O transporte público gratuito deixou de ser uma promessa teórica e tornou-se uma realidade crescente no Brasil. Até outubro de 2025, o país contabilizava 170 municípios com algum formato de Tarifa Zero, sendo 132 com gratuidade total (127 destes com modelo universal), segundo a Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU).
A expansão foi acelerada nos últimos anos, com 75% dessas cidades implantando o sistema após 2020. O perfil é claro: 80% desses municípios possuem menos de 100 mil habitantes, alcançando, juntos, um contingente de 6,4 milhões de pessoas beneficiadas.
Como as prefeituras bancam o transporte gratuito?
A sustentabilidade financeira dessa política depende majoritariamente de recursos próprios do orçamento municipal. Em média, as prefeituras investem de 1% a 3% de suas receitas anuais, utilizando também fundos de transporte ou royalties.
O custo coletivo para os 170 municípios gira entre R$1 e R$2 bilhões anuais. Exemplos práticos variam de R$4,3 milhões em Formosa (GO) até R$87,6 milhões em Maricá (RJ), demonstrando que o modelo é adaptável ao tamanho de cada localidade.
Como as capitais testam o modelo
Enquanto cidades menores avançam, capitais optam por modelos de tarifa zero parcial para mitigar custos. Belo Horizonte (MG) atende vilas e favelas, enquanto Curitiba (PR) focou em desempregados, com Brasília (DF), Belém (PA) e Cuiabá (MT) focando em domingos. São Paulo (SP) também tem tarifa zero nos ônibus aos domingos.
Florianópolis (SC) e Maceió (AL) também integram o grupo, oferecendo a gratuidade em domingos específicos. Essas estratégias funcionam como termômetros, permitindo que metrópoles testem a viabilidade sem comprometer todo o orçamento municipal de imediato.
Proposta nacional
Para levar a gratuidade a grandes centros, o debate migrou para o Legislativo Federal. O projeto é liderado pelo deputado federal Jilmar Tatto (PT-SP), ex-secretário municipal de Transportes de São Paulo, conhecido por sua longa trajetória em políticas públicas de mobilidade urbana; a medida foi aprovada em comissão inicial no Congresso em fevereiro de 2026.
A proposta de Tatto é reformular o vale-transporte: extingue-se o desconto de 6% do trabalhador e cria-se uma contribuição das empresas entre R$ 100 e R$ 200 por funcionário. Isso geraria um fundo nacional de R$ 100 bilhões para custear o “SUS do Transporte”.
O que esperar dessa mudança na sua cidade?
A viabilidade desse fundo nacional ainda enfrenta debates jurídicos e políticos intensos, mas a proposta atrai atenção por buscar uma solução sistêmica. Especialistas de universidades como UnB, UFMG e USP apontam que o modelo é exequível, desde que bem estruturado.
Agora, o horizonte aponta para uma transformação profunda na forma como nos deslocamos. Diante desse cenário, será que o modelo funcionaria na sua realidade local? O debate sobre mobilidade está apenas começando e promete ser decisivo para as cidades brasileiras.





