O senador Flávio Bolsonaro (PL) deixou o Brasil pela fronteira com a Argentina e seguiu para os Estados Unidos em um avião particular que evitou o espaço aéreo brasileiro. A estratégia envolveu duas etapas: primeiro, o deslocamento por terra até o país vizinho; depois, um voo internacional com uma rota que passou por outros países da América do Sul.
A viagem ocorreu após uma decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que proibiu o parlamentar de deixar o Brasil e determinou a entrega de seus passaportes. Segundo as informações divulgadas, Flávio viajava acompanhado da esposa, Fernanda Bolsonaro, e das duas filhas do casal.
Como Flávio Bolsonaro saiu do Brasil?
De acordo com a Direção Nacional de Migrações da Argentina, Flávio e os três familiares entraram no país às 22h50 de terça-feira (27), pela Ponte Internacional Tancredo Neves, na província argentina de Misiones. A travessia liga a região de Foz do Iguaçu, no Paraná, a Puerto Iguazú, na Argentina.
O órgão argentino informou que os quatro apresentaram documentos válidos para entrar no país e que o procedimento migratório foi registrado sem incidentes.
Cerca de 40 minutos depois, às 23h30, o grupo embarcou em um avião particular operado pela empresa Baires Fly S.A., no aeroporto de Puerto Iguazú. O plano de voo indicava Guayaquil, no Equador, como destino inicial.
A escolha da fronteira terrestre permitiu que o deslocamento até a Argentina ocorresse sem a necessidade de um voo partindo de um aeroporto brasileiro. A partir dali, o trajeto internacional foi realizado por uma aeronave registrada na Argentina.
Por quais países passou o avião?
O avião utilizado na viagem é um Gulfstream G400, de matrícula LV-JQW. Segundo dados do serviço de monitoramento aéreo FlightAware, a aeronave partiu de Puerto Iguazú e seguiu para Guayaquil, no Equador, sem sobrevoar o território brasileiro.
Na primeira etapa, a rota passou pelo Paraguai, pela Bolívia e pelo Peru. Depois da escala em Guayaquil, o jatinho decolou novamente em direção a Miami, nos Estados Unidos.
O destino informado para a etapa final era o aeroporto executivo Opa-locka, na região metropolitana de Miami, na Flórida. O voo foi acompanhado por plataformas de rastreamento aéreo, que permitiram observar o trajeto realizado pela aeronave.
Por que o voo não precisou passar pelo Brasil?
A rota de uma aeronave não precisa, necessariamente, atravessar o espaço aéreo do país de origem dos passageiros. O trajeto depende de fatores como o aeroporto de partida, o destino, o planejamento operacional e as condições de navegação aérea.
No caso de Flávio Bolsonaro, o avião partiu de Puerto Iguazú, já em território argentino. Em vez de seguir em direção ao norte pelo espaço aéreo brasileiro, a aeronave percorreu uma rota por países vizinhos, passando pelo Paraguai, pela Bolívia e pelo Peru até chegar ao Equador.
Assim, o fato de o senador ser brasileiro não significava que o voo precisaria cruzar o espaço aéreo do Brasil. A aeronave iniciou a viagem internacional fora do território brasileiro e seguiu por uma rota que evitou o país.
O que a decisão do STF determinava?
A saída do senador ocorreu em meio a uma determinação judicial que o proibia de deixar o Brasil. Segundo as informações divulgadas, Alexandre de Moraes havia determinado o cancelamento dos passaportes brasileiros de Flávio, incluindo o diplomático, e a entrega do documento italiano que ele também possui.
O prazo para a entrega dos documentos à Polícia Federal terminou às 11h de terça-feira (27), sem que o senador tivesse cumprido a determinação até aquele horário, segundo a reportagem do g1.
A medida foi tomada no contexto de uma investigação sob sigilo de Justiça que apura suspeitas de lavagem de dinheiro em um suposto esquema envolvendo empresas do advogado Willer Tomaz e plataformas de apostas. Flávio também é investigado em outro inquérito relacionado ao financiamento da produção do filme Dark Horse, sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Antes da confirmação de sua entrada na Argentina, Flávio havia publicado um vídeo nas redes sociais no qual contestou a decisão judicial e afirmou que não pretendia deixar o país. A confirmação da viagem pelas autoridades argentinas e os registros do voo indicaram, posteriormente, que ele havia seguido para o exterior.
A passagem pela Argentina e a escolha de uma rota aérea que não cruzou o espaço aéreo brasileiro explicam como o deslocamento internacional ocorreu geograficamente. A eventual responsabilização pelo descumprimento da ordem judicial, por sua vez, depende da análise das autoridades competentes.







