O Sesc Pompeia recebe mostra de espetáculos para comemorar os 15 anos de criação do grupo de teatro carioca Cia OmondÉ, até o dia 1º/9, domingo. Além das apresentações de teatro, haverá diversas atividades como um bate-papo e oficinas gratuitas.
O grupo abriu as comemorações no dia 8/8 com a estreia do espetáculo “Último Ensaio”, mas ainda dá tempo de conferir a apresentação desta peça até o próximo domingo (25/8).
Este é o quarto texto escrito por Inez Viana, atriz e ‘fundadora’ da Cia OmondÉ, que também assina a direção da obra, e o primeiro criado especialmente para a companhia de teatro.
Com forte traço metalinguístico, a dramaturgia aborda, sobretudo, a falta de comunicação entre as pessoas e o caos exacerbado vivido numa metrópole em um futuro próximo.
“As pessoas perderam a capacidade de sentir empatia, o que deturpou os valores morais”, comenta Inez.
Nesse cenário distópico, um elenco de nove atrizes e atores está preso em uma espécie de ‘bunker teatral’, para onde os espectadores vão com a intenção de se divertir, já que o mundo está em ruínas.
Por isso, os intérpretes passam e repassam as várias cenas, revelando ao público como funciona o processo de um ensaio.
“O teatro é o lugar do encontro, da elaboração de memórias, da reflexão. Epifanias são geradas através desse encontro presencial e único e, apesar do evento em si não se repetir, ciclos da nossa História tendem a se recontar, se reiterar e se espelhar”, diz a atriz.
A luz é de Sarah Salgado, destaque na iluminação cênica paulistana, com vários prêmios e indicações, e a direção de movimento é de Denise Stutz, artista co-fundadora do Grupo Corpo, de Belo Horizonte/MG.
Dão vida aos personagens os artistas da OmondÉ Carolina Pismel, Debora Lamm, Iano Salomão, Júnior Dantas, Leonardo Bricio, Luis Antonio Fortes e Zé Wendell, e as atrizes convidadas Jade Maria Zimbra e Lux Négre.
“A ideia é que eles se alternarem nos papéis”, comenta a diretora.
Ao fruir ficção e realidade, “Último Ensaio” sobrepõe várias camadas, criando uma linguagem que permite que as relações se estabeleçam horizontalmente, como se cada ser fosse responsável por fazer existir aquela companhia teatral.
O espetáculo está dividido em três movimentos: o ensaio, o desejo e o ensejo. Representando a projeção do que importa fazer, como queremos realizar e o caminho que nos resta.
Outros espetáculos
Nos dias 29 e 30/8, quinta e sexta-feira, às 20h, acontecerão as sessões de “Nem Mesmo Todo o Oceano”, peça de 2013 inédita em São Paulo, inspirada no livro homônimo de Alcione Araújo.
O espetáculo, adaptado e dirigido por Inez Viana, narra a história de um rapaz do interior de Minas Gerais que vai para o Rio de Janeiro com o sonho de exercer a medicina. No entanto, ele se torna um médico legista do DOI-Codi.
Definido pelo grupo como um thriller contemporâneo, o relato aproxima o público da história do Brasil, retratando os instantes que antecederam o golpe militar e o surgimento da repressão do regime.
Já “Mata teu Pai” é uma peça de 2017 escrita por Grace Passô. Na trama, a trajetória de Medeia é recontada de maneira a estimular uma reflexão sobre os nossos tempos.
“Preciso que me escutem!”, é o que diz Medeia em sua primeira fala na peça. E entre expatriados e imigrantes, em estado febril, ela fala. Suas vizinhas e cúmplices – a síria, a cubana, a paulista, a judia, a haitiana – a escutam.
Dirigido por Inez Viana, o trabalho conta com performance de Débora Lamm, que divide o palco com um coro de senhoras de mais de 65 anos. As apresentações acontecerão no dia 31/8, sábado, às 20h, e 1º de setembro, domingo, às 17h.
Atividades paralelas
Para encerrar a comemoração, a Cia OmondÉ faz o bate-papo “Como a arte contribui para resgatar a história de um país?”, no dia 28/8, às 19h. Para participar, basta retirar o ingresso gratuitamente.
A companhia oferecerá oficinas gratuitas intituladas de “De Encontro à Cena”, destinada ao público com mais de 18 anos, nos dias 20 e 21/8, das 17h às 20h.
