Seleção e Eleições: por que o rito do Hexa em Brasília pode repetir o ‘boicote’ de 2018

Lembranças de 1994 e 2002 pesam, mas o fantasma da Rússia-2018 quando a seleção decidiu não ir à capital acende o alerta sobre o uso político da taça

A imagem da Seleção brasileira subindo a rampa do Palácio do Planalto tornou-se um rito de passagem

A imagem da Seleção brasileira subindo a rampa do Palácio do Planalto tornou-se um rito de passagem | Divulgação/Fifa

Brasília sempre foi o destino final da glória do futebol brasileiro. Desde o primeiro título, a imagem da Seleção brasileira subindo a rampa do Palácio do Planalto tornou-se um rito de passagem que mistura o triunfo esportivo com a liturgia do cargo presidencial. No entanto, para 2026, o “protocolo de campeão” enfrenta um ingrediente extra que altera qualquer planejamento de bastidor: o calendário eleitoral de 2026.

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Com o país dividido e as atenções voltadas para a sucessão nos estados e na federação, a pergunta que ecoa nos corredores do poder é se a taça servirá de palanque ou se a tradição será, mais uma vez, deixada de lado por questões de conveniência.

O fantasma de 2018 e a quebra de protocolo

Para entender o que pode acontecer agora, é preciso olhar para o que não aconteceu em 2018. Naquela ocasião, uma informação checada e confirmada nos bastidores da CBF e do Governo Federal indicava que, caso vencesse a copa do mundo na Rússia, o time comandado por Tite não desembarcaria na capital federal. A decisão, que romperia décadas de tradição, foi pautada por um desejo de distanciamento da classe política, que vivia um dos seus períodos de menor popularidade. 

Em 2026, com o clima de “faca na caveira” das eleições batendo à porta, o receio é que a Seleção adote a mesma postura pragmática para evitar ser usada como peça de propaganda ou alvo de protestos.

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De JK a Lula: A história escrita nos mármores da capital

A relação de Brasília com a taça começou antes mesmo de a cidade estar pronta. Em 1958, JK recebeu os campeões em uma capital ainda em obras. Em 1970, o auge da ditadura utilizou o Tri como símbolo de união nacional sob o sol do Planalto. 

Já em 1994 e 2002, o que se viu foi o Eixo Monumental tomado por milhões de brasilienses, com os jogadores desfilando em carro aberto do Corpo de Bombeiros, quebrando qualquer barreira de segurança. Essas memórias são o que as raposas políticas tentam resgatar ou evitar, dependendo de quem detém a caneta no momento do título.

O imbróglio logístico e a segurança de Estado

Se a taça vier, o protocolo exige que o Presidente da República receba os atletas para a entrega da Medalha da Ordem do Mérito. Contudo, o ponto  jurídico de 2026 é o período de vedações eleitorais. O uso de prédios públicos e a exposição de candidatos ao lado dos heróis do hexa podem gerar uma enxurrada de processos na Justiça Eleitoral. 

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O GDF deve trabalhar com um plano de contingência para o Eixo Monumental, mas a confirmação do desfile oficial depende de uma costura final entre o Ministério do Esporte, a CBF e a Secretaria de Segurança Pública. O objetivo é evitar que a festa do povo se transforme em um palanque de campanha antecipada.