‘Temos que mostrar que somos pessoas fortes’, diz jovem xingada de ‘sapatão’ em PG

Giovanna afirma que continuará trabalhando e atuando na profissão normalmente, mas deve dar uma breve pausa em eventos

Giovanna afirma que se calar perante violência verbal é um erro e agressores devem ser identificados e punidos

Giovanna afirma que se calar perante violência verbal é um erro e agressores devem ser identificados e punidos | ARQUIVO PESSOAL

Giovanna poderia ter deixado a violência que sofreu no último domingo (16) passar em branco, mas a profissional decidiu expor nas redes sociais um episódio de homofobia e conseguiu mobilizar centenas de pessoas em torno de uma causa e no auxílio nas buscas pelos autores de xingamentos. O resultado gerou um sentimento de esperança na jovem que destaca que é necessário se juntar para mostrar as forças e impedir que agressores continuem atingindo novas vítimas.

O crime ocorreu durante um campeonato de crossfit que foi realizado em Praia Grande. Em imagens gravadas com um celular, é possível ver Giovanna atuando como árbitra e analisando a atuação de diferentes atletas ao seu redor. Em determinado momento, parte da torcida começa a protestar contra a profissional e as reclamações rapidamente se transformam em homofobia com expressões como ‘sapatão do inferno’.

“Desde a postagem que aconteceu tem pessoas me mandando mensagens de apoio, repostando as coisas que eu estou postando, repostando as reportagens, então essa parte eu acho que posso dizer que está interessante porque quando eu postei o vídeo era mais para abranger os meus alunos e não lidar com isso como uma situação normal, coisa que as pessoas normalmente lidam, então não era essa a intenção. Quando eu postei e comecei a ver que estava viralizando eu fiquei ‘meu, que maneiro’ a proporção que tomou das pessoas realmente vestindo a causa sabe e me ajudando com a situação. Dá esperança de que realmente a gente consegue mudar algo, é só a pessoa querer”, explica Giovanna Padovani Lui, que tem 22 anos e é profissional de educação física.

Até o momento, Giovanna ainda não conseguiu localizar ou identificar os autores dos xingamentos, mas está recebendo total apoio dos organizadores do evento e também de sua advogada, junto das autoridades, para que o crime não passe impune.

“Estou trabalhando junto com a Mugo Games, a Digital Score e o pessoal do ‘box’ entrou em contato com a minha advogada para tentar ajudar a fazer conhecimento de voz e tudo mais, mas por enquanto ainda não identificamos ninguém. A gente está trabalhando junto para tentar achar o quanto antes. Eu não conhecia ninguém, inclusive ainda não tinha ouvido falar do box até o momento da competição e por enquanto, infelizmente não temos nada, a gente tem foto e tudo, mas a gente está tentando fazer o reconhecimento para acusar certo e não acabar acusando alguém que não temos certeza”, explica. 

A educadora física afirma que jamais havia passado por uma situação tão agressiva, embora o preconceito já a tenha atingido em seu passado, mas a repercussão junto a grupos indignados com o ocorrido tem ajudado a lidar com o crime.

“A situação em si me machucou bastante, no momento eu me senti muito mal, muito humilhada, porque foram ataques muito fortes. Eu não esperava que isso fosse acontecer, eu sempre tive um contato muito legal com todos os meus alunos e eles também sempre tiveram comigo então não é algo que eu imaginava, mas o apoio das pessoas tá dando força à causa e eu acho isso muito legal”, diz.

Giovanna afirma que continuará trabalhando e atuando na profissão normalmente, mas deve dar uma breve pausa em eventos como arbitragem em campeonatos de crossfit, embora essa decisão ainda não seja 100% tomada.

A minha intenção não é prejudicar ninguém e sim atingir os agressores, mas além disso, tocar também as pessoas que passam por isso, que sofrem com isso, não sabem como fazer, que se calam e acham que é normal, que um dia vai passar, que um dia vai mudar e não é assim. Acho que você tem que dar a frente, mostrar que somos pessoas fortes e que não é a nossa sexualidade que vai mudar a nossa índole, o nosso caráter, nossa maneira de lidar com as pessoas. Eu acho que é isso, eu acho que a gente tem que que ir atrás sim, juntar forças e ir para cima, ficar quieto não adianta”, finaliza.