Túnel de R$ 7 bilhões vai reduzir trajeto entre Santos e Guarujá de uma hora para cinco minutos

Primeiro túnel submerso do Brasil promete criar 9 mil empregos e possui previsão de operação em 2031

Túnel submerso terá 870 metros de comprimento e ficará a 21 metros de profundidade

Túnel submerso terá 870 metros de comprimento e ficará a 21 metros de profundidade | Divulgação/Governo de São Paulo

O Túnel Santos–Guarujá, primeiro túnel submerso do Brasil, foi projetado para reduzir o tempo de deslocamento entre os dois municípios da Baixada Santista para cerca de cinco minutos e gerar aproximadamente 9 mil empregos diretos e indiretos ao longo das obras.

A estrutura deve atender uma população estimada em 2 milhões de moradores de Santos e Guarujá, além de turistas e trabalhadores que utilizam diariamente as ligações entre as duas cidades.

O empreendimento terá investimento estimado em R$ 6,8 bilhões e será executado por meio de uma Parceria Público-Privada (PPP), com concessão de 30 anos, assinada pelo Governo de São Paulo nesta quarta-feira (28/1).

Como será a travessia entre Santos e Guarujá

Atualmente, a ligação entre os municípios é feita principalmente por balsas ou por rodovias que contornam o estuário. 

A travessia por balsa dura, em média, 18 minutos, mas pode ultrapassar uma hora em períodos de filas.

Pela ligação rodoviária, o percurso é de cerca de 40 quilômetros, com tempo de deslocamento que também pode chegar a aproximadamente uma hora, a depender do tráfego.

Com a implantação do túnel, a travessia direta sob o canal portuário deve ser realizada em até cinco minutos.

Estrutura do túnel submerso

O projeto prevê um túnel com aproximadamente 1,5 quilômetro de extensão total, sendo 870 metros em trecho submerso sob o canal do porto de Santos.

A estrutura contará com três faixas de rolamento por sentido, incluindo uma faixa destinada ao Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), além de passagem para pedestres, ciclistas e uma galeria de serviços.

O método construtivo será o de túnel imerso, com módulos de concreto fabricados fora do local e posteriormente posicionados no leito do canal.

Investimento e modelo de concessão

Do total de R$ 6,8 bilhões previstos para o empreendimento, até R$ 5,1 bilhões correspondem a aporte público, dividido igualmente entre o Governo do Estado de São Paulo e a União.

A concessão estabelece uma contraprestação pública anual máxima de R$ 438,3 milhões, a ser paga pelo Estado durante o período contratual.

O contrato foi firmado com o grupo português Mota-Engil, vencedor do leilão realizado na B3 em setembro de 2025, com desconto de 0,5% sobre o valor de referência.

Licenciamento e próximos passos

A Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) já concedeu a licença ambiental prévia do projeto, após análise de impactos sobre manguezais, fauna, flora, ruído e áreas sujeitas a desapropriação.

Com o avanço do cronograma, a próxima etapa envolve a definição da área onde será instalada a doca para a fabricação dos módulos de concreto.

Segundo o planejamento do governo estadual, a produção dos módulos está prevista para começar em 2027, com montagem da estrutura até 2030 e início da operação em 2031.