Sobre a Cia OmondÉ
Criada em 2009, a partir de um encontro teatral que resultou na montagem de “As Conchambranças de Quaderna”, de Ariano Suassuna, a Cia OmondÉ é a concretização do desejo que a atriz e diretora Inez Viana nutriu por mais de duas décadas.
Naquela ocasião, movidos pela vontade de compartilhar processos e criar em colaboração, nove atores de diferentes lugares do Brasil e Inez começaram a pesquisar e a dialogar com diferentes recursos do teatro e da dança contemporâneos, que se mantêm nas obras da companhia.
Com 15 anos, a OmondÉ tem nove peças, todas de autores brasileiros, clássicos e contemporâneos – como Ariano Suassuna, Nelson Rodrigues, Grace Passô, Jô Bilac, Alcione Araújo e Inez Viana – e segue na busca de uma linguagem cênica que dialoga com temas vigentes, contribuindo para a reflexão sobre o papel das pessoas na sociedade.
A palavra ‘OmondÉ’ significa, segundo Ariano Suassuna, gente, agitação ou confusão.
Serviço
Mostra da Cia OmondÉ
Quando? Até 1º de setembro
Onde? Sesc Pompeia – rua Clélia, 93 – Água Branca
Ingresso (valor de todos os espetáculos): R$ 60 (inteira), R$ 30 (meia-entrada) e R$ 18 (credencial plena); acesse o site do Sesc Pompeia
Último ensaio
Quando? Até 25/8, de quinta a sábado, às 20h, e, aos domingos, às 17h
Classificação indicativa: 14 anos
Duração: 80 minutos
Ficha técnica – Dramaturgia e direção: Inez Viana | Elenco Cia Omondé: Carolina Pismel, Debora Lamm, Iano Salomão, Junior Dantas, Leonardo Bricio, Luis Antonio Fortes E Zé Wendell | Elenco convidado: Lux Negre E Jade Maria Zimbra | Direção de produção: Bem Medeiros e Luis Antônio Fortes | Direção de Arte: Carla Costa | Direção De movimento: Denise Stutz | Iluminação: Sarah Salgado | Produção executiva: Matheus Ribeiro | Fotos e programação visual: Rodrigo Menezes | Assessoria de imprensa: Canal Aberto | Realização: Eu + Ela Produções Artísticas e Fortes Produções Artísticas
Nem mesmo todo o oceano
Quando? 29 e 30/8, quinta e sexta, às 20h
Classificação indicativa: 16 anos
Duração: 80 minutos
Ficha técnica – Autora: Alcione Araújo | Adaptação direção e idealização: Inez Viana | Elenco: Carolina Pismel, Iano Salomão, Junior Dantas, Leonardo Bricio, Luis Antonio Fortes e Zé Wendell | Iluminação: Renato Machado | Direção de arte: Flávio Souza | Direção musical: Marcelo Alonso Neves | Consultoria dramatúrgica: Pedro Kosovski | Assistentes de direção: Carolina Pismel, Debora Lamm e Juliane Bodini | Direção de produção: Bem Medeiros | Coprodução: Luis Antonio Fortes | Realização: Cia OmondÉ
Mata teu pai
Quando? 31/8 e 1º de setembro, sábado, às 20h, e, domingo, às 17h
Classificação indicativa: 14 anos
Duração: 60 minutos
Ficha técnica – Texto: Grace Passô | Direção e idealização: Inez Viana | Performance: Debora Lamm | Participação: Coro de senhoras + 65 | Iluminação: Ana Luzia de Simoni e Nadja Naira | Cenário: Mina Quental – Atelier da Gloria | Figurino: Sol Azulay | Direção de movimento: Marcia Rubin | Direção musical: Felipe Storino | Caracterização: Josef Chasilew-| Direção de produção: Bem Medeiros | Coprodução: Luis Antonio Fortes | Realização: Cia OmondÉ
Bate-papo: como a arte contribui para resgatar a memória de um país?
Quando? 28/8, quarta-feira, às 19h
Quanto? Grátis | Retirada de ingressos no local
Classificação indicativa: Livre
Oficina: De encontro à cena
Quando? 20 e 21/8, terças e quartas, das 17h às 20h
Quanto? Grátis – Inscrição Online
Classificação indicativa: 18 anos



