Vestibulares não sabem se vão usar nota do Enem

EDUCAÇÃO. Maiores vestibulares paulistas ainda não sabem se utilizarão nota do Enem; incertezas deixam alunos inseguros

Letícia de Souza Fazio, 19 anos, se prepara para prestar Medicina

Letícia de Souza Fazio, 19 anos, se prepara para prestar Medicina | /Arquivo pessoal

Depois de um longo embate, no último dia 7 de julho, o Ministério da Educação (MEC), enfim, definiu as novas datas de aplicação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2020. As provas escritas serão aplicadas nos dias 17 e 24 de janeiro e o Enem digital acontecerá nos dias 31 de janeiro e 7 de fevereiro. Apesar da definição, os maiores vestibulares paulistas ainda não sabem se, e como, utilizarão as notas da prova.

Dos três maiores vestibulares do Estado, apenas a Fuvest já tem uma posição concreta: as 2.905 vagas destinadas pela Universidade de São Paulo para seleção de estudantes pelo Sistema de Seleção Unificada (Sisu) estão mantidas.

A Unesp, por sua vez, não sabe ainda como aproveitará o Exame. Por meio de nota, a Universidade informou que, “considera apenas a possibilidade de aproveitar as notas para preenchimento de vagas remanescentes, após as chamadas dos candidatos aprovados no Vestibular Unesp”. A possibilidade, contudo, ainda precisa ser discutida nos colegiados da Universidade.

Já a Comissão Permanente para os Vestibulares (COMVEST) da Unicamp diz que ainda não tem uma definição sobre o uso ou não do Enem para ingresso na Universidade em 2021.

SEGURANÇA NAS PROVAS.

A alteração nas datas do Enem e a própria pandemia de Covid-19 fez com que USP, Unesp e Unicamp alterassem as datas de seus vestibulares e passassem a estudar maneiras de deixar a aplicação das provas mais seguras para evitar a propagação do novo coronavírus entre os
candidatos.

A Unicamp, por exemplo, irá realizar a primeira fase de seu vestibular em dois dias: 6 e 7 de janeiro. A medida visa reduzir o número de estudantes circulando nas escolas, evitando assim, aglomeração. Dessa forma, no dia 6, farão as provas os candidatos de cursos de Humanas e Exatas e, no dia 7, de Ciências Biológicas e Saúde. A Universidade também ampliou o número de locais de provas, incluindo duas novas cidades: Barueri e Fernandópolis e reduziu o número de questões da primeira fase, de 90 para 72, diminuindo assim o tempo máximo de permanência dos alunos nas escolas, de cinco para quatro horas. A segunda fase não teve alterações e será realizada nos dias 7 e 8 de fevereiro.

Por conta da pandemia, a Unesp também dividiu a primeira fase de seu vestibular em dois dias: 30 de janeiro para a área de Biológicas e 31 de janeiro (data do Enem digital) para Humanas e Exatas. A segunda fase será em 28 de fevereiro. Já a Fuvest irá realizar o seu vestibular no dia 10 de janeiro (1ª fase) e 21 e 22 de fevereiro (2ª fase). As duas Universidades consideram ampliar o número de escolas para garantir o distanciamento social, bem como adotar o uso de máscaras durante as provas.

MEDO E ANSIEDADE.

Ainda que as datas dos vestibulares estejam definidas alguns alunos ainda temem mudanças quanto às provas. “Por mais que a gente tenha datas, o cenário, com número de contaminados e mortes crescendo, não me deixa segura de que as provas realmente acontecerão”, diz a estudante Paloma Duarte, de 18 anos, moradora de Osasco e aluna de um cursinho popular.

Paloma, que tenta entrar no curso de História ou de Ciências Sociais há dois anos, diz ainda que a pandemia a deixou mais ansiosa com o futuro. “Tudo está sendo diferente. Tive que adaptar minha casa para conseguir estudar e as incertezas me deixaram mais ansiosa. Além da preocupação com as provas, ainda tenho que pensar se no dia corro o risco de me contaminar ou não.”

Ansiedade também é o sentimento dominante da candidata Letícia de Souza Fazio, 19 anos, moradora de São Caetano, que se prepara para prestar Medicina. A principal preocupação dela é se as datas realmente serão mantidas e, caso seja aprovada, se as Universidades estarão preparadas para receber os novos alunos. “Tenho muitos amigos que entraram este ano e não tiveram aulas. Então, me pergunto se as faculdades estarão preparadas para, praticamente, ter duas novas turmas ao mesmo tempo”, diz. (Gladys Magalhães)