A estudante Alicia Dudy Muller, de 25 anos, investigada por desviar quase R$ 1 milhão do dinheiro destinado a festa de formatura da USP, trancou o curso de medicina no dia 24 de janeiro deste ano. A informação foi confirmada pela universidade.
Pedido de prisão negado
No início do mês, a Justiça não aceitou o pedido de prisão preventiva feito pela polícia contra a estudante.
A decisão concordou com o posicionamento do Ministério Público, que entendeu que o caso trata-se de crimes de estelionato, não de apropriação indébita, e a polícia irá retomar o inquérito.
- Na apropriação indébita, uma pessoa recebe da vítima a posse de um bem de forma legal, se apropriando dele mais tarde de forma irregular. Neste caso, a má-fé da pessoa que recebeu o bem acontece depois de se apossar dele.
- No estelionato, a má-fé acontece antes da posse do bem e força a vítima a um engano. A vítima não sabe que está sendo enganada pelo agente e entrega o que ele pede. Sendo assim, a posse do bem chega às mãos do agente de forma ilegal.
Investigação
A estudante foi ouvida pela Polícia em 19 de janeiro, em São Paulo. Ela confirmou que desviou os valores que seriam usados para a festa de formatura por entender que os recursos não estavam sendo bem administrados pela empresa contratada, mas fez “aplicações ruins” e acabou perdendo dinheiro.
No “desespero”, ela afirma que tentou recuperar a quantia fazendo apostas em uma lotérica. Ela também admitiu que usou em benefício próprio uma parte das quantias para pagar despesas pessoais, como aluguel de carro, apartamento e compra de eletrônicos. A estudante afirmou ter agido sozinha.
Segundo o interrogatório, Alicia tem renda mensal de cerca de R$ 4.500. Ela admitiu à polícia que a história que contou aos colegas da comissão de que teria investido o dinheiro da formatura em um fundo e sofrido um golpe era mentira.
