Criado em 1936, este personagem mudou para sempre os quadrinhos

Criado nos jornais dos anos 1930, o personagem estabeleceu elementos que moldaram o conceito moderno de super-herói

O Fantasma foi criado em 1936 e se tornou o primeiro herói mascarado e uniformizado dos quadrinhos

O Fantasma foi criado em 1936 e se tornou o primeiro herói mascarado e uniformizado dos quadrinhos | Reprodução/YouTube: Canal Pipoca Nanquim

Muito antes de Superman, Batman ou Capitão América, um personagem mascarado já caminhava pelas páginas dos jornais e ajudava a moldar o conceito de super-herói moderno.

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Criado em 1936, O Fantasma é considerado o primeiro herói mascarado e uniformizado da história dos quadrinhos, abrindo caminho para gerações inteiras de personagens que viriam depois.

Conhecido como “O Espírito que Anda”, o personagem se destacou por elementos inéditos à época, como o traje colante, a máscara sem pupilas aparentes e um forte código moral. Essas características se tornariam padrão nos quadrinhos de super-heróis ao longo do século 20.

Origem e criação de um ícone dos quadrinhos

O Fantasma foi criado por Lee Falk em 17 de fevereiro de 1936 para tiras diárias de jornal, com desenhos iniciais de Ray Moore, responsável por definir o visual icônico do personagem. As tiras coloridas dominicais começaram a ser publicadas em 1939, ampliando ainda mais seu alcance.

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A narrativa gira em torno de uma linhagem hereditária: quando um Fantasma morre, seu filho assume o manto. Esse recurso narrativo criou a ilusão de imortalidade, fazendo com que inimigos acreditassem estar enfrentando o mesmo homem há séculos.

O Fantasma atua na fictícia Bangalla, na África, a partir da lendária Caverna do Crânio, defendendo um código moral conhecido como Lei da Selva. Diferente de outros heróis, ele não possui superpoderes, contando apenas com treinamento físico, inteligência, aliados fiéis e sua reputação quase mística.

Traje, símbolos e identidade visual

O visual do Fantasma se tornou uma referência definitiva. O uniforme roxo colante, a máscara preta sem pupilas visíveis, as pistolas calibre .45 e os anéis de caveira são marcas registradas do personagem. Um dos anéis é usado para marcar inimigos, enquanto o outro simboliza confiança e aliança.

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Curiosamente, a cor do traje variou ao redor do mundo. Em alguns países europeus, como Suécia e Finlândia, ele apareceu em azul. No Brasil e na Itália, foi publicado em vermelho por décadas, devido a limitações técnicas de impressão. Apenas a partir dos anos 1980 o roxo se consolidou como cor oficial também no mercado brasileiro.

O sucesso impressionante no Brasil

O Fantasma chegou ao Brasil ainda em 1936, publicado na Gazetinha, e rapidamente se tornou um fenômeno editorial. Revistas como Globo Juvenil e Gibi impulsionaram sua popularidade, enquanto álbuns de luxo lançados pelos Correios, nos anos 1940, consolidaram seu prestígio.

A RGE lançou a revista solo do personagem em 1953, mantendo a publicação por mais de três décadas, com 371 edições até 1986. Em determinados períodos, especialmente entre as décadas de 1950 e 1970, o personagem chegou a superar Batman em vendas no mercado brasileiro, um feito raro na história dos quadrinhos.

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Artistas nacionais também deixaram sua marca, produzindo histórias originais que ampliaram o universo do personagem no País.

Legado e influência duradoura

Considerado uma figura de transição entre os heróis pulp e os super-heróis modernos, O Fantasma influenciou diretamente personagens como Batman e Capitão América, especialmente no uso do traje, da identidade secreta e do juramento moral.

Sua trajetória inclui adaptações para o cinema e a televisão, como o seriado de 1943, o filme estrelado por Billy Zane em 1996, animações e novas publicações por editoras como Dynamite e Mythos. Até hoje, suas tiras continuam sendo publicadas em jornais ao redor do mundo, com forte presença em países como Austrália e Suécia.

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Mesmo após quase nove décadas, O Fantasma segue como um dos personagens mais longevos e influentes da história dos quadrinhos, provando que algumas lendas realmente resistem ao tempo.