Africanos em São Paulo: imigração transforma comércio e cultura na Capital

Hoje, a Capital é a casa de 44 mil pessoas nascidas em um dos 55 países da África

O criador do Congolinaria é o advogado e professor de francês, Pitchou Luhata Luambo/Divulgação

A vida cotidiana da cidade de São Paulo segue recebendo uma forte influência da África. Não apenas da pesada memória colonial, mas de uma profunda troca cultural que segue sendo recriada com novos imigrantes. Hoje, a Capital é a casa de 44 mil pessoas nascidas em um dos 55 países do continente do outro lado do Atlântico.

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O centro é onde essa presença é mais visível. A região da Praça da República se firmou como um território de circulação de comunidades africanas. Não precisa se esforçar para perceber as vias com comércios, restaurantes e projetos inovadores comandados por imigrantes daquele continente.

De acordo com informações do Sistema de Registro Nacional Migratório, da Polícia Federal, a partir de tabulações especiais do Observatório das Migrações de São Paulo (Nepo/Unicamp), há 44.441 registros de imigrantes africanos residentes na cidade de São Paulo, no período de 2000 a 2025.

Angola, sozinha, responde por quase metade dos registros (20.493). Em seguida, aparecem Nigéria (5.454), Senegal (3.140) e Marrocos (1.983), além de outros países como Congo, República Democrática do Congo, Guiné-Bissau, Egito, África do Sul e Moçambique.

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Diferentemente de ondas migratórias de crise (como a de afegãos, venezuelanos e haitianos), a imigração africana tem sido progressiva O Crai (Centro de Referência e Atendimento para Imigrantes) da cidade de São Paulo atendeu 52,9 mil pessoas de 2020 a 2025. A maioria foi de angolanos.

“O Brasil é querido no continente africano, e os brasileiros precisam saber cada vez mais que a África está aberta para negócios e trocas culturais”, disse Rui Mucaje, presidente da Afrochamber (Câmara de Comércio Afro-Brasileira ).

Abaixo, conheça locais que recriam a identidade africana na maior cidade brasileira.

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Vegetarianos do Congo

Restaurante vegano, o Congolinaria serve comida típica da República Democrática do Congo, privilegiando ingredientes naturais.

O criador é o advogado e professor de francês, Pitchou Luhata Luambo, que chegou ao Brasil no começo de 2010. O restaurante fica na avenida Alfonso Bovero, no bairro do Sumaré, zona oeste da Capital.

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Beleza africana

O principal polo de beleza e tranças de origem africana em São Paulo é a Galeria Presidente (conhecida como Galeria do Reggae). Localizada na região central, pertinho da Galeria do Rock, o espaço abriga dezenas de salões especializados, com forte presença de profissionais nativos do continente africano.

Mercado nigeriano

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Uma nigeriana montou na Galeria Presidente um mercadinho com produtos de seu país. Entre os destaques estão azeite de dendê, pimentas nigerianas e farinha de semolina para o fufu, uma espécie de pasta que acompanha ensopados.

Vilarejo africano

Bar e restaurante, Le Petit Village é um dos principais pontos de encontro de imigrantes africanos que vivem em São Paulo. O espaço se transforma às noites em um bar animado, com tilápias assadas, banana-da-terra e almôndegas condimentadas. Música e mesas na calçada completam o clima.

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Cursos e mais cursos

O Museu Afro Brasil, no Parque Ibirapuera, mantém a Escola MAB (Escola do Museu Afro Brasil). Os cursos foram organizados em quatro eixos: Artes Visuais e História da Arte, aperfeiçoamento técnico voltados à gestão de acervos, Patrimônio material e imaterial africano e afro-brasileiro e um outro que se debruça sobre pensamento de intelectuais africanos de áreas diferentes.

Moda elegante

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Fundada por um imigrante de Benim, a Kuavi, na Vila Mariana, é focada em moda e cultura africanas. As roupas vão das casuais às mais elegantes, inclusive com peças para noivos, madrinhas, padrinhos e damas de honra.
Os tecidos são importados de países do continente africano, como Benim, Angola e Nigéria.