STJ decide: planos de saúde não podem limitar terapias de pacientes com autismo

Tribunal analisou tema sob rito de recursos repetitivos, ou seja, decisão vale para todos os casos similares

Quebra-cabeça é o símbolo da TEA mais reconhecido pelo mundo

Quebra-cabeça é o símbolo da TEA mais reconhecido pelo mundo | Reprodução/Freepik

Uma decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) estabeleceu que planos de saúde não podem limitar o número de sessões de terapias multidisciplinares para pacientes com Transtorno do Espectro Autista (TEA).

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O entendimento foi fixado pela 2ª Seção da corte ao julgar um recurso especial envolvendo o tratamento de uma criança diagnosticada com TEA. 

Como o caso foi analisado sob o rito dos recursos repetitivos (Tema 1.295), a tese passa a orientar decisões judiciais em todo o país.

Na prática, o tribunal considerou que a imposição de limites para sessões terapêuticas configura prática abusiva, por funcionar como um teto financeiro indireto ao tratamento.

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Caso que levou a decisão ao STJ

A ação foi movida pela família de uma criança diagnosticada com TEA aos dois anos. O paciente recebeu prescrição para terapias contínuas, baseadas na ciência ABA, devido a dificuldades de fala e rigidez comportamental.

Em primeira instância e também no Tribunal de Justiça de São Paulo, a Justiça determinou a cobertura do tratamento, mas estabeleceu um limite de 18 sessões anuais com base em cláusula contratual. 

A família recorreu ao STJ argumentando que a restrição prejudicaria o desenvolvimento da criança.

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Limite de sessões é considerado abusivo

Relator do caso, o ministro Antonio Carlos Ferreira afirmou que limitar sessões de terapias como psicologia, fonoaudiologia, fisioterapia e terapia ocupacional viola a legislação que regula os planos de saúde.

Segundo ele, esse tipo de cláusula funciona como uma restrição financeira disfarçada, o que é proibido pela Lei nº 9.656/1998.

O ministro também destacou que a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) já havia alterado suas normas em 2022 para retirar limites de sessões para pessoas com TEA.

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Possibilidade de revisão médica

Apesar de proibir restrições automáticas, o tribunal ressaltou que operadoras ainda podem questionar indicações médicas em casos específicos.

Nessas situações, a regulação permite a formação de uma junta médica para avaliar divergências sobre o tratamento indicado.