Mudança em acesso aos estádios aumenta a presença de mulheres e crianças no Brasil

Além disso, mais de 280 foragidos da Justiça já foram detidos em pouco mais de 100 partidas monitoradas

Mesmo com prazo legal até junho de 2027 para regularização, todos os 20 clubes da Série A já adotaram o sistema

Mesmo com prazo legal até junho de 2027 para regularização, todos os 20 clubes da Série A já adotaram o sistema | Divulgação/Palmeiras

Uma mudança aprovada em junho de 2025 mudou o jeito de acesso dos torcedores aos estádios de futebol. Todas as arenas com mais de 20 mil lugares passaram a ser obrigadas, por lei, a adotar sistemas de reconhecimento facial como controle de acesso.

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Cerca de 10 meses depois, os dados revelam um impacto que vai além da logística: os estádios brasileiros estão se tornando um espaço mais seguro e esse fator está mudando quem vai às partidas.

O indicador que mais chama atenção no período é o aumento expressivo da presença de mulheres e crianças nos estádios.

Mais mulheres e crianças nos estádios

Levantamento da Bepass, empresa especializada em reconhecimento facial para grandes eventos, aponta que, entre os sete clubes atendidos – Botafogo, Flamengo, Fluminense, Grêmio, Palmeiras, São Paulo e Santos -, o percentual médio de público feminino saltou de 17,5%, em 2023, antes do uso da biometria, para 23,1%, em 2025, um crescimento de 32%.

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No mesmo período, a presença de menores de 14 anos cresceu 26%, passando de 6% para 7,6%. 

“Ver o crescimento do público feminino e de crianças nos estádios é o dado que mais nos orgulha nesse período. Mais família no estádio, mais segurança, fim do cambismo, e o torcedor entrando em cerca de dois segundos, esse é o futebol que a tecnologia ajudou a construir”, afirma Ricardo Cadar, fundador da Bepass, que, desde 2022, conta com cerca de 18 milhões de acessos realizados em mais de 700 eventos atendidos. 

Tecnologia é realidade em toda a Série A 

Mesmo com prazo legal até junho de 2027 para regularização, todos os 20 clubes da Série A já adotaram o sistema. Somente a Bepass realizou mais de 190 partidas desde que a legislação entrou em vigor, consolidando o reconhecimento facial como solução eficaz para a gestão de acesso em grandes eventos. 

A tecnologia também reduziu drasticamente o cambismo e a falsificação de ingressos. Como o acesso é pessoal e vinculado à biometria, apenas o titular cadastrado pode entrar, eliminando intermediários e fraudes. O efeito colateral positivo foi direto nos programas de sócio-torcedor.

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“O número de sócios aumentou porque, com o fim dos cambistas, os torcedores precisam estar cadastrados no programa para comprar ingressos”, afirma Cadar. 

Mais de 280 foragidos detidos após a mudança

Além disso, a tecnologia colabora com o sistema Muralha Paulista parceria entre o Governo de São Paulo e os clubes, em que mais de 280 foragidos da Justiça já foram detidos em pouco mais de 100 partidas monitoradas, com mais de 2,1 milhões de torcedores fiscalizados pelo cruzamento automático com a base nacional.

Foram registradas, ainda, mais de 130 notificações de descumprimento de medidas cautelares. As prisões abrangem desde inadimplência de pensão alimentícia até crimes de maior gravidade, como roubo e homicídio.

Privacidade garantida 

No quesito privacidade, a Bepass não armazena imagens dos torcedores, apenas um vetor criptografado derivado do rosto.

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Mesmo em caso de vazamento, é impossível reconstituir a imagem original, o que garante conformidade com a LGPD e reforça a confiança no sistema.