A cidade de São Paulo registrou 53.353 roubos de celular entre setembro de 2025 e agosto de 2026, segundo análise da Crime Brasil com dados da Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP). A média equivale a 146 ocorrências por dia, cerca de seis por hora ou um roubo a cada dez minutos.
O levantamento mostra que os distritos com maior número absoluto de casos não são necessariamente os que apresentam as maiores taxas em relação à população. Também aponta diferenças nos horários das ocorrências e nos modelos de aparelhos levados pelos criminosos.
A análise considerou os registros de cada ocorrência, com informações sobre o local, o horário e a marca do celular. Segundo o levantamento, 94% dos roubos aconteceram na rua.
Os dados também indicam uma redução de 15,3% nos registros entre janeiro e agosto de 2026, na comparação com o mesmo período do ano anterior. A queda, porém, não ocorreu de maneira uniforme entre os distritos da capital.
Capão Redondo lidera em número de roubos de celular

e atribuído a um dos 96 distritos. 7,7% dos casos não têm coordenada válida. Fonte: SSP-SP, base “Celulares Subtraídos”;
distritos: GeoSampa; cálculo Crime Brasil/Arte Gazeta de S.Paulo
Em números absolutos, o Capão Redondo, na zona sul, registrou a maior quantidade de roubos de celular, com 2.235 ocorrências no período de 12 meses. Na sequência aparecem Pinheiros, com 1.716 casos; Jardim Ângela, com 1.571; República, com 1.548; e Campo Limpo, com 1.376.
O ranking também inclui Itaim Bibi (1.370), Jardim São Luís (1.243), Santo Amaro (1.216), Consolação (1.035) e Sé (907). A presença de distritos da zona sul entre os primeiros colocados chama a atenção, mas o volume de registros precisa ser analisado em relação ao tamanho da população de cada região.
O Capão Redondo tem aproximadamente 270 mil moradores, enquanto o Jardim Ângela reúne cerca de 311 mil. Distritos mais populosos tendem a concentrar mais ocorrências em números absolutos.
De acordo com a análise, a região sul mais distante, que inclui Capão Redondo, Jardim Ângela, Campo Limpo, Jardim São Luís, Santo Amaro, Grajaú e distritos vizinhos, concentra 24,6% dos roubos com local identificado, proporção próxima à sua participação na população da cidade, de 23,6%.
Sé tem maior taxa de roubos por número de moradores

moradores (distritos com 20 mil+ habitantes). Fonte: SSP-SP; população Censo 2022 por distrito (IBGE); cálculo Crime Brasil/Arte Gazeta de S.Paulo
Quando os registros são comparados à população residente, o ranking muda. A Sé aparece na primeira posição, com 3.806 roubos por 100 mil habitantes. Pinheiros ocupa o segundo lugar, com 2.634, seguido pela República, com 2.545, Consolação, com 1.948, Barra Funda, com 1.932, e Brás, com 1.884.
Santo Amaro aparece na sequência, com 1.425 ocorrências por 100 mil habitantes, seguido por Itaim Bibi (1.350), Bela Vista (1.206) e Bom Retiro (1.196). O Capão Redondo, que lidera em número absoluto, registra 825 casos por 100 mil moradores. Já o Grajaú, distrito mais populoso da capital, apresenta uma taxa de 213.
A comparação, no entanto, exige uma ressalva: regiões centrais e comerciais recebem diariamente trabalhadores, consumidores e turistas que não moram nesses locais. Assim, a taxa calculada com base na população residente não representa necessariamente a probabilidade individual de uma pessoa ser vítima de roubo enquanto circula pelo distrito.
Para observar a concentração territorial das ocorrências, a Crime Brasil também calculou a quantidade de roubos por quilômetro quadrado. Nesse recorte, a República registra 646 casos por km² em um ano, seguida pela Sé, com 413, Consolação, com 271, Pinheiros, com 206, e Capão Redondo, com 162.
A diferença também aparece na participação de cada região nos registros da cidade. A subprefeitura da Sé reúne 3,7% da população paulistana, mas concentra 12% dos roubos com local identificado. Na região oeste, onde estão Pinheiros e Itaim Bibi, vivem 9,5% dos moradores da capital, enquanto a área responde por 17% das ocorrências.
Horários dos roubos mudam entre as regiões da cidade

