O Zoológico de São Paulo anunciou o nascimento de duas araras-azuis-de-lear (Anodorhynchus leari), espécie ameaçada de extinção, no fim de abril.
A divulgação ocorreu na última quinta-feira (22/5), Dia Internacional da Biodiversidade, destacando o papel da instituição em programas de conservação da fauna brasileira.
Os filhotes passaram pelas primeiras semanas de vida sob cuidados intensivos e monitoramento veterinário. O exame genético que definirá o sexo das aves será realizado após o desenvolvimento completo das penas.
A espécie, endêmica da caatinga baiana, já esteve à beira da extinção nas décadas de 1990, principalmente devido ao tráfico de animais silvestres e à perda de habitat natural. Atualmente, embora apresente sinais de recuperação, ainda depende de ações contínuas de conservação.
Nascimento de espécie ameaçada
Segundo o Zoológico de São Paulo, este é o 23º nascimento da espécie na instituição em 11 anos, resultado de um programa de reprodução considerado referência na América Latina. Desde 2015, o zoológico mantém sucesso reprodutivo com a espécie, uma das mais sensíveis entre as aves ameaçadas.
Os novos filhotes são descendentes do casal Maria Clara e Francisco, responsável por todos os nascimentos da espécie no local. Parte dos animais nascidos no zoológico já foi destinada a programas de reintrodução na natureza, especialmente na região do Boqueirão da Onça, na Bahia.
A bióloga Fernanda Guida, responsável pelo setor de aves e studbook keeper internacional da espécie, destaca que cada nascimento tem impacto direto na conservação global.
“Cada filhote amplia a variabilidade genética da população sob cuidados humanos e fortalece as possibilidades de conservação futura”, afirma.
O programa integra um sistema internacional de manejo genético, que utiliza o studbook, banco de dados que reúne informações sobre linhagens e reprodução em instituições de conservação. A ferramenta orienta cruzamentos e transferências entre zoológicos para evitar consanguinidade.
Envio da espécie ameaçada à Espanha
Como parte dessa estratégia, o zoológico paulista prepara o envio de dois machos para o Loro Parque, na Espanha, com o objetivo de ampliar a diversidade genética da população sob cuidados humanos.
Dados do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Aves Silvestres (CEMAVE) indicam que a população selvagem da espécie vem crescendo gradualmente, passando de 2.273 indivíduos em 2022 para 2.548 em 2024.
Apesar do avanço, especialistas alertam que a arara-azul-de-lear ainda é classificada como “em perigo” pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) e permanece vulnerável devido à distribuição geográfica restrita na caatinga baiana.
O caso é considerado um dos principais exemplos de conservação integrada no Brasil, combinando reprodução em cativeiro, pesquisa científica, cooperação internacional e proteção de habitat natural.



