Goiás entra na corrida global das terras raras e pode gerar 12 mil empregos

Exploração de minerais estratégicos deve impulsionar economia e gerar milhares de empregos qualificados no estado

Terras raras são consideradas essenciais para a transição energética mundial

Terras raras são consideradas essenciais para a transição energética mundial | Reprodução/YouTube

A exploração de terras raras em Goiás desponta como uma das maiores oportunidades econômicas do estado nas próximas décadas, com potencial para gerar mais de 12 mil empregos diretos entre cinco e dez anos.

Esses minerais estratégicos, encontrados principalmente em depósitos como o de Minaçu, colocam Goiás em posição de destaque fora da Ásia na produção comercial de elementos essenciais para tecnologias modernas, como neodímio, praseodímio, disprósio e térbio.

Essas substâncias são fundamentais para a fabricação de motores elétricos, turbinas eólicas, baterias e diversos equipamentos eletrônicos.

Com investimentos internacionais e tecnologia desenvolvida no próprio Brasil, o estado começa a atrair grandes mineradoras e projetos industriais que prometem impulsionar uma nova cadeia produtiva ligada à transição energética e à indústria de alta tecnologia.

Depósitos de terras raras colocam Goiás no mapa global

A cidade de Minaçu, no norte de Goiás, abriga um dos depósitos mais importantes de terras raras do País. A região possui um tipo de argila iônica raro, com concentrações relevantes de elementos leves e pesados, o que permite a produção em escala comercial de minerais magnéticos essenciais para a indústria tecnológica global.

Esse diferencial geológico coloca Goiás em uma posição estratégica no mercado internacional, já que a maior parte da produção mundial desses minerais está concentrada na Ásia.

Com a crescente demanda por tecnologias limpas e equipamentos eletrônicos avançados, países e empresas buscam novas fontes de fornecimento fora desse eixo.

Além de Minaçu, outros projetos também avançam no estado, como o Projeto Carina, em Nova Roma, que prevê exploração com métodos mais sustentáveis e controle ambiental rigoroso.

A proposta inclui processos sem explosivos e sem barragens de rejeitos, com reutilização de água e manejo controlado da vegetação.

Expansão da mineração pode gerar milhares de empregos

A expectativa é que o crescimento do setor de terras raras gere até 12 mil empregos diretos ao longo da próxima década.

Com duas grandes mineradoras operando em plena capacidade, cada empreendimento pode criar entre 5 mil e 6 mil vagas, envolvendo desde especialistas altamente qualificados até trabalhadores da operação diária das minas.

Atualmente, uma das empresas que atua no estado já emprega mais de 2 mil pessoas, e a tendência é de crescimento à medida que os projetos avançam.

Além das vagas diretas, o setor também impulsiona empregos indiretos em áreas como transporte, comércio exterior, manutenção industrial e serviços especializados.

movimento também estimula o desenvolvimento econômico das cidades próximas aos projetos minerários, ampliando a demanda por infraestrutura, comércio local e capacitação profissional.

Profissões técnicas e especializadas ganham espaço

A cadeia produtiva das terras raras envolve diversas áreas do conhecimento e exige profissionais com formação técnica e científica.

Geólogos e geofísicos atuam na identificação e análise dos depósitos minerais, enquanto engenheiros de minas e técnicos em mineração coordenam as operações de extração.

Já os engenheiros ambientais garantem que as atividades cumpram as normas de sustentabilidade e licenciamento ambiental.

No processamento químico, especialistas em hidrometalurgia são responsáveis por separar e purificar os elementos que compõem as terras raras, um processo complexo devido às semelhanças químicas entre os minerais.

Além disso, operadores de equipamentos pesados, técnicos industriais e gestores logísticos também desempenham papéis essenciais para garantir a eficiência e a segurança das operações.

Investimentos internacionais fortalecem o setor em Goiás

O avanço da mineração de terras raras em Goiás também chama a atenção de investidores estrangeiros. Apenas dos Estados Unidos, cerca de US$ 465 milhões foram destinados à expansão de projetos em Minaçu e ao desenvolvimento de novas áreas de exploração no estado.

Além disso, há negociações com países como Japão e Índia para parcerias voltadas à produção de baterias e motores elétricos.

Empresas instaladas em Goiás, incluindo fabricantes de veículos e equipamentos industriais, já começam a utilizar esses minerais em suas cadeias produtivas.

Com isso, o estado pode se consolidar como um importante polo global na produção de matérias-primas estratégicas para a economia do futuro.

A combinação de reservas minerais, tecnologia nacional e investimentos internacionais coloca Goiás em uma posição privilegiada na corrida mundial por recursos essenciais para a transição energética.