Numa feira de livros, a escolha pode começar pela capa, por uma indicação ou pela vontade de descobrir o que existe dentro de um exemplar. Em Sapiranga, essa decisão terá apoio de um vale-livro distribuído pela rede municipal.
A edição de 2026 da Feira do Livro foi anunciada para 22, 23 e 24 de outubro, no Parque do Imigrante. Segundo a prefeitura, a ampliação do programa permitirá a escolha de mais de 13 mil livros por alunos, professores e funcionários.
O dado mais interessante está em quem participa da decisão. A proposta não se resume a entregar o mesmo título para todos: o vale permite que cada leitor escolha um exemplar, dentro da faixa de leitura correspondente.
A novidade divulgada em 19 de outubro é a inclusão dos funcionários das escolas no alcance do benefício. A programação também reúne atividades de escrita, encontros com autores e produções realizadas pelos estudantes durante a preparação do evento.
Escolher um livro é uma experiência própria
Receber um livro e escolher um livro são situações diferentes, embora ambas possam gerar boas leituras. Na escolha, a pessoa participa de uma decisão que envolve interesse, curiosidade e expectativas sobre o que deseja encontrar.
Uma criança pode se aproximar de uma história pela ilustração e mudar de ideia depois de folhear as páginas. Outra pode procurar um assunto específico ou querer conhecer um autor indicado por alguém de sua turma.
Esses caminhos mostram que a escolha não precisa acontecer de uma única maneira. A conversa com professores, mediadores e colegas pode ampliar o repertório sem substituir completamente o interesse de quem vai levar o livro.
Também ajuda a perceber que o contato com a literatura começa antes da primeira página lida até o fim. Observar, comparar e fazer perguntas fazem parte da experiência de circular num espaço com muitos títulos disponíveis.
O vale alcança diferentes pessoas da escola
De acordo com a divulgação municipal, estudantes matriculados da Educação Infantil ao 9º ano recebem o vale-livro. Professores já estavam contemplados, e a extensão aos funcionários amplia o conjunto de pessoas envolvidas na iniciativa.
A escola é frequentada por profissionais que desempenham funções diferentes, nem sempre presentes nas imagens mais comuns de uma atividade de leitura. Incluí-los na escolha reconhece que o acesso aos livros pode atravessar toda a comunidade escolar.
Essa participação também pode gerar conversas que não ficam restritas a uma turma. Uma indicação pode surgir entre colegas de trabalho, num intervalo ou no encontro de pessoas que escolheram livros muito diferentes no mesmo evento.
O número de exemplares previsto indica a escala da ação, mas não substitui essas experiências particulares. Cada livro escolhido terá uma relação com a pessoa que o levou e com as circunstâncias em que será lido.
A preparação começou antes de abrir as bancas
A prefeitura informou que as escolas receberam oficinas desde maio como preparação para a feira. Os encontros reuniram os escritores Nana Bernardes, Athos Beuren e Chiquinho Divilas em atividades de poesia, criação e rima.
Com Athos Beuren, os estudantes produziram de forma colaborativa uma história para o livro-jogo Jairinho e Rosinha: Uma Jornada entre Mundos e Aventuras. A divulgação apresenta o lançamento dessa produção como uma etapa ainda por acontecer.
Já as oficinas com Chiquinho Divilas deram origem ao jingle oficial da feira, criado e gravado com participação dos alunos. O escritor e rapper também recebeu o convite para ser patrono da edição.
Esses resultados aproximam leitura e autoria. O estudante encontra livros feitos por outras pessoas, mas também experimenta decisões que participam de uma criação, como escolher palavras, construir uma sequência ou ajustar o ritmo de um texto.
Ler e produzir podem fazer parte do mesmo percurso
Uma atividade de escrita coletiva exige negociar ideias. O grupo precisa decidir o que acontece, como a história avança e quais contribuições entram numa versão que represente o trabalho compartilhado entre os participantes.
Isso não transforma automaticamente toda produção em um livro pronto para publicação. Oferece uma experiência concreta com escolhas que muitas vezes ficam invisíveis quando o leitor encontra apenas o resultado final de uma obra.
Nas atividades com rimas, a atenção pode se voltar para o som, a repetição e o ritmo. A palavra passa a ser experimentada também como algo que será ouvido, ampliando as relações entre escrita e oralidade.
Essas formas de participação permitem que a feira seja mais do que um passeio entre estandes. O estudante chega ao evento depois de ter produzido algo ligado a ele, reconhecendo uma parte do próprio trabalho na programação.
Um evento literário comporta diferentes ritmos
A programação anunciada reúne palestras, horas do conto, conversas com autores, saraus, oficinas e apresentações musicais e teatrais. A variedade cria possibilidades para pessoas que se aproximam dos livros por interesses distintos.
Uma conversa com um autor pode esclarecer como surgiu uma personagem. Uma contação de história oferece outra relação com o texto, na qual voz, pausa e presença de quem narra participam da experiência.
Nenhuma dessas atividades precisa substituir a leitura individual para ter sentido. Elas podem oferecer encontros que levam alguém a procurar um exemplar ou a voltar para uma história depois de conhecê-la por outro caminho.
Também há espaço para uma experiência mais silenciosa, feita de folhear e observar. A circulação numa feira permite combinar momentos coletivos com escolhas pessoais, sem exigir que todos participem do evento no mesmo ritmo.
O livro escolhido continua depois da feira
O evento tem três dias definidos de duração, mas o exemplar levado para casa pode atravessar outros tempos. Há livros que serão lidos rapidamente, outros que serão retomados e aqueles que vão circular entre familiares e amigos.
Essa continuidade não pode ser reduzida a uma contagem de páginas concluídas. O encontro com um assunto, uma imagem ou uma forma de escrever também pode permanecer na experiência de quem teve acesso ao livro.
Em Sapiranga, a distribuição de vales cria uma condição concreta para esse percurso: escolher e levar um exemplar. O acompanhamento da leitura depende depois das relações construídas nas escolas, nas casas e em outros espaços de convivência.
Ao incluir funcionários e manter a participação de estudantes e professores, a edição amplia as pessoas que podem sair da feira com uma decisão própria nas mãos. O ponto de partida é comum; as histórias que cada leitor levará consigo serão diferentes.





