Túnel Santos-Guarujá: obra de R$ 6,8 bilhões vai transformar mobilidade e economia

Secretário Bruno Galoti Orlandi revela os benefícios do Túnel Santos-Guarujá para a mobilidade, o Porto de Santos e a economia

Em entrevista exclusiva à Gazeta, o secretário municipal de Assuntos Portuários e Emprego de Santos, Bruno Galoti Orlandi (PSD), falou sobre a importância da obra, os impactos ambientais, a geração de emprego e renda e os reflexos para a economia nacional. Foto: Yasmin Martildes/Gazeta de S. Paulo

Em entrevista exclusiva à Gazeta, o secretário municipal de Assuntos Portuários e Emprego de Santos, Bruno Galoti Orlandi (PSD), falou sobre a importância da obra, os impactos ambientais, a geração de emprego e renda e os reflexos para a economia nacional. Foto: Yasmin Martildes/Gazeta de S. Paulo

O Brasil prepara uma das maiores obras de mobilidade urbana de sua história. Com investimento estimado em R$ 6,8 bilhões, o Túnel Santos-Guarujá deve reduzir o tempo de deslocamento entre as duas cidades e ampliar a eficiência logística do Porto de Santos.

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Em entrevista exclusiva à Gazeta, o secretário municipal de Assuntos Portuários e Emprego de Santos, Bruno Galoti Orlandi (PSD), falou sobre a importância da obra, os impactos ambientais, a geração de emprego e renda e os reflexos para a economia nacional.

Advogado e mestre em Gestão e Políticas Públicas, Orlandi assumiu pela segunda vez a pasta no início de 2025, após exercer mandato como vereador em Santos.

Ao comentar a movimentação de cargas no Porto de Santos, o secretário destacou a relevância do complexo portuário para a economia brasileira.

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“Hoje, o Porto de Santos é o maior complexo logístico do Hemisfério Sul e o maior porto da América Latina. E os números traduzem essa realidade. Se a gente pensar, só no ano passado foram cerca de 186 milhões de toneladas movimentadas. A gente sabe da pujança do Porto de Santos”, afirmou.

A obra do Túnel Santos-Guarujá é uma iniciativa do governo federal, por meio da Autoridade Portuária de Santos (APS), em parceria com o Governo de São Paulo.

Além de ampliar a mobilidade na região, o projeto prevê otimizar o transporte de cargas e beneficiar moradores que dependem diariamente da travessia entre Santos e Guarujá.

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Benefícios ambientais

Segundo Orlandi, os impactos da obra vão além da mobilidade urbana e incluem ganhos ambientais com a redução do percurso percorrido pelos caminhões.

“Quando a gente fala de mobilidade urbana, o túnel Santos-Guarujá vem com essa proposta de melhorar a mobilidade. E essa obra também melhora a qualidade de vida e a sustentabilidade. Teremos uma redução significativa na emissão de CO₂, com a diminuição do percurso dos caminhões. Hoje, eles precisam dar uma volta muito grande para chegar à margem esquerda. Quando você tem um túnel, diminui esse trajeto e, por consequência, reduz a emissão de CO₂.”

Discussão

O projeto é discutido há mais de um século e, na avaliação do secretário, o avanço da obra foi possível graças ao diálogo entre diferentes esferas de governo, independentemente de posicionamentos partidários.

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“O projeto nasceu, de fato, da conversa, do diálogo, mas também nasceu da ausência da política partidária, da ausência de bandeiras de um lado ou de outro. O projeto nasceu com o objetivo de promover o bem comum e de trazer, de fato, grandes investimentos para a coletividade.”

Além dos impactos diretos para o Porto de Santos e para os municípios de Santos e Guarujá, o túnel deverá ampliar a integração entre as nove cidades da Região Metropolitana da Baixada Santista, beneficiando cerca de 2 milhões de pessoas.

Na avaliação de Orlandi, a obra também poderá ampliar a visibilidade internacional da cidade e do País.

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“Olha, se você vai para a Europa hoje, existe a ligação entre Londres e Paris por debaixo da água. Hong Kong, da mesma maneira. Pelo mundo, existem obras dessa magnitude e dessa complexidade. Santos vai entrar no radar internacional e vai projetar o Brasil. Vamos ter pessoas ao redor do mundo dizendo: ‘Eu estive em Santos, eu estive no Brasil e tive a oportunidade de passar por um túnel submerso, debaixo do maior porto da América Latina, atravessando de uma margem à outra”.

Túnel Santos-Guarujá deve reduzir o tempo de travessia

Atualmente, aproximadamente 80 mil pessoas cruzam diariamente o canal entre Santos e Guarujá. A travessia por balsas, considerada a mais movimentada do mundo, registra a circulação de cerca de 27 mil veículos por dia.

Já os veículos de carga, que hoje precisam percorrer mais de 40 quilômetros para realizar o trajeto, terão o tempo de deslocamento reduzido de cerca de 40 minutos para pouco mais de um minuto.

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Do ponto de vista ambiental, a ligação deverá contribuir para a redução de aproximadamente 70 mil toneladas de CO₂ por ano.

A estimativa considera o encurtamento do percurso atualmente realizado por cerca de 5 mil caminhões por dia, que passará de 45 quilômetros para apenas 960 metros.

O Porto de Santos também deverá ganhar competitividade com a obra. Entre os benefícios apontados estão o aumento da segurança da navegação, eliminando o cruzamento entre cargueiros e balsas urbanas, além da ampliação das operações portuárias com o acréscimo de áreas na margem esquerda.

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A construção do túnel ocorre em um momento estratégico para o complexo portuário, que também prevê a implantação do Tecon Santos 10, apontado como o maior terminal de contêineres do porto.

Com capacidade para movimentar 3,5 milhões de TEUs, o empreendimento deverá posicionar Santos entre os 20 maiores portos do mundo.