Novas regras do VA e VR em 2026: veja o que muda no seu cartão

Decreto altera prazos de pagamento e obriga aceitação de todas bandeiras em setoir que movimenta R$ 150 bilhões

Cronograma de 2026 prevê que o trabalhador tenha liberdade para usar o seu Vale-Refeição em qualquer estabelecimento, pondo fim à restrição por operadora

Cronograma de 2026 prevê que o trabalhador tenha liberdade para usar o seu Vale-Refeição em qualquer estabelecimento, pondo fim à restrição por operadora | Vitor Vasconcelos/Secom

O mercado de benefícios, que movimenta R$ 150 bilhões anuais, segundo a Associação Brasileira das Empresas de Benefícios ao Trabalhador (ABBT), vive um impasse. O Decreto nº 12.712/2025 altera o funcionamento do Vale-Alimentação (VA) e Vale-Refeição (VR) em 2026.

No centro do embate está a interoperabilidade, que obriga qualquer maquininha a aceitar qualquer cartão. O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) defende a abertura do sistema, enquanto o setor alega que a complexidade técnica pode gerar instabilidade nos contratos atuais.

O fim das taxas abusivas 

Para o setor de alimentação, o novo cenário traz alívio financeiro imediato. O governo fixou o teto da taxa de desconto (MDR) em 3,6% e reduziu o prazo de repasse para 15 dias, conforme os dados técnicos apresentados pelo MTE.

As empresas que oferecem o benefício mantêm as isenções do Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), mas sob vigilância rigorosa. É estratégica a redução dos encargos e a agilidade nos pagamentos para corrigir distorções que, historicamente, acabavam encarecendo o preço final das refeições.

Liberdade para o trabalhador 

A mudança atinge 22 milhões de brasileiros, que agora ganham a chamada quebra da  “bandeira única”. Até novembro de 2026, operadoras com mais de 500 mil usuários devem abrir seus sistemas, permitindo que o cartão seja aceito em qualquer rede conveniada.

O MTE também proibiu o uso do saldo para finalidades alheias à nutrição, como o pagamento de academias ou streamings. Analisar as novas diretrizes de uso e fiscalização reforça que o foco é a segurança alimentar, especialmente para quem ganha até cinco salários mínimos. 

A queda de braço na Justiça 

A resistência das empresas chegou aos tribunais no início deste ano. A Advocacia-Geral da União (AGU) obteve vitórias importantes ao derrubar liminares de gigantes como Alelo e Ticket, que tentavam suspender as normas. Agora, as operadoras buscam soluções administrativas para a transição.

De acordo com o cronograma publicado no Diário Oficial, o cumprimento das novas regras é requisito para a continuidade das operações. Contratos que não apresentarem conformidade com as diretrizes de taxas e portabilidade estarão impedidos de renovação pelas empresas contratantes.