Filme ‘Obsessão’ pode se tornar realidade: psicólogo analisa longa e explica comportamento e riscos

Embora o filme trate o fenômeno de forma sobrenatural, a obsessão é mais real e está mais próxima do cotidiano comum do que se imagina

Filme Obsessão

Na vida real, o sentimento obsessivo pode aparecer em cenários mais comuns do que se imagina/Reprodução

Ficar obcecado por alguém é uma sensação algumas vezes romantizada, porém, na realidade, é prejudicial. Com o sucesso do filme homônimo, a obsessão voltou à tona como um dos temas mais comentados.

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Se no longa, sucesso em 2026, a atitude começa após um desejo inconsequente feito pelo personagem Bear, transformando a protagonista Nikki (Inde Navarrete) em um ser humano extremamente obsessivo e com atitudes totalmente descalibradas e surreais, na vida real, o sentimento obsessivo pode aparecer em cenários mais comuns do que se imagina.

O psicólogo Odair Albuquerque de Freitas Junior (CRP 06/148620), que apontou o que o filme representa do ponto de vista da psicologia, explicou para a Gazeta o que pode desencadear uma atitude obsessiva e quais as consequências dela.

O que é a obsessão e o que ela causa

Embora seja representada em um cenário sobrenatural na obra dirigida por Curry Barker, a obsessão é mais real e está mais próxima do cotidiano comum do que se imagina.

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“A obsessão por outra pessoa pode ser extremamente real e produzir consequências significativas na vida do indivíduo. Tanto a psiquiatria quanto a psicologia reconhecem que esse fenômeno pode variar desde uma preocupação intensa e transitória até um quadro clínico associado a transtornos mentais”.

Odair Júnior explicou ainda que, do ponto de vista psiquiátrico, a obsessão pode estar presente em condições como o Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC), transtornos de personalidade, transtorno delirante ou episódios de humor.

“Já a psicologia compreende que o sujeito, muitas vezes, não está vinculado apenas à pessoa real, mas ao significado que ela assume em sua vida psíquica. Assim, o outro pode tornar-se o suporte de desejos, fantasias, medos ou necessidades emocionais, fazendo com que ocupe um lugar central no pensamento e na organização subjetiva do indivíduo”.

Como surge a obsessão por alguém?

Diversos fatores podem desencadear uma obsessão, como rejeições amorosas, términos de relacionamento, perdas importantes, baixa autoestima, solidão, dificuldades na regulação emocional, experiências de abandono ou idealização intensa da outra pessoa.

Em indivíduos predispostos, esses eventos podem ativar padrões psicológicos já existentes. Os sintomas costumam incluir:

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  • Pensamentos persistentes e repetitivos sobre a pessoa;
  • Dificuldade em interromper esses pensamentos;
  • Necessidade constante de buscar informações ou contato;
  • Idealização excessiva;
  • Ansiedade diante da distância ou da rejeição;
  • Interpretações exageradas dos comportamentos do outro e;
  • Prejuízo progressivo em áreas como trabalho, estudos e relações sociais.

“‘Em situações mais graves, podem surgir comportamentos de perseguição, invasão de privacidade ou crenças distorcidas sobre a relação”, aponta o especialista.

Além do filme Obsessão, a Série “You”, sucesso da Netflix com cinco temporadas, também apresenta um protagonista, chamado Joe (Penn Badgley), com comportamento obsessivos e de psicopatia quando define sua nova pretendente.

Como se afastar de alguém com comportamentos obsessivos?

Caso a pessoa passe a identificar que alguém pode ter desenvolvido uma obsessão e tratá-la de modo anormal, a recomendação é estabelecer limites claros, objetivos e consistentes.

“Respostas ambíguas ou tentativas frequentes de justificar a recusa podem ser interpretadas pelo obsessor como sinais de possibilidade de aproximação, especialmente quando existe um investimento emocional intenso”.

Ainda segundo o especialista, caso o comportamento persista, o ideal é reduzir ou interromper o contato e preservar registros de eventuais condutas inadequadas.

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“Se houver perseguição, ameaças ou invasão de privacidade, torna-se importante buscar apoio da rede de proteção, familiares, instituições e, quando necessário, das autoridades competentes. Em paralelo, é desejável que a pessoa em situação de obsessão receba avaliação e acompanhamento em saúde mental, uma vez que o comportamento pode estar relacionado a um quadro clínico que necessita de tratamento”, complementou ele.

Como deixar de ser obsessivo?

No cenário inverso, caso a pessoa perceba que desenvolveu uma obsessão por alguém e deseje cortar a situação, o primeiro passo é reconhecer que a intensidade dos sentimentos não significa necessariamente que exista uma relação especial ou que o outro tenha responsabilidade sobre esse sofrimento.

O psicólogo explicou que o tratamento consiste em compreender os fatores que sustentam essa fixação e desenvolver formas mais saudáveis de lidar com ela.

Do ponto de vista psiquiátrico, é importante investigar a presença de transtornos mentais que possam estar contribuindo para o quadro e, quando indicado, instituir tratamento medicamentoso associado ao acompanhamento psicológico.

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Já sob a perspectiva da psicologia, busca-se compreender por que aquela pessoa passou a ocupar um lugar tão central na vida psíquica do sujeito, identificando os desejos, fantasias e conflitos inconscientes envolvidos nessa relação.

“Em ambos os casos, o objetivo não é apenas interromper os pensamentos obsessivos, mas promover maior autonomia emocional, fortalecer a identidade do indivíduo e ampliar seus investimentos afetivos e sociais, permitindo que sua vida deixe de gravitar exclusivamente em torno de uma única pessoa”, concluiu.