Antes de ser estrela, Kaká abriu as portas de casa para colegas da base do São Paulo que viviam longe da família e tinham menos dinheiro

Craque contou que companheiros do São Paulo vinham de longe e não tinham condições de voltar para casa nos fins de semana

Kaká pelo São Paulo no começo da carreira

Ainda nas categorias de base do São Paulo, Kaká já tinha consciência de que sua realidade familiar era diferente da de vários companheiros/Eduardo Knapp/Folhapress

Antes de se tornar campeão mundial, melhor jogador do mundo e uma das maiores estrelas do futebol brasileiro, Kaká viveu uma realidade diferente da de muitos companheiros nas categorias de base do São Paulo.

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O meia cresceu em uma família de classe média alta e morava perto do Morumbi. Muitos dos garotos que estavam no mesmo caminho, porém, vinham de outras partes do Brasil e viviam no alojamento do clube, longe dos pais.

A diferença fez com que Kaká passasse a levar os companheiros para sua própria casa nos fins de semana.

O jogador contou a história em uma entrevista à Real Madrid TV, em 2011. Ao ser questionado sobre sua condição familiar, explicou que seu pai era engenheiro civil e que sua mãe era professora, mas deixou o trabalho para acompanhar os filhos.

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“Meu pai sempre trabalhou, uma família de classe média. Mais tarde, minha mãe parou de trabalhar porque estava sempre comigo e com meu irmão, mas meu pai sempre nos sustentou”, relatou.

Na sequência, Kaká explicou por que aquela condição financeira não criou uma distância entre ele e os companheiros.

“Quando comecei a jogar, nunca foi um problema para mim vir de uma família de classe média, porque eu levava meus companheiros para minha casa”, afirmou.

Colegas passavam meses longe da família

Segundo Kaká, muitos dos jogadores que estavam na base do São Paulo vinham de diferentes regiões do país e passavam longos períodos sem encontrar os familiares.

“Eles vinham de todo o Brasil e passavam seis ou oito meses sem poder ir para casa”, contou.

Por isso, nos fins de semana, o futuro craque os levava para a casa de sua família.

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“Durante os fins de semana, eu os levava para casa comigo para passar um tempo com minha família. Foi uma grande experiência”, disse.

Anos depois, Kaká voltou a falar sobre o assunto no Grande Círculo, do SporTV, e deu mais detalhes sobre a rotina.

“Eu morava muito perto do Morumbi. Os meninos que ficavam alojados não podiam ir para suas casas nos finais de semana. Moravam fora e não tinham essa condição. E meus pais levavam esses meninos para a minha casa”, explicou.

O ex-jogador citou inclusive um companheiro que passou pela casa da família durante aquele período: Emerson Sheik.

“Ele frequentou a minha casa. Jogava, não voltava para o Rio e ficava na minha casa”, contou Kaká, em tom bem-humorado.

A mãe de Kaká também participava

O acolhimento não terminava em abrir as portas da casa. Kaká contou que sua mãe preparava comida para os jogadores que passavam o fim de semana com a família.

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“Meu pai era engenheiro civil. Eu sou classe média-média. O pessoal que ficava na concentração a gente levava para casa. Minha mãe fazia uma comida para eles, e eles voltavam no domingo à noite, porque na segunda-feira tinha rotina de treino”, relatou.

A lembrança ajuda a dimensionar a diferença entre a trajetória de Kaká e a de muitos jovens que tentavam chegar ao futebol profissional.

“Hoje a situação da grande maioria é que não tem opção. Tem que tentar ser jogador de futebol para levar comida para cinco irmãos, para os pais. Eu tinha essa opção”, afirmou.

A história aconteceu muitos anos antes de Kaká ganhar a Bola de Ouro, conquistar a Liga dos Campeões pelo Milan ou vestir a camisa do Real Madrid. Ainda nas categorias de base do São Paulo, porém, ele já tinha consciência de que sua realidade familiar era diferente da de vários companheiros.

Em vez de manter essa diferença dentro do campo, o jogador encontrou uma maneira simples de diminuir a distância: levar os colegas para casa e dividir com eles o que tinha.