Uma mudança aprovada em junho de 2025 mudou o jeito de acesso dos torcedores aos estádios de futebol. Todas as arenas com mais de 20 mil lugares passaram a ser obrigadas, por lei, a adotar sistemas de reconhecimento facial como controle de acesso.
Cerca de 10 meses depois, os dados revelam um impacto que vai além da logística: os estádios brasileiros estão se tornando um espaço mais seguro e esse fator está mudando quem vai às partidas.
O indicador que mais chama atenção no período é o aumento expressivo da presença de mulheres e crianças nos estádios.
Mais mulheres e crianças nos estádios
Levantamento da Bepass, empresa especializada em reconhecimento facial para grandes eventos, aponta que, entre os sete clubes atendidos – Botafogo, Flamengo, Fluminense, Grêmio, Palmeiras, São Paulo e Santos -, o percentual médio de público feminino saltou de 17,5%, em 2023, antes do uso da biometria, para 23,1%, em 2025, um crescimento de 32%.
No mesmo período, a presença de menores de 14 anos cresceu 26%, passando de 6% para 7,6%.
“Ver o crescimento do público feminino e de crianças nos estádios é o dado que mais nos orgulha nesse período. Mais família no estádio, mais segurança, fim do cambismo, e o torcedor entrando em cerca de dois segundos, esse é o futebol que a tecnologia ajudou a construir”, afirma Ricardo Cadar, fundador da Bepass, que, desde 2022, conta com cerca de 18 milhões de acessos realizados em mais de 700 eventos atendidos.
Tecnologia é realidade em toda a Série A
Mesmo com prazo legal até junho de 2027 para regularização, todos os 20 clubes da Série A já adotaram o sistema. Somente a Bepass realizou mais de 190 partidas desde que a legislação entrou em vigor, consolidando o reconhecimento facial como solução eficaz para a gestão de acesso em grandes eventos.
A tecnologia também reduziu drasticamente o cambismo e a falsificação de ingressos. Como o acesso é pessoal e vinculado à biometria, apenas o titular cadastrado pode entrar, eliminando intermediários e fraudes. O efeito colateral positivo foi direto nos programas de sócio-torcedor.
“O número de sócios aumentou porque, com o fim dos cambistas, os torcedores precisam estar cadastrados no programa para comprar ingressos”, afirma Cadar.
Mais de 280 foragidos detidos após a mudança
Além disso, a tecnologia colabora com o sistema Muralha Paulista parceria entre o Governo de São Paulo e os clubes, em que mais de 280 foragidos da Justiça já foram detidos em pouco mais de 100 partidas monitoradas, com mais de 2,1 milhões de torcedores fiscalizados pelo cruzamento automático com a base nacional.
Foram registradas, ainda, mais de 130 notificações de descumprimento de medidas cautelares. As prisões abrangem desde inadimplência de pensão alimentícia até crimes de maior gravidade, como roubo e homicídio.
Privacidade garantida
No quesito privacidade, a Bepass não armazena imagens dos torcedores, apenas um vetor criptografado derivado do rosto.
Mesmo em caso de vazamento, é impossível reconstituir a imagem original, o que garante conformidade com a LGPD e reforça a confiança no sistema.



