Zeca Pagodinho: 65 anos de um dos maiores sambistas do Brasil

Além do aniversário neste domingo (4), o cantor também completa 40 anos de muito sucesso na carreira

Cantor Zeca Pagodinho completa 65 anos neste domingo

Cantor Zeca Pagodinho completa 65 anos neste domingo | Reprodução/Instagram

Jessé Gomes da Silva Filho, ou simplesmente Zeca Pagodinho, é um dos maiores sambistas de todos os tempos. Completando 65 anos neste domingo (4), o cantor também celebra 40 anos de muita história na música. Não é preciso muito esforço para dar de encontro com alguém cantarolando algum de seus sucessos pelo caminho, afinal, músicas conhecidas é uma coisa que Zeca tem de sobra.

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Vencedor de quatro Grammys Latinos, o sambista emplacou sucessos como “Deixa a Vida Me Levar”, “Seu Balancê”, “Verdade”, “Vai Vadiar”, “Ser Humano”, “Vacilão”, “Faixa Amarela”, “Caviar”, “Quando A Gira Girou”, entre outros.

Trajetória

Ainda jovem, começou sua carreira nas rodas de samba dos bairros de Irajá e Del Castilho, subúrbio carioca. Antes de se tornar um sucesso no samba, Zeca chegou a ser office-boy e apontador de jogo do bicho. 

Em 1983, após convite de Beth Carvalho, uma das maiores compositoras da música brasileira, o sambista gravou seu primeiro sucesso: “Camarão que dorme a onda leva”, de sua autoria, ao lado de Arlindo Cruz e Beto sem braço. Ao lado de Beth, ele gravou o disco “Suor no Rosto”.

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Em 1986 lançou seu primeiro disco intitulado de “Zeca Pagodinho”, que conteve o hit “Judia de Mim”, que virou música da novela “Hipertensão”, da TV Globo. A obra foi um sucesso absoluto, com mais de um milhão de cópias vendidas e todas as 12 músicas sendo tocadas na rádio. Anos mais tarde, o artista revelou que na época que se tornou um sucesso, chegou a pedir para que seu produtor deixasse ele “voltar a ter paz” e retornasse para a vida de anotador do jogo do bicho.

Carioca renomado, Zeca morou em diversas partes do Rio de Janeiro, mas a mais exaltada por ele em entrevistas é Xerém, bairro em Duque de Caxias. Não à toa, o músico ganhou uma estátua no local, na Baixada Fluminense, em setembro de 2023, sendo um dos poucos músicos a receberem tal honraria ainda em vida. Na ocasião, Zeca tornou a enaltecer o bairro: “A vida aqui é ótima. Xerém é um luxo. Moradores bacanas, gente boa. Aqui é um luxo. As pessoas sentam na calçada e conversam”, disse.

Extremamente religioso, ele se define como espírita, além de afirmar que cresceu requentando terreiros de Umbanda. O cantor tem uma tatuagem de “São Cosme e Damião” e afirmou também ser devoto de São Jorge, santo católico sincretizado com Ogum, na Umbanda, realizando festas anuais em sua residência em homenagem ao orixá.

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Entre as diversas premiações recebidas ao longo de sua carreira, Zeca venceu quatro vezes o prêmio de Melhor Álbum de Samba/Pagode do Grammy Latino: em 2000 com o álbum “Ao Vivo”, 2001 com “Água da Minha Sede”, 2002 com “Deixa a Vida Me Levar” e 2007 com “Acústico MTV 2 – Gafieira”.

Origem do apelido

Quando jovem, um primo e um vizinho de Zeca criaram a Ala do Pagodinho, do Bloco Boêmios do Irajá. Sua tia, costureira do Bloco, fazia fantasias para Zeca com as sobras dos panos para que pudesse desfilar com o seu primo. Na época, o cantor morava em Del Castilho e, quando ia até Irajá para pular Carnaval, consideravam o jovem como integrante da turma do Pagodinho.

Cláudio Camunguelo, um dos primeiros parceiros de Zeca, por sua vez, estava em busca de um apelido para o amigo, até  que um dia teria ouvido um rapaz de Del Castilho chamar Zeca de Pagodinho. Dessa forma, o sambista passou a assinar as músicas que compunham juntos pelo novo nome, que surgiu entre os frequentadores do Cacique e permanece até hoje.

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Responsável pela gíria “talarico”

No ano de 1992, foi lançada uma música de Zeca Pagodinho com o título “Talarico, Ladrão de Mulher”. A letra dizia o seguinte: “Eu não falo mais com Talarico. Talarico roubou minha mulher”. Em uma entrevista anos atrás, Zeca explicou a criação que partiu dele e do compositor carioca Serginho Procópio: “Na época, eu assistia ao programa do Agildo [Ribeiro] e tinha um personagem com esse nome”, contou.

Segundo o cantor, a história de “um amigo roubar a mulher do outro” aconteceu com um colega seu. “Então, colocamos o nome do ‘traidor’ de Talarico. Eu escrevi a primeira parte e dei para o Serginho fazer a segunda”, completou.

Com o sucesso da canção, o nome “talarico” virou sinônimo de alguém que “fica com a mulher dos outros”. A expressão então se expandiu e ganhou derivações como “talarica” (no feminino) e “talaricagem”.

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Celebração dos 65 anos

O cantor Zeca Pagodinho vai celebrar seus 40 anos de carreira e 65 anos de vida com uma turnê e a gravação de um DVD neste domingo (4), no Estádio Nilton Santos, no Rio de Janeiro.

O show, marcado em pleno aniversário do sambista, 4 de fevereiro, contará com a presença de artistas como Alcione, Seu Jorge, Jorge Aragão, Xande de Pilares, Iza, Diogo Nogueira, Djonga e Marcelo D2. A abertura do evento será com uma roda de samba comandada por Pretinho da Serrinha.