A literatura tem o poder de nos transportar para outros tempos e lugares, preservar memórias, contar histórias que ajudam a compreender o passado e despertar a imaginação para mundos que ainda não conhecemos. Por meio dos livros, entramos em contato com diferentes culturas, realidades e perspectivas, ampliamos nosso olhar sobre a sociedade e criamos novas formas de interpretar o mundo. É também uma ferramenta de formação, conhecimento e conexão entre gerações.
É nesse encontro entre histórias, pessoas e expressões artísticas que a FLIM chega à sua 12ª edição. Realizada em São José dos Campos, a Festa Literomusical já reuniu mais de 360 mil pessoas ao longo de sua trajetória e, neste ano, propõe uma reflexão sobre os caminhos que a literatura pode abrir a partir do tema “Travessia”, com homenagem à escritora Ruth Guimarães.
Em entrevista à Gazeta, Valéria Israel, gestora de cultura e educação da AFAC, entidade responsável pela gestão do Parque Vicentina Aranha, fala sobre a trajetória do evento, os desafios de manter a festa, o processo de curadoria e os destaques da programação de 2026. Confira abaixo:
A FLIM chega à sua 12ª edição, consolidada como um dos principais eventos literomusicais do interior paulista. Como surgiu a ideia de criar a festa, em 2014, e qual foi a principal transformação do evento ao longo desses anos?
A FLIM nasceu, em 2014, do desejo de valorizar a literatura, a música e as diferentes manifestações culturais, criando um espaço de encontro entre artistas, escritores e público. Desde o início, a proposta foi aproximar as pessoas dos livros e da produção cultural, especialmente local e regional, ao mesmo tempo em que trazemos nomes de destaque nacional e internacional.
Ao longo de 11 edições, a festa cresceu em público, diversidade e abrangência. Já recebemos mais de 360 mil pessoas e construímos uma trajetória que fortalece São José dos Campos como referência na realização de grandes eventos culturais.
Acredito que uma das principais transformações foi justamente essa ampliação do diálogo da FLIM com diferentes públicos e expressões artísticas, sem perder sua essência: fazer da cultura uma experiência acessível e compartilhada.
Manter um evento cultural desse porte por tantas edições envolve desafios. Como a organização trabalha para viabilizar a FLIM a cada ano?
Realizar um evento como a FLIM exige planejamento, pesquisa, criatividade e o envolvimento de muitas pessoas e instituições. Trabalhamos ao longo do ano para construir uma edição que tenha qualidade artística, diversidade e acesso gratuito, buscando parcerias e recursos que tornem essa realização possível.
Também contamos com uma equipe que atua em diferentes frentes, desde a concepção cultural e a curadoria até a produção e a infraestrutura. É um trabalho coletivo, que envolve profissionais, artistas, parceiros e apoiadores.
Neste ano, a FLIM tem como tema “Travessia” e homenageia a escritora Ruth Guimarães. O que motivou essa escolha e como a trajetória e a obra da autora se conectam com a proposta desta edição?
A escolha de Ruth Guimarães tem uma relação muito especial com o território e com a identidade cultural do Vale do Paraíba. Nascida em Cachoeira Paulista, ela construiu uma obra de grande relevância para a literatura brasileira, valorizando as histórias, os saberes, as tradições e a cultura popular.
Seu primeiro romance, Água Funda, publicado em 1946, é um marco de sua trajetória e revela a riqueza de personagens, paisagens e narrativas que compõem o imaginário brasileiro.
O tema “Travessia” dialoga diretamente com essa produção. A literatura nos permite atravessar tempos, territórios, memórias e experiências, além de conhecer realidades diferentes das nossas. Homenagear Ruth é também reconhecer a importância de preservar e valorizar as histórias que formam nossa identidade cultural.
Como foi construído o processo de curadoria da FLIM 2026? De que forma a equipe buscou reunir diferentes vozes, experiências e expressões culturais para dialogar com o tema deste ano?
A curadoria é assinada por Zenilda Lua e Júnia Botelho, com Thaís Inocêncio como curadora assistente. O processo partiu do tema “Travessia” e da homenagem a Ruth Guimarães para construir uma programação que apresentasse diferentes possibilidades de diálogo com a literatura e a cultura.
Nossa intenção é reunir escritores, artistas e profissionais de diferentes trajetórias, valorizando tanto a produção local e regional quanto nomes de projeção nacional. Buscamos contemplar diferentes linguagens e perspectivas, criando oportunidades de troca entre gerações, experiências e formas de expressão.
A FLIM é uma festa literomusical, por isso a literatura se conecta à música, às artes, às contações de histórias e às atividades formativas. Essa pluralidade é fundamental para que públicos diferentes encontrem motivos para participar e se reconhecer na programação.
A festa será realizada de 27 a 29 de novembro, no Parque Vicentina Aranha. Qual é a expectativa de público para esta edição e quais são os destaques da programação?
Nossa expectativa é receber um público expressivo ao longo dos três dias, dando continuidade à trajetória da FLIM, que já reuniu mais de 360 mil pessoas desde sua primeira edição. Mais do que os números, queremos que o Parque Vicentina Aranha seja novamente um espaço de circulação de ideias, experiências e encontros em torno da cultura.
Um dos destaques é a FLIMZINHA que, no primeiro dia, é especialmente dedicada aos alunos das redes pública e privada de São José dos Campos. Preparamos atividades para diferentes faixas etárias, aproximando crianças e adolescentes da literatura, da música e das manifestações artísticas.
Nos outros dias, o público poderá participar de mesas literárias, lançamentos de livros, sessões de autógrafos, oficinas de escrita criativa, shows e intervenções artísticas, além de aproveitar a gastronomia. Entre os destaques, presenças do escritor Itamar Vieira Jr., da ilustradora Magô Pool e show com Mônica Salmaso e André Mehmari.
Todas as atividades são gratuitas. O ingresso solidário, doação opcional de 1kg de alimento não perecível, destinado às entidades assistidas pelo Fundo Social de Solidariedade de São José dos Campos, é opcional.
Queremos que a FLIM seja uma experiência para toda a família, que desperte o interesse pela leitura, valorize nossos artistas e fortaleça o acesso à cultura. O Parque é um cenário muito especial para isso, porque permite que a programação aconteça em contato com o patrimônio, a história e a natureza.
