O palco estava montado, as datas marcadas e os artistas que abririam os shows já faziam parte da programação da turnê de Ed Sheeran. Mas então, em poucos dias, uma peça saiu do lugar, e outras começaram a cair.
A Loop Tour, de Ed Sheeran, entrou em uma crise depois que o rapper Macklemore foi retirado da programação dos shows restantes nos Estados Unidos. A decisão veio após manifestações públicas do artista em apoio aos palestinos e provocou a saída de outros nomes ligados à turnê.
Tudo começou no palco
A história ganhou força em 4 de setembro, durante um show no Metlife Stadium, em Nova Jersey.
Macklemore, que fazia parte da programação da turnê, aproveitou sua apresentação para falar sobre a guerra entre Israel e Hamas e manifestar apoio aos palestinos. No palco, também apresentou “Hind’s Hall’, a música lançada em 2024 em apoio à causa palestina.
No dia seguinte, o rapper voltou ao assunto durante outra apresentação. Ele afirmou defender a paz, amor e igualdade e argumentou que críticas ao governo de Israel e ao sionismo não deveriam ser confundidas com ódio contra judeus.
A manifestação provocou reações de grupos pró-Israel e segundo relatos publicados sobre o caso, alguns estádios que receberiam apresentações teriam sinalizado que não permitiriam a participação de Macklemore.
A primeira peça caiu
Em 14 de setembro, foi confirmada a saída do rapper das datas restantes da turnê nos Estados Unidos.
Macklemore estava escalado para oito dos dez shows que ainda seriam realizados e afirmou que sua retirada ocorreu após pressões relacionadas às suas manifestações políticas. Ele também citou o empresário Robert Kraft entre as pessoas que, segundo sua versão, pressionaram pela decisão.
Kraft confirmou que havia se posicionado contra a participação do rapper. Macklemore, por sua vez, rejeitou acusações de antissemitismo e manteve a distinção que faz entre críticas às ações do governo israelense e preconceito contra judeus.
Foi nesse momento que o nome de Ed Sheeran entrou definitivamente no centro da história.
E o que Ed Sheeran tem a ver com isso?
Macklemore fazia parte da turnê do cantor britânico. Inicialmente, a retirada chegou a ser associada diretamente a Sheeran, mas o artista apresentou outra versão.
Em 15 de setembro, Sheeran afirmou nas redes sociais que a decisão não havia sido dele. Segundo o cantor, a determinação partiu do promotor da turnê depois que os estádios envolvidos teriam avisado que poderiam cancelar os shows caso Macklemore continuasse na programação.
Sheeran disse ainda que tentou conversar com os envolvidos para encontrar uma solução, mas que a decisão dos locais e do promotor acabou prevalecendo.
O cantor também explicou que respeita a disposição de Macklemore de defender suas convicções, mas prefere manter seus próprios shows afastados de manifestações políticas. Segundo Sheeran, a intenção é criar apresentações que reúnam pessoas de diferentes origens e opiniões.
Então veio o efeito dominó
Depois da decisão, Finneas, Lukas Graham, Aaron Rowe e a banda Beoga, que acompanha Sheeran, também deixaram a turnê. Os artistas demonstraram solidariedade a Macklemore e criticaram a decisão de retirá-lo da programação.
Finneas, irmão e colaborador de Billie Eilish, defendeu publicamente a liberdade de artistas para se manifestarem sobre questões que consideram importantes. A sequência transformou uma decisão envolvendo um único artista em uma crise muito maior nos bastidores da turnê.
E o detalhe que chama atenção é justamente a velocidade da reação: em poucos dias, a programação de abertura perdeu vários de seus nomes.
A discussão vai muito além de uma turnê
O caso colocou no mesmo palco questões difíceis de separar: liberdade de expressão, manifestações políticas, contratos, promotores e o poder dos proprietários dos grandes estádios.
Para os críticos de Macklemore, suas declarações ultrapassaram o limite de uma manifestação política e poderiam alimentar discursos considerados antissemitas. O rapper rejeita essa interpretação e afirma diferenciar antissemitismo de críticas a Israel e ao sionismo.
Já grupos pró-Palestina e artistas que deixaram a turnê interpretaram a retirada como uma forma de silenciamento político. Essas são interpretações dos envolvidos e não um consenso sobre o episódio.
Quem realmente decide uma turnê?
Embora o nome de Ed Sheeran esteja estampado no cartaz, uma grande turnê envolve uma cadeia de contratos e interesses. Promotores organizam apresentações, estádios definem condições para receber os eventos e artistas de abertura têm acordos próprios.
No caso de Macklemore, Sheeran afirma que a decisão final veio dessa estrutura, depois de uma ameaça de cancelamento dos shows por parte dos locais envolvidos.
A controvérsia, portanto, deixou de ser apenas sobre quem sobe ao palco. Passou a envolver também quem tem poder para decidir quem permanece nele.









