O Distrito Federal registrou o menor percentual de trabalhadores na escala 6×1 em todo o Brasil. De acordo com um estudo inédito do Ministério do Trabalho e Emprego com base no eSocial, apenas 23,2% dos assalariados com carteira assinada na capital atuam nesse regime.
O índice fica bem abaixo da média nacional, que atinge 33,2% dos empregos formais do país.
A explicação para a região ter a menor taxa está no seu próprio modelo econômico. A maior parte das vagas se concentra no setor público e em escritórios administrativos.
Atualmente, a capital federal soma mais de 635 mil pessoas inseridas na jornada de 5×2, o formato tradicional com dois dias de descanso.
Enquanto a capital federal respira esse ritmo, grandes capitais e estados vizinhos mostram o peso do setor privado tradicional.
Em São Paulo, por exemplo, o volume absoluto concentra o maior contingente do país, com 4,28 milhões de pessoas sob o regime de seis dias.
Já no Rio de Janeiro e em Belo Horizonte, o comércio de rua mantém taxas de 6×1 próximas a 35%, enquanto o estado de Goiás registra a maior taxa proporcional do país, com 43% dos trabalhadores nessa rotina.
O impacto social e a desigualdade local
A menor presença da jornada de seis dias impacta diretamente a qualidade de vida e o consumo local. Trabalhadores que folgam o final de semana inteiro movimentam o comércio nos dias de descanso.
Por outro lado, essa realidade de estabilidade e salários mais altos esconde um forte contraste social.
A disparidade entre as regiões administrativas aponta um abismo socioeconômico gritante em uma região que concentra renda recorde convivendo lado a lado.
Ainda assim, a rotina com mais tempo livre coloca a capital em destaque nos indicadores de saúde e satisfação.
Esse equilíbrio fez com que uma pesquisa recente sobre as condições de vida nos estados mostrasse que a população local lidera em índices de felicidade gerais, muito impulsionada pelas folgas garantidas.
A votação da escala 6×1 no Congresso
Esse cenário ganhou força com o avanço da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim desse modelo de escala no país.
O texto-base foi aprovado na Câmara dos Deputados em dois turnos, registrando 461 votos favoráveis na última etapa.
A proposta agora seguiu os ritos oficiais e vai para votação no Senado Federal, onde deve passar por novas comissões temáticas.
O projeto aprovado determina a redução da jornada máxima semanal de 44 para 40 horas sem perda salarial.
Caso passe pelos senadores, a mudança ocorrerá de forma gradual em até 14 meses.
No Distrito Federal, a estimativa do governo é que o fim definitivo da escala mude diretamente a rotina de 192 mil profissionais que ainda dependem do regime de seis dias.








