Subiu para três o número de mortos após o desabamento de um prédio em construção sobre uma casa na Penha, zona leste de São Paulo. O acidente aconteceu por volta das 2h de sábado (12/9), na Rua Tequici.
O Corpo de Bombeiros encontrou durante a noite o corpo de um homem nos escombros. Outras duas mulheres também morreram. Entre elas estava uma mulher grávida.
Ao todo, os bombeiros trabalham com a hipótese de que oito pessoas foram atingidas.
Cinco já foram retiradas do local: três mortas e duas feridas. Uma menina de 7 anos e um homem de aproximadamente 30 anos foram resgatados com ferimentos leves e levados ao Pronto-Socorro do Tatuapé.
Buscas continuam
Na manhã deste domingo (13)/9, três pessoas ainda estão desaparecidas: uma criança e duas mulheres. As equipes mantiveram as buscas durante a madrugada.
Cerca de 70 bombeiros, 22 viaturas e um cão de busca e salvamento permaneciam mobilizados.
Máquinas também são utilizadas para retirar partes maiores dos escombros e permitir o acesso às áreas de procura.
A Defesa Civil interditou três casas localizadas no mesmo terreno vizinho à construção. As causas do desabamento ainda não foram determinadas.
Embora estivesse chovendo no momento do acidente, a Defesa Civil afirmou que não é possível atribuir o desabamento somente à chuva.
Obra já tinha sido fiscalizada
A construção já havia sido alvo de fiscalização e de uma ação judicial da Prefeitura de São Paulo.
Segundo a administração municipal, o responsável pelo imóvel pediu um alvará em 2019, mas teve o pedido indeferido.
Depois de fiscalizações, multas e da interdição da obra, a Prefeitura entrou na Justiça em 2021 para pedir a demolição de uma construção irregular no terreno. Uma das multas chegou a R$ 119 mil.
A Justiça chegou a determinar a paralisação das obras.
Em 2022, porém, um novo projeto foi apresentado e, em agosto de 2023, a Prefeitura emitiu um alvará para uma nova edificação, condicionado à demolição da estrutura anterior.
Uma vistoria realizada em fevereiro de 2024 registrou que a demolição havia sido realizada. Posteriormente, o processo judicial foi encerrado.
Prefeitura abre investigação
Após o desabamento, a Prefeitura abriu uma apuração na Controladoria Geral do Município (CGM) para investigar os procedimentos de fiscalização.
As apurações preliminares apontam que a demolição exigida para a nova construção não teria sido realizada, apesar de uma vistoria ter registrado o cumprimento da determinação.
A servidora responsável pelo laudo foi afastada inicialmente por 30 dias.
A Polícia Civil também acompanha o caso.
A New Home Construtora, responsável pela obra, informou ao portal G1 que abriu uma investigação interna.
A empresa afirmou que ainda não há elementos suficientes para determinar a causa do desabamento e que também será analisada a movimentação de terra em um terreno vizinho.
A construtora disse ainda que não se exime de eventual responsabilidade que venha a ser apontada e que está prestando apoio às famílias afetadas.
