Trem turístico percorre montanhas e cidades históricas de Minas Gerais em trajeto de 18 km marcado por locomotivas e histórias centenárias

Suspenso desde 2020, passeio ferroviário atravessa uma região marcada pela mineração, preserva locomotivas históricas e conecta duas cidades importantes do patrimônio brasileiro.

Trem em MG

Com 18 quilômetros de extensão, o trajeto conecta duas cidades importantes para a história brasileira/Divulgação/PMOP

Entre montanhas, antigas estações e paisagens marcadas pela mineração, uma ferrovia mineira guarda histórias que vão além dos trilhos. O Trem Turístico que liga Ouro Preto a Mariana, em Minas Gerais, está sem transportar passageiros desde 2020 e tem previsão de concluir as obras de recuperação no fim de 2028.

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Com 18 quilômetros de extensão, o trajeto conecta duas cidades importantes para a história brasileira. Antes da suspensão, a viagem durava aproximadamente uma hora e permitia observar o relevo da região a bordo de uma composição histórica.

Ferrovia atravessa mais de um século de história

A construção da ferrovia começou em 1883, em um período de transformações econômicas em Minas Gerais. O trecho até Mariana, porém, só ficou pronto em 1914.

Depois de perder espaço como transporte regular, a linha ganhou uma nova função turística. A Vale recuperou a estrutura e revitalizou os 18 quilômetros de trilhos, além de restaurar estações e veículos ferroviários.

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O passeio voltou a receber passageiros em 5 de maio de 2006. A proposta combinava turismo, preservação histórica e atividades culturais, aproximando visitantes da trajetória das duas cidades.

Durante a viagem, os passageiros também podiam conhecer detalhes sobre a ferrovia e a região. A paisagem montanhosa ajudava a revelar os desafios enfrentados na construção dos trilhos.

Locomotivas têm histórias que cruzaram fronteiras

Entre as curiosidades do acervo está a Loco 201, fabricada pela empresa Škoda, na antiga Tchecoslováquia, em 1949.

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A locomotiva foi encomendada para uma ferrovia dos Estados Unidos, passou por uma companhia ferroviária argentina e chegou ao Brasil em 1980. Depois de circular por Santa Catarina, foi incorporada ao patrimônio ferroviário mineiro.

Outra máquina histórica é a Brigardier, conhecida como Máquina 3. Construída na Alemanha por volta de 1918, ela foi utilizada em trabalhos militares durante a Primeira Guerra Mundial.

Depois do conflito, a locomotiva chegou ao Brasil e transportou cargas de olarias e pedreiras em Minas Gerais. Mais tarde, passou por restauração e entrou para o acervo histórico da região.

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Essas máquinas ajudam a contar como equipamentos ferroviários atravessaram países e épocas antes de ganhar uma nova função ligada à memória e ao turismo.

Quatro estações ajudam a contar a história local

O percurso reúne quatro estações históricas: Ouro Preto, Mariana, Vitorino Dias e Passagem de Mariana.

A estação de Vitorino Dias está relacionada à antiga Companhia Industrial Ouro-Pretana, uma fábrica de tecidos instalada nas proximidades. O local mostra como a ferrovia também atendia às necessidades da atividade industrial.

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Já a estação de Passagem de Mariana tem ligação com a história da mineração, uma das atividades que marcaram a formação econômica da região.

Além do transporte, o projeto também promoveu oficinas, cursos, exposições e visitas educativas. Ao longo de sete anos, o programa cultural associado ao trem registrou aproximadamente 820 mil atendimentos, considerando as diferentes atividades oferecidas.

Para os fãs de trem, Santa Catarina é outro local a abrigar opções interessantes de passeios com paisagens incríveis.

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Quando o passeio de trem deve voltar?

As viagens foram suspensas em 2020, durante a pandemia de Covid-19. Desde fevereiro de 2026, a ferrovia passa por intervenções de recuperação que envolvem a Vale e as administrações municipais.

Em outubro de 2026, a previsão divulgada pela empresa apontava a conclusão das obras para o fim de 2028. O cronograma considera as condições encontradas durante as intervenções, que se mostraram mais complexas do que o previsto.

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Ainda não existe uma data definitiva para a retomada das viagens. A conclusão das obras também não significa que o serviço voltará a funcionar imediatamente, pois será necessário verificar as condições técnicas e de segurança.

Até lá, a ferrovia permanece como parte da memória histórica de Ouro Preto e Mariana, duas cidades que preservam marcas importantes da formação de Minas Gerais.