Pesquisadores encontraram fósseis de tartarugas de 83 milhões de anos no sítio paleontológico conhecido como Tartaruguito, em uma propriedade rural de Pirapozinho, interior de São Paulo.
Os achados incluem esqueletos completos e fragmentos de tartarugas que habitavam rios e lagos da Bacia Bauru durante o Cretáceo Superior.
Pense nos fósseis como um álbum de fotos da Terra de milhões de anos atrás. Cada osso encontrado ajuda os cientistas a montar, aos poucos, como era a vida no Brasil muito antes de existirem cidades, estradas ou até mesmo seres humanos.
Como era o interior de São Paulo há 80 milhões de anos?
Durante o Cretáceo Superior, o oeste paulista fazia parte da Bacia Bauru, uma extensa área geológica formada por rios, lagos temporários e planícies aluviais, sob clima quente e semiárido.
Toda vez que um rio transbordava ou um lago secava, ele deixava camadas de sedimento para trás. Essa repetição, ao longo de milhões de anos, construiu a Formação Adamantina, camada de arenito que ajuda a preservar ossos e cascos por muito tempo.
Esse ambiente abrigava uma fauna diversa: dinossauros, crocodiliformes terrestres, serpentes, peixes, anfíbios, mamíferos primitivos e várias espécies de tartarugas conviviam na mesma paisagem.
Além dos répteis aquáticos, o sítio também preserva fósseis do Pepesuchus, um crocodiliforme terrestre descrito pela ciência em 2019, com pernas longas e hábitos de vida em terra firme, bem diferente dos crocodilos atuais.
Por que a descoberta é tão importante?
Os fósseis só foram encontrados por conta de uma expedição com nove pesquisadores da UERJ, UFRJ e UFES, com apoio do Instituto Paleovert e da Fapesp.
Segundo os cientistas, os fósseis pertencem principalmente a duas espécies: Bauruemys elegans e Roxochelys wanderleyi.
Descobrir um esqueleto quase completo é raro. Normalmente, o que sobra de um animal depois de tanto tempo enterrado são só pedaços soltos.
Quando os pesquisadores acham um exemplar inteiro, é como ganhar as peças que faltavam de um quebra-cabeça gigante: dá para entender melhor como o animal era, como se movia e como vivia.
Essas tartarugas também contam uma história de sobrevivência. Elas conviveram com dinossauros e resistiram à extinção que varreu boa parte da vida na Terra há cerca de 66 milhões de anos.
Entender como esse grupo conseguiu atravessar esse período ajuda os cientistas a entender, de forma mais ampla, o que faz uma espécie sobreviver a grandes crises ambientais






