Lançado oficialmente nesta terça-feira (3/3), o segundo álbum de estúdio do trio Gilsons, formado por José, João e Francisco Gil, chega como um manifesto de sobrevivência.
Intitulado “Eu Vejo Luz Em Maior Proporção Do Que Eu Vejo A Escuridão”, o projeto é mais do que um conjunto de dez canções inéditas; é um ponto de mutação na carreira do grupo, que equilibra a leveza característica do trio com a densidade de quem precisou atravessar o luto para seguir criando.
A Gazeta esteve presente na audição e pré-estreia do álbum, na última segunda-feira (2/3), que ocorreu no Cine Marquise, na Avenida Paulista, e traz todas as novidades do lançamento.
Entre o luto e a visão
O disco não ignora as cicatrizes. Produzido em um período marcado pela perda de Preta Gil, que faleceu no ano passado, o sucessor de Pra Gente Acordar é um exercício de “otimismo denso”.
A faixa de abertura, “Visão”, funciona como o guia dessa fase: é nela que surge o verso que dá nome ao álbum, sintetizando a escolha consciente de enxergar o brilho mesmo quando as sombras da ausência insistem em aparecer.
“Criar esse álbum foi como atravessar tudo o que a gente viveu e, ainda assim, continuar”, resume o trio.
Para os Gilsons, a música em 2026 não é apenas entretenimento, mas a fagulha de esperança que permite o passo seguinte.
O encontro de clãs e o tributo a Preta
A prova de que a cura se faz em rede está nas participações de peso. Um dos momentos mais emocionantes do disco é a faixa “Minha Flor”, inspirada em Preta Gil.
A canção, uma parceria de composição com Arnaldo Antunes, une os clãs Gil e Veloso em um gesto de puro afeto, contando com as vozes de Caetano, Moreno e Tom Veloso. É um abraço musical que sela a união das famílias em torno da memória e do amor.
O disco ainda resgata as raízes com Narcizinho (Olodum) em “Bem Me Quer”, flerta com a nova cena em “Nó na Nuca” com Julia Mestre, e ganha contornos globais com a multi-instrumentista gambiana Sona Jobarteh em “Se a Vida Pede”.
Dualidade sonora: onde o solar encontra o beat
Sonoramente, os Gilsons dão um passo à frente.
Sob a produção de José Gil e colaborações de nomes como Iuri Rio Branco, o álbum mantém o violão de nylon e as harmonias vocais, mas abraça texturas eletrônicas sutis e beats contemporâneos.
Instrumentos como o cello e o trompete ganham espaço, criando um ambiente que alterna entre a celebração e o silêncio necessário para a reflexão.
Turnê nacional e internacional
Com o lançamento já disponível em todas as plataformas, o trio agora se prepara para a turnê mundial “Eu Vejo Luz”.
Com mais de 30 datas confirmadas para 2026, a rota passará pelas principais capitais brasileiras a partir de abril e seguirá para palcos na Europa, Austrália e Nova Zelândia.
Em São Paulo, os Gilsons fazem show no dia 9 de maio, no Espaço Unimed.
O novo álbum traz um aspecto visual um importante para obra, que ilumina quem ouve. E, segundo o grupo, eles pretendem levar essa luz para a turnê.
“Estamos muito empolgados com reivenção do nosso show”, contou João Gil à Gazeta.
“Já era uma demanda para uma segunda turnê. Acho que nosso trabalho provoca muito isso também, então podem esperar um show com um progresso também neste sentido visual”, completou Francisco Gil.













