PL de motoristas de app: Entenda a ‘Terceira Via’ que promete direitos sem CLT 

Projeto que impacta o futuro de motoristas de aplicativos como Uber e iFood vive dilema e poder executivo entra no jogo

Projeto de Lei Complementar (PLP) 152/2025 tem como objetivo central a ideia de garantir direitos básicos ao trabalhador sem transformá-lo em funcionário CLT

Projeto de Lei Complementar (PLP) 152/2025 tem como objetivo central a ideia de garantir direitos básicos ao trabalhador sem transformá-lo em funcionário CLT | Thiago Neme/Gazeta de S.paulo

O Projeto de Lei Complementar (PLP) 152/2025 tem como objetivo central a criação de uma “terceira via”. A ideia é garantir direitos básicos ao trabalhador sem transformá-lo em funcionário CLT.

No entanto, a proposta vem sofrendo duras críticas da Amobitec (Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia), entidade que representa gigantes como Uber e iFood.

Tema Como é hoje Como pode ficar (PLP 152/2025) 
Vínculo Autônomo total (sem direitos) Trabalhador autônomo plataformizado
Ganhos Definido pelo sistema (sem mínimo) Piso definido por corrida curta
INSS Opcional Obrigatório (desconto direto no app)
Taxa do app Sem limite (chega a 50%) Máximo de 30%
Segurança Por conta do motorista Seguro obrigatório pago pela empresa

Entrave financeiro: piso mínimo e custos 

O principal ponto de conflito mexe diretamente no bolso. O texto do PL prevê que os trabalhadores de aplicativos passem a ter um piso mínimo por hora trabalhada — atualmente, quem determina o valor é a própria plataforma.

Em nota, a Amobitec afirma que “o texto altera a natureza econômica das plataformas, impõe controle de preços e eleva o custo das entregas de mercadorias e do transporte de passageiros”.

Outro pilar da proposta é a Previdência Obrigatória: os trabalhadores seriam enquadrados como “Contribuintes Individuais”, pagando uma alíquota sobre os ganhos para garantir acesso à aposentadoria, auxílio-doença e salário-maternidade. 

Executivo entra no jogo: a articulação de Boulos e Marinho 

Um fator que pode acelerar a tramitação na Câmara dos Deputados é o empenho direto do Palácio do Planalto. O presidente Lula atribuiu a tarefa de articulação ao ministro Guilherme Boulos (Secretaria-Geral da Presidência). 

Boulos e o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, pretendem se reunir ainda em fevereiro com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), para alinhar o conteúdo da proposta e tentar reduzir as resistências entre os parlamentares e as empresas do setor.