Sítio revela fósseis raros de tartarugas de 80 milhões de anos no interior de São Paulo

Além das tartarugas fósseis, o sítio paulista também guarda restos de um crocodiliforme terrestre que viveu ao lado dos dinossauros

fósseis

Foto: Reprodução/WikimediaCommons/AndreBorgesLopes

Pesquisadores encontraram fósseis de tartarugas de 83 milhões de anos no sítio paleontológico conhecido como Tartaruguito, em uma propriedade rural de Pirapozinho, interior de São Paulo.

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Os achados incluem esqueletos completos e fragmentos de tartarugas que habitavam rios e lagos da Bacia Bauru durante o Cretáceo Superior.

Pense nos fósseis como um álbum de fotos da Terra de milhões de anos atrás. Cada osso encontrado ajuda os cientistas a montar, aos poucos, como era a vida no Brasil muito antes de existirem cidades, estradas ou até mesmo seres humanos.

Como era o interior de São Paulo há 80 milhões de anos?

Durante o Cretáceo Superior, o oeste paulista fazia parte da Bacia Bauru, uma extensa área geológica formada por rios, lagos temporários e planícies aluviais, sob clima quente e semiárido.

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Toda vez que um rio transbordava ou um lago secava, ele deixava camadas de sedimento para trás. Essa repetição, ao longo de milhões de anos, construiu a Formação Adamantina, camada de arenito que ajuda a preservar ossos e cascos por muito tempo.

Esse ambiente abrigava uma fauna diversa: dinossauros, crocodiliformes terrestres, serpentes, peixes, anfíbios, mamíferos primitivos e várias espécies de tartarugas conviviam na mesma paisagem.

Além dos répteis aquáticos, o sítio também preserva fósseis do Pepesuchus, um crocodiliforme terrestre descrito pela ciência em 2019, com pernas longas e hábitos de vida em terra firme, bem diferente dos crocodilos atuais.

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Por que a descoberta é tão importante?

Os fósseis só foram encontrados por conta de uma expedição com nove pesquisadores da UERJ, UFRJ e UFES, com apoio do Instituto Paleovert e da Fapesp.

Segundo os cientistas, os fósseis pertencem principalmente a duas espécies: Bauruemys elegans e Roxochelys wanderleyi.

Descobrir um esqueleto quase completo é raro. Normalmente, o que sobra de um animal depois de tanto tempo enterrado são só pedaços soltos.

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Quando os pesquisadores acham um exemplar inteiro, é como ganhar as peças que faltavam de um quebra-cabeça gigante: dá para entender melhor como o animal era, como se movia e como vivia.

Essas tartarugas também contam uma história de sobrevivência. Elas conviveram com dinossauros e resistiram à extinção que varreu boa parte da vida na Terra há cerca de 66 milhões de anos.

Entender como esse grupo conseguiu atravessar esse período ajuda os cientistas a entender, de forma mais ampla, o que faz uma espécie sobreviver a grandes crises ambientais