O movimento das batalhas de rima ajuda a impulsionar o rap nacional transformando praças públicas em grandes arenas de rima. Uma das grandes figuras da cena é Jorge Bask, maior campeão da Batalha da Norte e campeão da edição de nove anos do tradicional aniversário da Batalha da Aldeia, que concedeu entrevista exclusiva ao Direto da Gazeta, da TV GMG.
Nascido e criado na zona leste de São Paulo, o MC acumula troféus nas maiores competições do País e se prepara para buscar uma vaga inédita no estadual de rima, para conseguir participar do Nacional.
“Sou um artista da zona leste de São Paulo. Eu, desde os 16 anos, já ‘tô’ inserido aí no movimento hip hop. Comecei nas batalhas de rima. Hoje em dia, graças a Deus, eu tô muito sólido na cena”, destaca o MC.
O começo na Batalha da Zil e os primeiros R$ 100 com o rap
Atualmente, o cenário movimenta grandes patrocinadores e audiências milionárias na internet. No entanto, a trajetória de Bask começou sem qualquer perspectiva financeira. Aos 16 anos, o jovem frequentava a Batalha da Zil, perto de sua casa, apenas para assistir aos MCs locais.
Consequentemente, o incentivo dos amigos mudou o rumo da sua vida. Em um determinado dia, um amigo, conhecido como CJ inscreveu o apelido de Bask (originado pelo seu amor ao basquete) no sorteio da batalha. Logicamente, o desafio veio logo na estreia contra o então campeão da semana.
“Primeira batalha da minha vida foi eu e o cara, mano. Já para mostrar que não ia ser fácil. Eu lembro que eu perdi, mas eu rimei bem. Fui colando mais para me divertir na Zil e consegui ser campeão na sexta batalha”, relembra Jorge Bask.
Além disso, o artista recorda a falta de retorno financeiro na época em que ingressou no movimento. O primeiro prêmio em dinheiro veio apenas anos depois, em um evento na Vila Madalena.
“Eu ganhei uma batalha que o Kauan organizou num bar na Vila Madalena. Ganhei R$ 100, foi a premiação. Fiquei maior feliz, louco, ganhei R$ 100 com rima. Falei: ‘Nossa, vou viver de rima'”, conta o MC entre risos.
Evolução do freestyle e mudança de gerações
A transição da cena underground para um ambiente mais conhecido e aclamado alterou o estilo das rimas. De acordo com Bask, os artistas de sua geração desenvolveram uma identidade mais autêntica porque buscavam referências diretamente nas ruas, observando MCs locais como Kevão e Janderson.
Em contrapartida, as novas gerações costumam seguir métricas mais rígidas para pontuar com os jurados em competições.
“O que fez meu freestyle evoluir foi colar em outras batalhas. Na minha época, não tinha muitas referências no YouTube, as referências estavam na rua. Por isso eu sinto que os MCs da minha geração são mais originais, porque não têm uma fórmula”, analisa o artista.
Por outro lado, Bask mantém o foco total na construção argumentativa e no confronto direto do formato bate-volta, no qual utiliza os argumentos do próprio adversário para construir o ataque.
Sua versatilidade se refletiu na representação do time de freestyle do Corinthians E-sports, no qual integrou um quarteto ao lado de Jotapê, Big Mike e Magrão antes do encerramento do projeto do clube. Todos os demais MC’s também já estiveram no podcast da TV GMG, da Gazeta.
Estratégia de bastidores e o título na Batalha da Aldeia 9 anos
Jorge Bask alcançou o topo das batalhas de rima ao faturar o título de trio do aniversário da Batalha da Aldeia (BDA) ao lado de Kroy e Japa.
A equipe traçou um plano tático minucioso para garantir a vitória e, com o passar das fases, consolidar o companheiro Kroy como o MVP (Most Valuable Player) da noite.
“Se você quer ser reconhecido, se você quer furar a bolha com o seu corre, você tem que ser campeão do aniversário da Aldeia. É um prestígio que coloca você numa prateleira acima”, explica Jorge Bask
O sonho do Estadual de rima e a ideologia do Hip Hop
Embora ostente o título de maior campeão da Batalha da Norte, Bask enxerga o Campeonato Nacional de Batalha de Rima como o teste definitivo para sua carreira. O MC disputará a fase regional na zona norte de São Paulo contra nomes expressivos da cena estadual.
“Se eu chegar lá e conseguir entregar o 100% de quem eu sou, eu consigo ser campeão. Vou fazer o máximo que der, o possível e o impossível”, garante.
Hip pop também é político, diz Bask
Além da competição, o rapper defende o caráter político intrínseco à cultura do hip hop. Para o MC, a Batalha de Rima funciona como uma ferramenta de transformação social e posicionamento crítico.
Inspirado por referências como Emicida e Rashid, o artista projeta a transição gradual dos palcos de batalha para o trabalho autoral.
“O hip hop formou meu caráter. O hip hop é política, a gente tá ali lutando por uma parada mesmo, lutando pelo nosso corre. A gente faz parte de um movimento de protesto”, sintetiza o rapper.
Por fim, no bate-bola final, Jorge Bask falou dos seus gostos pessoais:
- Desenho: Super Choque;
- Série: Impuros (que ele destaca como a sua favorita);
- Filme: Dia de Treinamento;
- Frase marcante: “O jogo é xadrez, não é damas” (retirada do filme Dia de Treinamento).
- Hobby: jogar basquete (de onde também surgiu o seu apelido “Bask”).
Atualmente, Jorge Bask promove o lançamento da mixtape “Tipo A”, trabalho musical com sete faixas que conta com participações de outros grandes nomes da cena das batalhas de rima, como Zuluzão e Magrão, já disponível em todas as plataformas de streaming.






