Penhora de salário por dívida: STJ define novas regras em junho

Julgamento histórico pode liberar desconto em folha para pagar banco

Julgamento no início de junho pode mudar as regras para cobrança de dívidas e liberar o bloqueio parcial de salários. Ilustração/IA/Gazeta de S. Paulo

A Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça (STJ) marcou para o início de junho um julgamento que mexe direto com o bolso de milhares de brasileiros: a penhora salarial. Os ministros vão definir se o salário de quem está inadimplente pode ser retido de forma parcial para quitar pendências financeiras comuns, como cartões de crédito e empréstimos bancários.

O foco do debate está na interpretação do Código de Processo Civil, que historicamente protege a remuneração do trabalhador contra bloqueios judiciais.

A exceção atual vale apenas para pensões alimentícias ou para quem recebe quantias muito elevadas, patamar bem distante da realidade da maior parte da população do País.

Atualmente, enquanto o governo projeta reajustes expressivos e o salário mínimo deve chegar a quase R$ 2 mil, o Judiciário tenta encontrar um equilíbrio.

O grande desafio dos magistrados é autorizar a cobrança dos credores sem sufocar o orçamento básico das famílias, garantindo o que chamam de mínimo existencial para a sobrevivência digna.

Entenda o julgamento do STJ sobre penhora salarial

O mecanismo que os ministros analisam é o chamado recurso repetitivo, cadastrado oficialmente como Tema 1230. Na prática, isso significa que a tese Survival fixada neste processo servirá de regra obrigatória para todas as ações semelhantes que tramitam hoje nas primeiras instâncias e nos tribunais estaduais.

Nos bastidores do tribunal, os votos apresentados até agora mostram uma divisão clara entre os magistrados.

O relator do caso sugeriu um meio-termo, proibindo o bloqueio para quem ganha muito pouco, mas liberando descontos de até 45% nas faixas de rendimento superiores, desde que não existam outros bens.

Por outro lado, uma ala mais rígida da corte defende que mexer na remuneração do trabalhador abre um precedente perigoso para o endividamento.

Eles argumentam que a proteção aos vencimentos é um direito fundamental e que a flexibilização automática pode prejudicar o sustento de quem já está vulnerável.

O impacto da decisão nas finanças e contratos

A expectativa do setor financeiro é grande, pois o resultado deve mudar a forma como os bancos gerenciam a inadimplência no varejo.

Se a flexibilização for aprovada, os juízes de todo o País terão o caminho livre para autorizar penhoras parciais em processos de execução de contratos de consumo.

Essa evolução na jurisprudência do STJ acompanha outras mudanças recentes na corte, que vem redefinindo conceitos de patrimônio e propriedade privada.

Recentemente, em uma postura de pacificação de conflitos, o STJ mudou regras para garantir direito a usucapião de imóveis, mostrando uma tendência de detalhar melhor o que pode ou não ser protegido por lei.

Para o cidadão comum, resta acompanhar o desfecho da sessão na Corte Especial para entender os novos limites da segurança financeira.

Se a tese majoritária seguir a linha da flexibilização, a recomendação de especialistas será redobrar o cuidado com renegociações antes que a cobrança chegue à folha de pagamento.