As falas do papa Francisco sobre as leis de união civil foram tiradas de contexto e não sinalizam uma mudança na doutrina da Igreja sobre homossexuais ou no apoio ao casamento entre pessoas do mesmo sexo, segundo o Vaticano.
Em uma das cenas do documentário Francesco, apresentado em outubro, o papa diz que os homossexuais têm o direito de estar uma família e que as leis de união civil para homossexuais são necessárias.
Após ser divulgado, a fala de papa gerou elogios de progressista e pedidos de esclarecimento dos conservadores.
Nota
A Secretaria de Estado da Santa Sé enviou uma “nota explicativa” ao seus embaixadores. O texto foi publicado pelo biógrafo papal Austen Ivereigh. Nesta segunda-feira (2), uma fonte do Vaticano confirmou a nota, e o embaixador do Vaticano no México a publicou em sua página no Facebook.
De acordo com a nota, foram unidas duas declarações para parecerem apenas uma, excluindo o contexto e as perguntas entre elas.
O diretor do documentário, Evgeny Afineevsky, se recusou a discutir o processo de edição após a estreia do longa.
Ainda de acordo com a nota, o papa se referia ao direito dos homossexuais de serem aceitos pelas suas próprias famílias, como filhos e irmãos.
A produção teria cortado comentários em que o papa expressou oposição ao casamento homossexual e que deixavam claro que ele se referia às leis de união civil, que alguns países promulgaram para regular benefícios, como plano de saúde.
A fala de Francisco dizendo que “era incongruente falar sobre casamento homossexual” foi cortada.
“Está claro que o papa Francisco estava se referindo a certas disposições dos Estados e certamente não à doutrina da Igreja, que ele reafirmou várias vezes ao longo dos anos”, diz a nota.
