Astrônomos encontraram um exoplaneta do tamanho da Terra com cerca de 50% de chance de estar em uma região onde a água líquida pode existir. Batizado de HD 137010 b, ele fica a 146 anos-luz daqui.
A descoberta foi publicada na revista científica Astrophysical Journal Letters por pesquisadores das universidades do Sul de Queensland, Harvard e Oxford, em parceria com cientistas do Reino Unido, dos Estados Unidos e da Dinamarca.
O planeta ainda é um candidato, o que significa que precisa de mais observações para ser confirmado. Mas os dados disponíveis já foram suficientes para chamar a atenção da NASA e da comunidade científica internacional.
O que é o HD 137010 b
O HD 137010 b é um exoplaneta, nome dado a planetas que orbitam estrelas fora do nosso Sistema Solar. Ele tem cerca de 6% a mais que o tamanho da Terra e orbita uma estrela parecida com o Sol.
Infográfico: Gazeta de S. PauloA distância que separa o planeta de sua estrela é semelhante à que Marte mantém em relação ao Sol. É por isso que os pesquisadores o definem como um “ponto de encontro entre a Terra e Marte”, conforme publicado pelo G1.
Essa posição o coloca na chamada zona habitável da estrela, pelo menos em parte. É justamente esse detalhe que deixou os astrônomos animados desde a publicação do estudo.
O que significa estar na zona habitável
A zona habitável é a faixa ao redor de uma estrela onde as temperaturas podem permitir que a água exista em estado líquido na superfície de um planeta. É o que os cientistas chamam de cinturão de Goldilocks.
No caso do HD 137010 b, há 40% de chance de ele estar na zona considerada conservadora e 51% de chance na faixa chamada de otimista, de acordo com simulações atmosféricas da equipe de pesquisa, segundo a NASA.
Ao mesmo tempo, também existe uma probabilidade real de o planeta estar completamente fora dessa região. A descoberta é promissora, mas encontrar um planeta do tamanho da Terra não garante habitabilidade, como a própria NASA já ressaltou.
Por que o planeta pode ser muito frio
O HD 137010 b recebe menos de um terço da energia que a Terra recebe do Sol. A estrela que ele orbita é mais fria e menos luminosa, o que pode resultar em temperaturas em torno de -68 °C na superfície.
Esse número é mais frio do que a média registrada em Marte. Com esse cenário, grande parte da superfície do planeta poderia ficar coberta por gelo a maior parte do tempo.
A Artemis II é uma missão de teste que realiza apenas um sobrevoo lunar. O pouso na superfície está programado para a Artemis III, a próxima etapa do programa, prevista para os próximos anos. Foto: Wikimedia CommonsO astrônomo Alex Venner, autor principal do estudo, foi direto ao descrever o dilema. Segundo ele, o HD 137010 b está “realmente no limite do que consideramos possível em termos de potencial habitabilidade”, conforme relato ao G1.
Mas a atmosfera pode mudar tudo
O frio extremo não descarta a habitabilidade por si só. Com uma atmosfera densa e rica em dióxido de carbono, o planeta poderia reter calor suficiente para manter água líquida na superfície.
É o mesmo mecanismo que aquece a Terra: o efeito estufa. Se o HD 137010 b tiver a composição atmosférica certa, as temperaturas podem ser bem mais amenas do que as estimativas atuais sugerem.
Para ser considerado habitável, os cientistas precisariam confirmar ao menos três condições no planeta:
- Uma atmosfera rica em CO, suficientemente densa para reter calor
- A presença de água em alguma forma na superfície ou no subsolo
- Níveis de radiação estelar compatíveis com a existência de moléculas vitais
Como o planeta foi descoberto
A detecção partiu de dados coletados pelo telescópio Kepler da NASA durante a missão estendida K2, em 2017. O sinal era fraco: uma leve queda no brilho da estrela causada pela passagem do planeta à sua frente.
Esse fenômeno é chamado de trânsito planetário. Uma equipe de cientistas de quatro países — Austrália, Reino Unido, Estados Unidos e Dinamarca — analisou o sinal e identificou o candidato.
Para confirmar a descoberta oficialmente, os astrônomos precisam registrar novos trânsitos repetidos. É um processo que exige mais tempo de observação com telescópios voltados para aquela região do céu.
O que vem a seguir
O HD 137010 b já está na lista de alvos do telescópio espacial James Webb para observações futuras. Se confirmado, pode se tornar um dos exoplanetas mais relevantes para o estudo de mundos parecidos com a Terra.
O James Webb já comprovou sua capacidade de surpreender nessa área: o telescópio registrou a primeira imagem real feita de outro mundo fora do Sistema Solar, feito publicado na revista Nature que impressionou a comunidade astronômica.
As descobertas no universo profundo se acumulam em ritmo acelerado. O mesmo telescópio confirmou recentemente a galáxia mais distante já registrada pela humanidade, mostrando como o cosmos ainda reserva surpresas imensas para a ciência.
Perguntas frequentes
O que é a zona habitável de uma estrela?
É a faixa de distância ao redor de uma estrela onde as temperaturas podem permitir que a água exista em estado líquido na superfície de um planeta. Não garante a presença de vida, mas é o primeiro critério que os cientistas usam para identificar mundos com potencial habitável.
O HD 137010 b tem vida?
Não há nenhuma evidência de vida no planeta. O que existe é uma estimativa de 50% de chance de ele estar dentro da zona habitável de sua estrela. Mesmo dentro dessa faixa, seriam necessárias condições atmosféricas específicas para que a água líquida, e eventualmente a vida, pudessem existir.
Qual a diferença entre planeta e exoplaneta?
Planetas são corpos que orbitam o Sol, dentro do nosso Sistema Solar. Exoplanetas são planetas que orbitam outras estrelas, fora do Sistema Solar. O HD 137010 b é um exoplaneta porque orbita a estrela HD 137010, localizada a 146 anos-luz da Terra.




