Governo assina contrato do Túnel Santos-Guarujá após quase um século de espera

Projeto histórico promete reduzir deslocamento entre Santos e Guarujá de uma hora para cinco minutos

Projeto prevê investimento total de quase R$ 7 bilhões e encerra uma discussão que atravessa quase um século na Baixada Santista

Projeto prevê investimento total de quase R$ 7 bilhões e encerra uma discussão que atravessa quase um século na Baixada Santista | Divulgação: Pablo Jacob/Governo de SP

O Governo de São Paulo assina nesta quarta-feira (28/1), no Palácio dos Bandeirantes, o contrato da Parceria Público-Privada (PPP) para a construção do Túnel Santos–Guarujá, que será o primeiro túnel submerso do Brasil.

O projeto prevê investimento total de quase R$ 7 bilhões e encerra uma discussão que atravessa quase um século na Baixada Santista.

A assinatura do contrato será firmado com o grupo português Mota-Engil, vencedor do leilão realizado na B3 em setembro de 2025.

A empresa apresentou desconto de 0,5% sobre a contraprestação pública máxima anual, fixada em R$ 438,3 milhões. O acordo terá duração de 30 anos e inclui as etapas de construção, operação e manutenção da infraestrutura.

Extensão do túnel

Com 870 metros de extensão, o túnel será construído sob o canal portuário e contará com três faixas de rolamento em cada sentido, além de passagem para pedestres, ciclistas e uma galeria de serviços.

A estimativa é que o tempo de travessia entre Santos e Guarujá seja reduzido para até cinco minutos.

Atualmente, a ligação rodoviária entre os dois municípios tem cerca de 40 quilômetros, com deslocamento médio de aproximadamente uma hora.

Segundo o governador Tarcísio de Freitas, a previsão é que o túnel esteja concluído e em operação até 2031, passando a ser a principal conexão entre cidades que concentram cerca de 2 milhões de pessoas.

A ligação seca entre Santos e Guarujá é debatida há décadas e aparece em estudos desde o início do século passado.

Investimento e geração de emprego

O projeto tem investimento estimado em R$ 6,8 bilhões e deve gerar cerca de 9 mil empregos diretos e indiretos ao longo das obras.

A expectativa do governo estadual é de que a estrutura impacte a mobilidade urbana e a logística da região, que abriga o maior porto da América Latina.

A licença ambiental prévia já foi concedida pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb).

Foram analisados impactos sobre manguezais, fauna, flora, níveis de ruído e desapropriações, além de estabelecer condicionantes que deverão ser cumpridas nas próximas fases do licenciamento.

Com a assinatura do contrato, o projeto entra na etapa preparatória. Entre as primeiras ações está a definição da área onde será instalada a doca para a fabricação dos módulos de concreto que compõem a estrutura submersa.

De acordo com o cronograma apresentado pelo governo estadual, a produção desses módulos está prevista para começar em 2027.

A fase de montagem da estrutura imersa deve ocorrer até 2030. A conclusão das obras e o início da operação estão previstos para 2031.