Por: Juliana Ribeiro
Está chegando a hora de milhares de pessoas em todo o planeta voltarem a vibrar com times de diversas nações disputando a taça mais valiosa do mundo esportivo.
Junto a isto, os álbuns de figurinhas multiplicam-se nas mãos de crianças e adultos, com o clima de diversão e nostalgia no ar! E agora, temos a chance de viver esta época de uma nova forma, ganhando mais repertório cultural e histórias para contar.
Trata-se do Álbum de Figurinhas da Literatura Brasileira, criado pelo doutor em Literatura e professor Alencar Schueroff, de Florianópolis.
O educador, que há quase 30 anos dedica-se ao ensino da área e sobretudo à formação de professores, compartilha ativamente a força deste projeto em cursos, palestras, no seu perfil do Instagram (@alencarschueroff) e em seu canal no YouTube, o Literatura com Alencar.
Fazendo um retrospecto de mercado, a iniciativa de gerar interesse literário no grande público com a edição de um álbum colecionável surgiu pela primeira vez na Livraria da Vila, em 2018.
Chamado Seleção de Autores, reuniu escritores de várias nacionalidades e era vendido em suas lojas juntamente com suas figurinhas adesivas; porém, sua produção foi descontinuada.
Já a proposta do álbum do professor Alencar diferencia-se em três aspectos: coloca nossa literatura em foco, retratando apenas autores brasileiros, adota a estrutura futebolística como mote e é comercializado e entregue ao cliente através de um arquivo digital que pode ser impresso em qualquer gráfica, até mesmo em casa ou na escola. E as figurinhas já fazem parte. Tudo com instruções para facilitar a experiência.
Segundo Alencar, este formato permitiu-lhe reduzir o preço do álbum (R$ 47) e realizar uma entrega rápida.
De fato, não depender de postos de vendas físicos é um grande facilitador e resolve alguns entraves de acesso e distribuição de um produto.
Vamos agora conhecer um pouco mais das páginas deste álbum, tão interessante quanto útil para o reforço intelectual e para estimular jovens e adultos a conhecerem nossa literatura:
Quando você teve a ideia de criar o Álbum de Figurinhas da Literatura Brasileira?
O álbum foi idealizado há 4 anos, quando fiz um post no Instagram justamente comparando nossas escolas literárias a times de futebol, para despertar o interesse das pessoas por um outro olhar, dessacralizando este tema e trazendo grandes autores para o cotidiano do leitor. Se o Romantismo fosse um time de futebol, quem seriam seus jogadores?
Assim trouxemos Gonçalves Dias, Castro Alves e outros poetas para outro contexto, e a brincadeira agradou tanto que a partir disto nasceu a vontade de ampliar esta ideia.
Como foi feita a seleção dos autores?
Reunimos grandes nomes clássicos, autoras que não foram lembradas por muito tempo pela história, até autores contemporâneos.
O álbum traz escritores do Quinhentismo, Barroco, Arcadismo, Romantismo, a época Realista (que comporta em si o Naturalismo, o Parnasianismo e o Realismo), o Simbolismo, o Pré-Modernismo, o Modernismo e a Contemporaneidade.
Para registrá-los devidamente, fizemos um garimpo de fotos no ambiente virtual, sempre trazendo a data de nascimento e morte de cada autor.
Quais são os outros diferenciais do álbum?
Configuramos os movimentos literários como seleções, com informações básicas sobre o seu estilo, a data de começo e fim de sua vigência.
Como a escalação dos autores já torna-os integrantes do time, acrescentamos a imagem de uma obra de arte da época correspondente, como se fosse sua bandeira, trazendo assim uma identidade visual para aquele período da história da literatura e agregando mais uma forma de expressão de artística!
Como você tem sentido a repercussão e aceitação do álbum de figurinhas?
Estamos despertando um outro lado de torcida do brasileiro, voltado para nossa cultura. Estou muito feliz em receber o contato de tantas pessoas tão interessadas, empolgadas, e dizendo que este sim é o álbum que elas querem ter!
Quando uma seleção é vitoriosa, seus jogadores são considerados heróis nacionais. Nossos autores podem ser nossos novos heróis?
Eu sempre os considerei assim, pois a literatura brasileira já é de altíssimo nível há muito tempo.
Desde o século XVII o autor Gregório de Matos já era genial, já tinha toda brasilidade, um conhecimento artístico e poético admirável.
Sendo a Literatura a manifestação artística mais consolidada no Brasil, quando as pessoas aderem a este conteúdo de forma tão espontânea, isso passa um pouco por este lado sim, é um registro de que estes são os heróis que gostaríamos de ter.
Heróis mais humanos, que podem nos ensinar o que é ser brasileiro?
Nossos grandes escritores, como Machado de Assis (que, aliás, não deve nada a Sheakespeare ou Dostoiévski), são heróis humanos porque trocam os mitos perfeitos por um espelho real da nossa identidade, retratando o homem comum com suas dores, contradições e resiliência.
Ao exporem nossas complexidades e fraturas sociais através de uma ironia refinada, eles não nos dão respostas prontas, mas nos ensinam o que é ser brasileiro ao nos forçarem a encarar quem realmente somos.
Você pensou estrategicamente para lançá-lo em conjunto com a Copa do Mundo para chamar a atenção para a Literatura?
Acertamos o timing para aproveitar a temática dos jogos em prol da nossa cultura, nossa arte e valorização de nosso time de autores tão seleto. Antigamente, ser artista não era um grande status, já foi visto de forma pejorativa em décadas e séculos atrás.
Valorizar a coragem, inciativa, a sensibilidade e perseverança destes autores é um dos objetivo deste álbum, nosso grande time de artistas da palavra.




