Possuir Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) pode fazer o rendimento do trabalhador ser quase 3 vezes maior do que no mercado informal. Pesquisa recente do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) mostra que a renda média mensal do empreendedor formalizado chegou a R$ 6.688 no primeiro trimestre deste ano, contra R$ 2.253 de quem atua sem registro.
O abismo nos ganhos acende alerta no dia a dia da Grande São Paulo e de todo o estado, onde o setor de serviços e o pequeno comércio movimentam a economia de milhões de famílias.
A formalização funciona como uma virada de chave para o pequeno negócio ao permitir a emissão de notas fiscais, a assinatura de contratos com grandes empresas e o acesso facilitado a financiamentos bancários com taxas de juros reduzidas.
Maioria dos informais fica sem aposentadoria e benefícios do INSS
Além do ganho financeiro imediato, a diferença entre os dois mundos fica escancarada na proteção social. O estudo do Sebrae mostra que 78% dos empreendedores com CNPJ mantêm as contribuições para o INSS em dia.
Em contrapartida, entre os informais, o índice despenca para 19,5%, o que deixa mais de 80% desse contingente sem qualquer direito a benefícios essenciais como aposentadoria, auxílio-doença, salário-maternidade ou pensão por morte para os dependentes.
Apesar de todas as vantagens econômicas e de segurança jurídica, a informalidade ainda domina o mercado de trabalho brasileiro. No primeiro trimestre deste ano, o país contabilizou 30,2 milhões de donos de negócios, dos quais 19,4 milhões operavam sem registro formal, o que representa 65% de todo o universo empreendedor.
Esse contingente informal enfrenta barreiras constantes para expandir suas atividades. Sem um CNPJ ativo, o trabalhador não consegue participar de licitações públicas,perde a oportunidade de fornecer para médias e grandes empresas que exigem comprovação fiscal e fica refém de linhas de crédito pessoal com juros abusivos.
Setor de serviços: ramo que lidera a informalidade
A análise histórica de cinco anos feita pela pesquisa também expõe o impacto do custo de vida no bolso do trabalhador. Entre oinício de 2021 e o mesmo período de 2026, o rendimento médio dos formalizados subiu 28,9%, enquanto o dos informais avançou 20,7%.
No entanto, a inflação acumulada de cerca de 35% no intervalo superou os dois reajustes, resultando em perda real do poder de compra tanto para quem tem CNPJ quanto paraquem continua sem registro.
O setor de serviços é o grande motor da informalidade no país, concentrando 42,2% de todos os empreendedores sem registro formal. Na sequência aparecem a agropecuária, com 17,2%, o comércio e a construção civil, empatados com 16%, e a indústria, responsável por 8,5% dos negócios informais.
O presidente nacional do Sebrae, Décio Lima, destaca que incentivar o registro formal é o único caminho para fortalecer a economia das grandes cidades e proteger o trabalhador. Segundo o dirigente:
“O empreendedorismo não floresce sozinho. Em qualquer lugar bem-sucedido do mundo, é o Estado de bem-estar social que atua como o principal indutor do mercado. Formalizar é proteger o negócio e incluir pessoas na economia”, destacou o executivo.





