Um dos maiores nomes da arquitetura mundial, autor de palácios, museus e monumentos que redefiniram a paisagem urbana, deixou raridades pouco conhecidas. Dentre elas, a única casa projetada por ele na cidade de São Paulo, passou a valer R$ 15 milhões em 2025.
Escondida no bairro do Alto de Pinheiros, área nobre da capital paulista, este imóvel vai além de luxo: representa um manifesto de modernista em forma de residência. Em vez de ângulos retos, possui curvas; no lugar de divisões rígidas, fluidez e uma leveza estrutural integrada a natureza.
Arquiteto que não fazia casas
O projeto foi um presente pessoal de Oscar Niemeyer ao engenheiro Milton Mitidieri. Os dois foram parceiros em obras emblemáticas como o Palácio da Alvorada e a Catedral de Brasília.
Desenhada no início dos anos 1960, a casa foi concluída apenas em 1974 e permanece com a família Mitidieri. Apesar do sobrenome dos donos, o imóvel ganhou nome de Casa Niemeyer.
“Na época, nem imaginávamos o valor arquitetônico que esse lugar teria. Para mim, com 11 anos, era só uma casa grande e divertida, com uma rampa onde deslizávamos de skate”, relembrou Milton Mitidieri Filho em entrevista ao g1.
Niemeyer faleceu aos 104 anos no Rio de Janeiro, é considerado um dos maiores nomes da arquitetura mundial. Porém, a residência é um raro exemplo da arquitetura no histórico do carioca.
Barriguinha
A casa possui 670 metros quadrados de área construída e um terreno de 1.800 metros quadrados. O concreto é aparente, possui panos de vidro, rampas sinuosas e jardins integrados que passam a sensação de continuidade entre interior e exterior.
“A impressão é de estar fora mesmo estando dentro”, descreve o arquiteto Bruno Kim. “Morar numa casa de Niemeyer é viver dentro de um manifesto de modernidade”.
Fora do tradicional, os ambientes possuem detalhes que ganham destaque na arquitetura paulistana. A sala de jantar circular fica um metro abaixo do piso. As paredes internas não chegam até o teto, isso permite que luz e ventilação natural atravessem o espaço livremente.
Além disso, outro destaque é a rampa de madeira que conecta as áreas social e íntima da casa — esse elemento remete as soluções monumentais usadas por Niemeyer em Brasília. Enquanto o corredor dos quartos ganhou o apelido de “barriguinha” por uma curva que esconde o seu final.
Venda facilitada
Com a morte da matriarca e dona da casa Edith Mitidieri, em 2012, a residência virou um espaço para eventos culturais, exposições, gravações de séries e comerciais. Especialistas acreditam que esse pode ser um futuro viável para o imóvel.
Apesar do grande valor histórico e simbólico, a Casa Niemeyer nunca foi tombada por órgão de preservação. Por isso, sua venda é facilitada ao mesmo tempo que levanta debates sobre a proteção do patrimônio arquitetônico brasileiro.
Oscar Niemeyer definiu o projeto como “Uma casa simples, diferente e acolhedora”. Simples na concepção, mas extraordinária na execução.
**Texto com informações do da revista CARAS.
