Recenseadores do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) têm enfrentado em todo o Brasil resistência por parte da população para realizarem seu trabalho e o estado onde este problema mais acontece é São Paulo. Até o fim de outubro, 9,100 milhões de domicílios tinham sido recenseados no estado, o que representa pouco mais da metade da população total estimada.
Os recenseadores têm atuado desde agosto nas ruas em um trabalho que visa atualizar o banco de dados sobre o Brasil, que serve de referência para direcionar as políticas públicas. O texto conta com informações do g1.
O Instituto afirma que todas as informações coletadas são confidenciais e protegidas por sigilo. Além disso, a legislação define que “toda pessoa natural ou jurídica de direito público ou de direito privado que esteja sob a jurisdição da lei brasileira é obrigada a prestar as informações solicitadas pela Fundação IBGE para a execução do Plano Nacional de Estatística“.
Aqueles que recebem os profissionais do IBGE na porta de casa encontram os recenseadores sempre identificados com crachá e uniforme. A precisa coleta das informações vai direcionar ações e políticas públicas que podem beneficiar todos os brasileiros nos próximos anos.
O coordenador técnico estadual do Censo Demográfico de São Paulo, Vando da Paz Nascimento, pede que “a população receba bem os nossos recenseadores”. “É uma pesquisa segura e que é sigilosa, os dados não são compartilhados com nenhum outro órgão público. A população pode ter confiança no trabalho do IBGE.”
Jenice Maria da Silva é uma das recenseadoras que relata dificuldade em lidar com moradores de São Paulo, especialmente no bairro do Morumbi, na zona sul da Capital, onde trabalha atualmente.
“Pelo interfone as pessoas já xingaram, já falaram que aquilo é um absurdo ligar na casa dela, que não têm interesse em fazer… fui a uma casa e quando eu pedi o nome e a data de nascimento dos familiares a pessoa falou que eu era louca, onde já se viu passar isso e fechou a porta na minha cara.”
Ocorre também a situação contrária: casas e prédios em que os moradores querem responder as perguntas do Censo e entendem a importância desse trabalho, mas ainda não receberam visita do profissional do IBGE.
Este é o caso de Johnatan Paiva, securitário que mora na Barra Funda, na zona oeste da cidade de São Paulo. “Vi passar em algumas casas, batendo de porta em porta, mas acho que ainda nos condomínios eles estão ainda um pouco tímidos. A gente sabe da insegurança da população de receber quem não conhece dentro de casa, mas é importante e muita gente quer receber. Eu, por exemplo, gostaria de fazer parte.”
E faltam recenseadores para continuar o trabalho: das 41 mil vagas oferecidas no estado, só 19.800 foram ocupadas. Em algumas regiões, como em Taboão da Serra, onde algumas vagas continuam abertas.
Moradores de São Paulo que ainda não tenham recebido a visita do recenseador podem ligar e se informar a Central de Atendimento do IBGE, de segunda a sexta-feira, das 8h às 18h, para 0800-7218181.
