motivo, rankings elaborados a partir da delegacia responsável pelo registro podem apresentar resultados diferentes dos obtidos com a localização geográfica da ocorrência.

Para comparar a evolução dos roubos por bairro, a pesquisa utilizou o campo de bairro preenchido nos boletins. Essa divisão não corresponde necessariamente aos limites dos distritos municipais usados nos demais cálculos.

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