fora. Fonte: SSP-SP; cálculo Crime Brasil/Arte Gazeta de S.Paulo
O levantamento também identificou diferenças nos horários de maior incidência. Considerando toda a capital, 40% dos roubos de celular ocorreram entre 19h e meia-noite. Em alguns distritos, porém, a concentração aparece em outros períodos do dia.
No Capão Redondo, o maior número de ocorrências foi registrado às 5h da manhã. Quase um quarto dos roubos no distrito, 23%, aconteceu entre 4h e 6h59. A proporção é quase o dobro da média municipal para o mesmo intervalo, de 12%.
No Itaim Bibi e no Jardim Paulista, o pico foi às 21h. No Itaim, metade dos registros ocorreu entre 19h e meia-noite. A distribuição dos casos indica diferenças entre os horários de maior incidência na zona sul e em áreas de comércio, serviços e vida noturna do centro expandido.
iPhones representam 46% dos celulares roubados

objeto”; cálculo Crime Brasil/Arte Gazeta de S.Paulo
A marca dos aparelhos também varia conforme o distrito. Na cidade de São Paulo, 46% dos celulares roubados eram iPhones, segundo os dados analisados pela Crime Brasil. Em alguns bairros, a participação da marca é ainda maior: chega a 75% no Jardim Paulista, 74% em Pinheiros, 71% na Consolação e 70% no Itaim Bibi.
Em outras regiões, o percentual é menor. No Grajaú, os iPhones representam 24% dos aparelhos roubados; no Jardim Ângela, 36%. Os números mostram diferenças no perfil dos celulares registrados como subtraídos em cada distrito, mas não permitem, isoladamente, determinar os critérios utilizados pelos criminosos para escolher as vítimas ou os aparelhos.
A pesquisa também relaciona os locais de roubo a uma cadeia de receptação e adulteração de celulares investigada pelas autoridades.
Em setembro de 2026, a Operação Frankmobile, do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), identificou um esquema que recebia aparelhos roubados na Rua Guaianases, no centro de São Paulo, entre 20 e 25 minutos após os crimes. Segundo a investigação, os celulares eram encaminhados para desbloqueio e alteração do IMEI no entorno da Santa Ifigênia.
Entre as vias com maior número de registros estão a Avenida Cruzeiro do Sul, com 269 casos; a Rua Augusta, com 264; a Avenida do Estado, com 243; a Rua da Consolação, com 232; e a Praça da República, com 173. Parte desses endereços fica na região central ou em vias de ligação com o centro expandido.
Roubos de celular caem 15,3%, mas redução não ocorre em toda a cidade

cálculo Crime Brasil/Arte Gazeta de S.Paulo
Apesar do volume de ocorrências, os dados indicam uma queda nos roubos de celular na capital. Entre janeiro e agosto de 2026, foram registrados 35.279 casos, ante 41.650 no mesmo período de 2025. A diferença representa uma redução de 15,3%. A média mensal passou de aproximadamente 5.200 para 4.400 ocorrências.
A diminuição, porém, foi mais acentuada em alguns distritos da periferia sul. Campo Limpo teve redução de 30%, Jardim Ângela caiu 24%, Jardim São Luís registrou queda de 20% e Capão Redondo, de 18%.
Em sentido contrário, quatro regiões com concentração de comércio, serviços e atividades noturnas tiveram aumento nos registros: Santo Amaro apresentou alta de 21%, Brás, de 17%, Consolação, de 15%, e Pinheiros, de 6%. Os números mostram que a redução observada no conjunto da cidade não se repetiu em todos os distritos.
Como a pesquisa foi realizada
A análise da Crime Brasil utilizou a base Celulares Subtraídos, da SSP-SP, com registros de setembro de 2025 a agosto de 2026.
Segundo a Secretaria da Segurança Pública, essa base reúne informações sobre celulares relacionados a boletins de ocorrência e não corresponde à estatística oficial de criminalidade. Para o levantamento, foram removidas duplicidades por meio da combinação entre delegacia, ano e número do boletim. Foram considerados os registros classificados como roubo.
Para identificar o local das ocorrências, a pesquisa utilizou as coordenadas dos fatos informadas nos boletins e cruzou os pontos com os 96 distritos municipais, com dados do GeoSampa. Cerca de 7,7% dos registros não tinham coordenadas válidas e, por isso, não entraram nos cálculos que dependiam da localização.
A população de cada distrito foi considerada com base no Censo Demográfico de 2022, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O levantamento também aponta que aproximadamente 60% dos boletins são registrados em delegacias diferentes daquelas correspondentes à área onde o crime aconteceu. Por esse motivo, rankings elaborados a partir da delegacia responsável pelo registro podem apresentar resultados diferentes dos obtidos com a localização geográfica da ocorrência.
Para comparar a evolução dos roubos por bairro, a pesquisa utilizou o campo de bairro preenchido nos boletins. Essa divisão não corresponde necessariamente aos limites dos distritos municipais usados nos demais cálculos.






