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Cenário epidemiológico deve definir abertura das escolas na Baixada Santista
Cenário epidemiológico deve definir abertura das escolas na Baixada Santista
Foto: DIVULGAÇÃO/PREFEITURA DE SANTOS

Volta às aulas ainda está indefinida em muitas cidades do Estado

Apesar da orientação do Governo do Estado, só na Grande SP mais de 20 cidades seguem sem saber se reabrem ou não as escolas; situação se repete na Baixada Santista

Na última quinta-feira, 14 de janeiro, a Prefeitura de São Paulo anunciou que as aulas presenciais na Capital serão retomadas em fevereiro. A autorização segue a orientação do Governo de São Paulo que, desde o fim de 2020, vinha defendendo aulas presenciais para o ano letivo de 2021. Apesar disso, a explosão dos casos de Covid-19 dos últimos dias, tem feito com que muitos prefeitos sigam em dúvida se reabrem ou não as escolas.

Um levantamento realizado pela Gazeta, entre os dias 12 e 14 de janeiro, revela que 23 cidades da Grande SP seguem indefinidas quanto à forma com que as aulas retornarão, se de maneira remota, presencial, ou híbrida. No ABC (região formada pelas cidades de Santo André, São Bernardo do Campo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra), um consórcio que reúne as prefeituras da região decidiu que a retomada das aulas presenciais nas escolas particulares, municipais e estaduais vai ficar condicionada à disponibilidade da vacinação contra a Covid-19.

Na Baixada Santista é o cenário epidemiológico dos próximos dias que deve definir ou não a retomadas das aulas. Em Santos, de acordo com a Secretaria de Educação (Seduc), a volta de maneira híbrida das aulas só foi permitida com o aval da Secretaria de Saúde e demais órgãos competentes, de acordo com as medidas sanitárias indicadas pelo Plano São Paulo, do Governo do Estado.  

Já nas cidades de Praia Grande e Mongaguá, a retomada do ano letivo de 2021 ainda está em fase de estudos.

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Mais de 20 cidades da Grande São Paulo ainda não sabem se reabrem ou não escolas

Capital e Interior

No interior, por outro lado, as prefeituras seguem mais inclinadas a retornarem com o ano letivo de maneira híbrida ou totalmente presencial. A Prefeitura de Bauru, por exemplo, já definiu que as aulas serão presenciais, porém ainda estuda as medidas necessárias para que o retorno ocorra de maneira segura.

Campinas, por sua vez, optou pelo ensino híbrido. Na cidade, o ano letivo começa dia 08 de fevereiro, com metade dos alunos em sala de aula e a outra metade em casa. Os estudantes devem fazer um revezamento semanal. Já os que estudam em período integral, frequentarão a escola todos os dias, porém 50% no período da manhã e os outros 50% à tarde.

Na Capital, nas escolas municipais, o retorno acontecerá a partir de 15 de fevereiro, de forma facultativa, com 35% dos estudantes que optarem pela volta, em forma de rodízio. As escolas particulares podem iniciar a retomada em 04 de fevereiro.

Reabertura

O decreto que autoriza a reabertura das escolas em todas as fases do Plano São Paulo foi publicado em meados de dezembro de 2020. Na ocasião, o governador João Doria disse que a decisão foi embasada em experiências internacionais e nacionais e tem como objetivo garantir o desenvolvimento cognitivo e socioemocional de milhões de estudantes.

Para o chefe de Educação do UNICEF (Fundo de Emergência Internacional das Nações Unidas para a Infância) no Brasil, Ítalo Dutra, a atividade remota não substitui as interações presenciais, sobretudo de crianças pequenas. Ele ressalta ainda que as escolas cumprem um papel que vai muito além do ensino e aprendizagem.

“É óbvio que as autoridades locais precisam colocar na balança diversos fatores para decidir sobre a reabertura das escolas. Porém, há um número muito grande de adolescentes e crianças que ficaram praticamente o ano passado todo sem ser atingido por nenhuma atividade remota e é isso que pedimos que também seja levado em consideração”, diz ele.

Um estudo do Centro de Aprendizagem em Avaliação e Resultados para o Brasil e a África Lusófona (FGV EESP Clear), vinculado à Fundação Getúlio Vargas (FGV), encomendado pela Fundação Lemann, revela que o fechamento das escolas em 2020 pode ter feito a educação retroceder quatro anos, no pior cenário.

Os números vão de encontro ao que observa Dutra. “Há estudos que mostram que o impacto deste ano inteiro fechado vai demorar uma década para ser recuperado. Além disso, já há um risco alto de uma evasão enorme nessa passagem de 2020 para 2021, e temos várias pesquisas que mostram que há impactos importantes na vida, na saúde mental, proteção contra violência, segurança alimentar, para além dos prejuízos relacionados à aprendizagem e desenvolvimento das crianças”, finaliza.

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Vacinação de alunos e professores

Ainda que o Governo do Estado de São Paulo tenha autorizado a retomada das aulas presenciais, professores da rede estadual de ensino seguem temerosos com a possibilidade de aumento de casos de Covid-19 entre os profissionais da categoria.

O Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) pede que os profissionais da educação sejam incluídos no primeiro, ou segundo grupo prioritário de vacinação, e promete ir à Justiça para conseguir tal inclusão.

A Gazeta procurou a Secretaria de Estado da Saúde que informou, por meio de nota, que o Plano Estadual de Imunização de São Paulo para COVID-19 prevê, em sua primeira fase, a vacinação de idosos, profissionais da saúde, indígenas e quilombolas, que corresponderam a 77% dos óbitos por COVID-19. O Ministério da Saúde também foi procurado, mas não se manifestou.

Material escolar

Além dos estudantes, as escolas fechadas têm impactado o setor varejista. Cenas de pais lotando os corredores de lojas especializadas atrás de itens mais baratos não devem acontecer.

“O movimento está devagar, começou mais fraco e deve ser assim em todo o período. Há poucos clientes com lista por enquanto e ainda não registramos crescimento nas vendas”, relata o gerente da matriz da rede Armarinhos Fernando, Ondamar Ferreira.

A Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Estado de São Paulo (FCDLESP) estima uma queda de 30% no valor gasto com material escolar este ano, em relação ao ano passado. “Os pais optaram pela reutilização de materiais. Notamos que algumas escolas oferecerão troca de livros para ajudar no orçamento da família, fazendo com que a procura por novos itens seja baixa”, explica o presidente da entidade, Maurício Stainoff.

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