A presença das casas de apostas nas camisas de futebol se tornou comum nos últimos anos, inclusive no Brasil. Na Europa, porém, alguns mercados já adotaram restrições mais rígidas, enquanto a Premier League acaba de entrar em uma nova fase.
Desde o início da temporada 2026/27, os clubes da primeira divisão inglesa não podem mais estampar marcas de apostas esportivas na parte da frente das camisas de jogo. A mudança havia sido anunciada pelos próprios clubes em 2023 e passou a valer após o fim da temporada anterior.
Mas surge uma dúvida natural: se as bets movimentam tanto dinheiro no futebol, como os clubes conseguem compensar essa receita?
A resposta está em um modelo financeiro muito mais amplo, que envolve direitos de transmissão, patrocínios de empresas de outros setores, bilheteria, produtos oficiais e receitas comerciais.
De onde vem o dinheiro dos clubes de futebol?
Embora o patrocínio de casas de apostas possa representar uma parcela importante das receitas comerciais de determinadas equipes, ele está longe de ser a única fonte de dinheiro.
No futebol europeu, os clubes trabalham com diferentes frentes de arrecadação. A combinação permite que uma perda em determinada categoria possa ser compensada, pelo menos parcialmente, por outras.
Entre as principais fontes estão:
- Direitos de transmissão de campeonatos;
- Patrocínios de empresas;
- Venda de ingressos;
- Camisas e produtos oficiais;
- Hospitalidade e experiências nos estádios;
- Premiações de competições;
- Participação em torneios internacionais;
- Receitas comerciais e licenciamentos.
Segundo dados da UEFA, receitas comerciais, direitos de mídia, parceiros e patrocínios representam uma parcela significativa da arrecadação dos clubes das principais divisões europeias.
Premier League encontrou outras empresas para ocupar espaço
A temporada 2026/27 é especialmente importante para entender como funciona essa substituição. O acordo da Premier League não acabou com toda publicidade de apostas no futebol inglês. A restrição vale especificamente para o patrocínio na frente das camisas de jogo.

Outros espaços, como mangas, materiais de treinamento e publicidade nos estádios, continuam podendo receber marcas do setor, dependendo das regras aplicáveis.
Mesmo assim, os clubes precisaram procurar novos parceiros para o espaço mais valorizado da camisa. E os resultados iniciais mostram que empresas de outros setores passaram a ocupar esse mercado.
De acordo com levantamento da Ampere Analysis divulgado em setembro de 2026, oito clubes que permaneceram na Premier League substituíram contratos de apostas avaliados conjuntamente em £67 milhões por novos acordos de £75 milhões.
Alemanha mostra a força de outras receitas
A Bundesliga também ajuda a entender por que um clube não depende necessariamente das casas de apostas para manter suas operações.
Na temporada 2024/25, os clubes da primeira divisão alemã registraram €4,3 bilhões em receitas, segundo levantamento da Deloitte.
O resultado foi impulsionado principalmente pelo crescimento das receitas comerciais e de transmissão. A receita comercial chegou a €1,9 bilhão, enquanto os direitos de transmissão alcançaram €1,7 bilhão.
Há ainda uma outra fonte, o estádio. Na mesma temporada, as receitas de dias de jogos chegaram a aproximadamente €600 milhões entre os clubes analisados pela Deloitte.
Por que as bets se tornaram tão importantes no futebol?
As casas de apostas encontraram no futebol uma plataforma de enorme alcance. Os jogos acontecem durante toda a semana, atraem grandes audiências e permitem que as marcas estejam presentes em camisas, placas, transmissões e redes sociais.

Para clubes de menor orçamento, o dinheiro das apostas também pode ser especialmente relevante. Antes da mudança na Premier League, a própria discussão sobre a retirada das marcas mostrava essa diferença.
Em 2023, havia estimativas de que os patrocínios de apostas na frente das camisas dos clubes envolvidos movimentavam dezenas de milhões de libras por temporada. Por isso, simplesmente retirar essas empresas não significa que todos os clubes terão a mesma facilidade para encontrar substitutos.






