Copa 2026: caos nos EUA tem juiz barrado, craque interrogado e Irã punido

A dois dias da abertura, restrições migratórias afetam torcedores, atletas, árbitros e jornalistas ligados ao torneio

Gianni Infantino, presidente da Fifa, no salão oval, com a taça da Copa do Mundo.

Crises e tensões para a Copa do Mundo atingem jogadores, arbitragem e delegações - Reprodução/The White House

A dois dias do início da Copa do Mundo 2026, a Federação de Futebol do Irã afirmou ter perdido sua cota de ingressos para a competição por decisão das autoridades dos Estados Unidos. A medida impede que torcedores iranianos, que já haviam planejado viagens para acompanhar a seleção, tenham acesso às entradas reservadas ao país.

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O episódio é apenas mais um entre os impasses que cercam a realização do torneio. Nas últimas semanas, um árbitro escalado para a competição teve a entrada negada em território americano, um dos principais jogadores do Iraque foi submetido a horas de interrogatório ao desembarcar no país e jornalistas relataram dificuldades para obter vistos.

Embora a Fifa tenha afirmado trabalhar para garantir a participação de atletas, delegações, torcedores e profissionais de imprensa, a entidade reconhece que não possui poder para interferir nas regras migratórias adotadas pelos países-sede.

Em meio às tensões geopolíticas envolvendo os Estados Unidos e o Irã, as restrições passaram a impactar diretamente a preparação e a operação de algumas seleções.

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Torcedores ficam sem acesso aos ingressos

A crise ganhou um novo capítulo nesta semana após a Federação de Futebol do Irã informar que perdeu a cota de ingressos destinada aos seus torcedores. Segundo a entidade, a decisão foi comunicada poucos dias antes da abertura da Copa do Mundo.

A medida afeta diretamente os iranianos que já haviam comprado passagens, reservado hospedagens e organizado viagens para acompanhar a equipe durante o torneio. A federação afirmou que todo o planejamento havia sido feito com base nos procedimentos divulgados anteriormente pela organização.

Pelas regras da Copa, uma parcela dos ingressos é destinada às federações participantes para distribuição entre seus torcedores. Sem acesso a essa cota, os iranianos ficam dependentes da disponibilidade geral de entradas, que já é limitada às vésperas da competição.

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O caso ampliou as preocupações em torno da participação do país no Mundial e reforçou os impactos que o atual cenário diplomático vem provocando fora das quatro linhas.

Melhor árbitro da Confedaração Africana fora

Os problemas não ficaram restritos aos torcedores. Nesta semana, a Fifa confirmou que o árbitro somali Omar Artan não poderá atuar na Copa do Mundo após ter a entrada negada nos Estados Unidos.

A entidade informou que foi comunicada pelas autoridades americanas de que a situação não seria revertida e destacou que não participa dos processos de imigração conduzidos pelos países anfitriões.

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Aos 34 anos, Artan viveria um momento histórico. Ele seria o primeiro árbitro da Somália a trabalhar em partidas de uma Copa do Mundo e chegava ao torneio após ser eleito o melhor árbitro da Confederação Africana de Futebol em 2025.

Sem revelar os motivos da negativa, as autoridades americanas impediram a participação do profissional, obrigando a Fifa a reorganizar sua equipe de arbitragem poucos dias antes do início da competição.

Jogador do Iraque passa horas sob interrogatório

As restrições também atingiram atletas, o que aumentou a situação de crise. Um dos principais nomes da seleção iraquiana, o atacante Aymen Hussein precisou passar por um longo processo de verificação ao desembarcar nos Estados Unidos.

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Segundo a imprensa iraquiana, o jogador ficou cerca de sete horas sob procedimentos de imigração antes de receber autorização para entrar no país. A situação ocorreu em Chicago, cidade escolhida pela seleção para sua preparação.

Hussein é uma das figuras mais populares do futebol iraquiano. Foi dele o gol que garantiu a classificação da equipe para a Copa do Mundo após quatro décadas de ausência no torneio.

A liberação aconteceu ainda no mesmo dia, mas o episódio aumentou a preocupação entre integrantes da delegação e chamou atenção para os obstáculos enfrentados por alguns participantes da competição.

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Problemas com a imprensa

As reclamações também chegaram ao setor de comunicação. Na semana passada, a Associação Internacional de Imprensa Esportiva enviou uma carta à Fifa relatando problemas enfrentados por jornalistas na obtenção de vistos.

Segundo a entidade, profissionais do Irã e de alguns países africanos relataram atrasos e dificuldades para concluir os processos necessários para cobertura do Mundial.

A Fifa respondeu afirmando que acompanha os casos, mas ressaltou que não possui autoridade para interferir nas decisões tomadas pelos serviços consulares dos países-sede.

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O episódio evidencia um dos desafios da edição de 2026: organizar uma Copa compartilhada por três países diferentes, cada um com suas próprias normas migratórias e critérios de entrada.

Logística afetada para a seleção do Irã

As limitações impostas ao Irã não se restringem aos torcedores. A própria seleção precisou alterar completamente seu planejamento para a primeira fase do Mundial.

Inicialmente, a equipe pretendia ficar concentrada no Arizona, próximo aos locais de suas partidas. Com o agravamento das tensões entre Teerã e Washington, a delegação transferiu sua base para Tijuana, no México.

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Os vistos concedidos aos jogadores autorizam apenas entradas temporárias nos Estados Unidos para treinamentos e partidas. A autorização não permite que a equipe permaneça no país entre os compromissos.

Na prática, os iranianos terão de cruzar a fronteira após cada atividade realizada em solo americano. A restrição também alcançou dirigentes da federação. O presidente da entidade, Mehdi Taj, teve o pedido de visto negado e não poderá acompanhar a delegação nos Estados Unidos.