A frase de Maquiavel que revela uma dura visão sobre dinheiro e poder: ‘os homens esquecem mais depressa a morte do pai que a perda do patrimônio’

Em 'O Príncipe', filósofo italiano analisou o comportamento humano e deixou uma reflexão provocativa sobre aquilo que as pessoas mais temem perder

Retrato de Nicolau Maquiavel por Santi di Tito

Para Maquiavel, retirar os bens de alguém cria um ressentimento particularmente difícil de apagar/Domínio Público

Há frases que atravessam séculos porque continuam provocando desconforto. Uma delas aparece em “O Príncipe”, obra publicada por Nicolau Maquiavel no século 16: “Os homens esquecem mais depressa a morte do pai que a perda do patrimônio.”

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A afirmação está no capítulo 17, no qual Maquiavel discute se é melhor para um governante ser amado ou temido. Ao defender que o príncipe deve evitar o ódio, o autor aconselha que ele não ataque os bens de seus súditos.

É nesse contexto que surge a comparação entre a morte de um pai e a perda do patrimônio.

O que Maquiavel queria dizer?

A frase não significa simplesmente que as pessoas valorizam mais o dinheiro do que a família. O argumento faz parte de uma análise política sobre como um governante pode preservar seu poder.

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Para Maquiavel, retirar os bens de alguém cria um ressentimento particularmente difícil de apagar. Um governante poderia justificar uma punição ou até um ato de violência como necessário à manutenção da ordem, mas mexer diretamente no patrimônio atingiria um interesse concreto e pessoal.

Por isso, o autor aconselha o príncipe a não tocar na propriedade alheia. Na lógica de O Príncipe, preservar os bens dos súditos ajudaria a evitar o ódio e a manter a estabilidade do governo.

Uma frase que atravessou 500 anos

A força da declaração está justamente no desconforto que ela provoca. Maquiavel não apresenta uma visão idealizada do ser humano. Em sua obra, o governante precisa compreender como as pessoas realmente agem, e não como deveriam agir.

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Essa abordagem transformou O Príncipe em uma das obras políticas mais influentes da história. O livro continua sendo estudado justamente por suas reflexões sobre poder, medo, lealdade, interesse e comportamento humano.

Mais de cinco séculos depois, a frase continua provocando a mesma pergunta: até que ponto aquilo que possuímos influencia nossa memória, nossas escolhas e até nossa relação com quem exerce poder sobre nós?