IBGE: autônomo trabalha mais que CLT e bate 45 horas semanais

Pnad Contínua do IBGE, do primeiro trimestre de 2026, aponta que trabalho por conta própria supera o tempo de quem é contratado

Sem rede de proteção e sem folga garantida, trabalhador individual assume a jornada mais exaustiva do mercado nacional.

Sem rede de proteção e sem folga garantida, trabalhador individual assume a jornada mais exaustiva do mercado nacional. | Fernando Frazão/Agência Brasil

A rotina de quem não tem patrão é marcada por uma carga horária que ultrapassa a dos funcionários contratados.

Dados da Pnad Contínua do IBGE, do primeiro trimestre de 2026, mostram que os trabalhadores por conta própria atingiram média de 45 horas semanais. O número é superior aos ocupados com carteira assinada e aos servidores públicos.

Enquanto o trabalhador formal está sujeito ao limite de 44 horas semanais previsto na Constituição, o autônomo estica o dia para garantir o faturamento.

Sem uma equipe para dividir as funções, o profissional assume todas as etapas do negócio, o que ajuda a entender esse cenário de trabalho precário que hoje atinge milhões de brasileiros.

Sudeste e Norte concentram maiores jornadas

O peso do trabalho por conta própria varia conforme a região. No Sudeste e no Norte, o ritmo é mais acelerado, com jornadas que superam as 46 horas em áreas de comércio e serviços.

No total, o Brasil já soma 25,9 milhões de pessoas nessa categoria, representando 25,5% de quem está exercendo alguma atividade econômica.

Diferente dos empregadores, que trabalham em média 37,6 horas por terem a possibilidade de delegar tarefas, o trabalhador individual depende exclusivamente da própria disponibilidade.

Esse esforço contínuo é uma resposta direta à necessidade de manter o fluxo de caixa sem contar com salários fixos ou benefícios.

O impacto da falta de controle trabalhista

A ausência de mecanismos de controle de ponto e o não pagamento de horas extras tornam a jornada do autônomo mais elástica.

Muitas vezes, essa flexibilidade acaba resultando em um modelo de pejotização que é alvo de fiscalização, já que a falta de limites claros pode mascarar situações de excesso de trabalho.

O levantamento do IBGE reforça que o grupo entre 35 e 49 anos é o mais atingido por essa rotina exaustiva.

Sem a proteção das leis que regem o tempo de descanso dos empregados, o profissional por conta própria termina o primeiro trimestre de 2026 como o perfil que mais dedica horas semanais ao mercado para sustentar o próprio empreendimento.