O Brasil poderá ter, nos próximos três anos, uma das maiores obras de mobilidade urbana de sua história. Orçado em R$ 6,8 bilhões, o Túnel Santos-Guarujá, na Baixada Santista, pretende reduzir o tempo de deslocamento entre as duas cidades e melhorar a logística do Porto de Santos.
A obra é uma iniciativa do governo federal, por meio da Autoridade Portuária de Santos (APS), em parceria com o Governo de São Paulo.
Além de ampliar a mobilidade na região, o projeto busca otimizar o transporte de cargas e beneficiar moradores que dependem diariamente da travessia entre Santos e Guarujá.
Em entrevista à Gazeta, o diretor-presidente da APS, Anderson Pomini, detalhou os impactos do empreendimento, considerado um dos principais projetos de infraestrutura em andamento no País. Ele também falou sobre a gestão do Porto de Santos, os prazos para execução da obra e os investimentos previstos.
“Quando a comunidade se reúne e a política deixa de lado interesses particulares, o Brasil avança. O Túnel Santos-Guarujá é um grande marco e um símbolo da boa política de que o País tanto precisa. É o Brasil se construindo por meio da infraestrutura e da sua principal janela de conexão com o mundo, que é o Porto de Santos”, afirmou Anderson Pomini durante participação no programa ‘Direto da Gazeta’, exibido pela TV GMG.
À Gazeta, o presidente da Autoridade Portuária de Santos (APS) também antecipou o cronograma da obra e informou que o canteiro será inaugurado ainda neste ano. Confira entrevista em vídeo abaixo:
“Trata-se da maior obra do Governo Federal em parceria com o Governo do Estado, tendo o Porto de Santos como grande protagonista. Em relação ao calendário, a empresa já está no local realizando os trabalhos de sondagem do solo. A previsão é de gerar mais de 5 mil empregos ao longo de três anos. A obra deverá ser entregue nesse período, e a inauguração do canteiro está prevista para acontecer ainda neste ano”, completou.
Ganho internacional
“O Porto de Santos tem muito a ganhar com a construção do túnel Santos-Guarujá, inclusive do ponto de vista da logística internacional. Não se trata apenas de uma obra viária, mas de uma obra de infraestrutura estratégica. Além de conectar as duas margens das cidades, ela integra as margens do principal equipamento de infraestrutura do País, que é o Porto de Santos”, pontuou Anderson Pomini.
Benefícios do túnel Santos-Guarujá
Além dos impactos diretos para o Porto de Santos e para os municípios de Santos e Guarujá, o túnel deverá ampliar a integração entre as nove cidades da Região Metropolitana da Baixada Santista, beneficiando cerca de 2 milhões de pessoas.
Atualmente, aproximadamente 80 mil pessoas cruzam diariamente o canal entre Santos e Guarujá. A travessia por balsas, considerada a mais movimentada do mundo, registra a circulação de cerca de 27 mil veículos por dia.
Já os veículos de carga, que hoje precisam percorrer mais de 40 quilômetros para realizar o trajeto, terão o tempo de deslocamento reduzido de cerca de 40 minutos para pouco mais de um minuto.
Do ponto de vista ambiental, a ligação deverá contribuir para a redução de aproximadamente 70 mil toneladas de CO₂ por ano.
A estimativa considera o encurtamento do percurso atualmente realizado por cerca de 5 mil caminhões por dia, que passará de 45 quilômetros para apenas 960 metros.
O Porto de Santos também deverá ganhar competitividade com a obra. Entre os benefícios apontados estão o aumento da segurança da navegação, eliminando o cruzamento entre cargueiros e balsas urbanas, além da ampliação das operações portuárias com o acréscimo de áreas na margem esquerda.
A construção do túnel ocorre em um momento estratégico para o complexo portuário, que também prevê a implantação do Tecon Santos 10, apontado como o maior terminal de contêineres do porto.
Com capacidade para movimentar 3,5 milhões de TEUs, o empreendimento deverá posicionar Santos entre os 20 maiores portos do mundo.
A empresa Mota-Engil Latam Portugal se sagrou no ano passado a vencedora do leilão para construir o túnel imerso Santos-Guarujá.






