Funcionários da Prefeitura de São Paulo realizaram 329.227 viagens de táxi pelo aplicativo 99 desde que a gestão do ex-prefeito e agora governador João Doria (PSDB) cancelou o uso de carros oficiais, há dois anos. Há indícios de irregularidades no uso do serviço por servidores municipais entre 1º de agosto de 2017 e 15 de março deste ano. Os dados foram revelados pelo SP1, da “TV Globo”, por meio da Lei de Acesso à Informação, e analisados pela ONG Transparência Brasil.
Por exemplo, 85 viagens ultrapassaram 12 horas. Em um dos casos, um táxi pegou um funcionário da Coordenadoria Regional de Saúde Sudeste em 26 de junho do ano passado em um Centro de Acolhida em uma avenida do bairro do Ipiranga, na zona sul. A corrida só foi encerrada no dia 7 de abril. No período, o carro rodou 1.755 quilômetros e custou para a cidade R$ 6.558,13. A justificativa dada pelo servidor foi “vacinação de febre amarela albergue”.
O relatório ainda indica que quase 5.500 corridas feitas por servidores municipais duraram menos de três minutos. Elas foram realizadas por 87 dos 93 órgãos da Prefeitura de São Paulo e custaram ao município cerca de R$ 47 mil ao todo. Desse valor, quase R$ 20 mil foram gastos com corridas que duraram menos de um minuto.
De acordo com a Prefeitura de São Paulo, apesar dos casos apontados no relatório, o município economizou R$ 93 milhões em 2018. Atualmente, entre 30 mil e 40 mil servidores têm acesso ao aplicativo corporativo. A Secretaria de Gestão informou que está investigando a conduta dos funcionários públicos.
Procurada, a empresa 99 afirma que apenas oferece o serviço e repassa relatórios para a prefeitura. (GSP)
