A compra da Avibras pelos irmãos Batista encerra um longo período de incertezas para o polo tecnológico do Vale do Paraíba. Fundada em 1961 por engenheiros formados pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), a empresa de Jacareí (SP) enfrentou desde 2022 um processo de recuperação judicial motivado por dívidas calculadas em R$ 600 milhões. A retomada das operações em maio de 2026 sob o nome Avibras Aeroco permitiu o retorno de centenas de metalúrgicos e o reaquecimento da produção militar e civil na região.
Com a manutenção de serviços para o governo do Brasil e as forças armadas, a empresa pleiteada pelos irmãos Joesley e Wesley Batista investiu em sistemas de artilharia, mísseis, foguetes e equipamentos de defesa antiaérea. Também possui atuação no setor espacial, com motores-foguete, sistemas de propulsão e veículos suborbitais.
A volta aos trilhos e o apoio governamental
A paralisação das atividades gerou uma greve histórica de 1.280 dias, encerrada após o plano de reestruturação fabril que reativou a planta com 480 funcionários. O avanço da venda contou com um cenário institucional favorável: a portaria do Ministério da Defesa credenciou a companhia como Empresa Estratégica de Defesa, enquanto o Palácio do Planalto sinalizou o aumento na aquisição de equipamentos militares pela União.
A aquisição ocorre poucos meses depois de Joesley participar de um aporte de R$ 300 milhões na companhia. A Avibras já foi quase comprada por uma empresa australiana DefendTex, mas o Ministério da Defesa credenciou a Avibras Aeroco como Empresa Estratégica de Defesa (EED). E o negócio acabou não acontecendo.
A empresa chinesa Norinco, estatal do setor de defesa, também esteve em negociação para a compra da Avibras.
Tecnologia bélica e o motor espacial S50
As instalações paulistas abrigam projetos que garantem a soberania nacional em diferentes frentes de defesa e pesquisa:
- Artilharia Pesada ASTROS: lançadores de foguetes integrados à Artilharia do Exército Brasileiro, aptos a atingir alvos a 300 km.
- Projeto MTC: Míssil Tático de Cruzeiro com guiamento inteligente para alvos de alta relevância estratégica.
- Escudo Antiaéreo e Foguetes: módulos do sistema FILA e foguetes da linha Skyfire para uso em helicópteros e caças.
- Setor Espacial: produção de eletrônica embarcada, veículos suborbitais e do motor-foguete S50 para os lançadores civis de satélites do País.








