Sítio arqueológico histórico no Centro de SP fica exposto e abandonado

Vestígios históricos, incluindo trilhos de bondes, estão à mercê da chuva e da falta de proteção

Trilhos de bonde centenários descobertos na Praça Padre Manoel da Nóbrega

Trilhos de bonde centenários descobertos na Praça Padre Manoel da Nóbrega | Jonatas Oliveira

Um sítio arqueológico localizado nas imediações do Pateo do Colégio, no Centro Histórico de São Paulo, apresenta indícios de abandono e falta de proteção.

A situação foi flagrada na manhã deste sábado (3/1), quando a área, que deveria estar coberta para preservar os vestígios históricos, permanecia aberta e com acúmulo de água da chuva.

O local abriga antigos trilhos de bondes do sistema de transporte operado pela companhia Light, identificados na Rua José Bonifácio e na Praça Padre Manoel da Nóbrega.

A descoberta integra um conjunto de achados arqueológicos anunciados pela Prefeitura de São Paulo em outubro de 2024, durante as obras de requalificação dos calçadões do chamado Triângulo Histórico, iniciadas em janeiro de 2023.

Achados arqueológicos no Triângulo Histórico

Ao todo, três sítios arqueológicos foram identificados na região central da cidade.

O primeiro deles fica na Rua Senador Paulo Egídio e reúne fundações de edificações da primeira metade do século 20.

No mesmo local, arqueólogos também encontraram fragmentos de cerâmica colonial e portuguesa, possivelmente datados do século 18.

Na Rua Quintino Bocaiúva, o segundo sítio revelou vestígios de construções históricas do início do século passado, além de uma estrutura que pode ter integrado um sistema de canalização de água, cuja datação ainda não foi determinada.

O terceiro sítio, agora exposto, trouxe à tona trilhos de bondes utilizados pela Light, empresa que operou parte do transporte público paulistano nas primeiras décadas do século 20.

Os trilhos estavam enterrados sob o pavimento da Rua José Bonifácio e da Praça Padre Manoel da Nóbrega, área próxima ao marco de fundação da cidade.

Especialistas alertam que a ausência de cobertura adequada e a exposição prolongada às intempéries podem causar danos irreversíveis ao patrimônio arqueológico, cuja preservação é fundamental para a compreensão da história urbana de São Paulo.

A reportagem da Gazeta entrou em contato com a Secretaria Municipal de Cultura e Economia Criativa para esclarecimentos sobre a situação do sítio arqueológico, mas não obteve resposta até a publicação desta matéria.