A cada duas semanas uma língua desaparece do mundo, e quase ninguém percebe

Estudo aponta que cerca de 40% das línguas do planeta estão ameaçadas de desaparecer com a morte dos últimos falantes

Extinção de idiomas avança fora do debate público e preocupa linguistas e comunidades

Extinção de idiomas avança fora do debate público e preocupa linguistas e comunidades | (Foto: Pexels)

A cada duas semanas, uma língua desaparece do mapa e isso quase passa despercebido pelos debates públicos.

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Enquanto o mundo discute inteligência artificial, redes sociais e novas formas de se comunicar, algo silencioso acontece longe dos holofotes: uma língua some de vez, e não é força de expressão.

Essas línguas não somem de repente em livros ou placas.

Elas desaparecem quando as últimas pessoas capazes de falá-las morrem. Com elas, vão embora palavras, sons, histórias e formas únicas de entender o mundo.

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Quando uma única pessoa sustenta uma língua inteira

Em situações extremas, apenas uma pessoa mantém viva uma língua inteira. Geralmente são idosos que aprenderam aquele idioma na infância, mas que já não têm com quem conversar.

Quando essa pessoa morre, a língua desaparece de vez sem despedida, sem registro completo e sem memória coletiva.

Não se trata apenas de palavras. Cada língua carrega referências culturais, formas de nomear a natureza, expressões de afeto, humor e medo, além de conhecimentos transmitidos oralmente por gerações.

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Um mundo que fala cada vez menos idiomas

Hoje, segundo a National Geographic, cerca de 7 mil línguas ainda são faladas no planeta, mas mais de 40% delas estão ameaçadas de extinção.

A expansão de idiomas dominantes, a urbanização e a pressão por adaptação social fazem com que muitas comunidades deixem suas línguas de origem de lado para se integrar economicamente.

Em muitos lugares, crianças crescem falando apenas a língua oficial do país, enquanto o idioma dos avós vai sendo esquecido, não por falta de valor, mas por falta de espaço.

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Tentativas de preservar o que ainda existe

Universidades, projetos audiovisuais e iniciativas digitais têm tentado registrar idiomas ameaçados, gravando vozes, histórias e conversas do cotidiano, mas especialistas alertam que registrar não é suficiente.

Uma língua só continua viva quando é usada no dia a dia e passada de geração em geração.

Para entender mais sobre a importância das línguas e da comunicação, leia sobre Libras e suas características como língua e como a linguagem influencia nossa vida. 

Línguas que já desapareceram do mundo

  • Aka-Bo (Índia) – Extinta em 2010 com a morte da última falante.
  • Eyak (Estados Unidos) – Extinta em 2008, no Alasca.
  • Ubykh (Turquia) – Extinta em 1992; conhecida por ter um dos sistemas sonoros mais complexos do mundo.
  • Dálmata (Croácia) – Extinta em 1898; era uma língua românica falada na costa do Adriático.
  • Livoniano (Letônia) – Deixou de ser falado como língua materna no final do século XX.
  • Taíno (Caribe) – Falada por povos indígenas antes da colonização europeia.
  • Timucua (Estados Unidos) – Desapareceu após o século XVIII com o avanço colonial.