Bienal do Livro: conheça autores brasileiros para descobrir na maior edição do evento

De romances a suspense, poesia e histórias sobre identidade, escritores nacionais levam diferentes perspectivas para a Bienal Internacional do Livro de São Paulo; veja quem conhecer e onde encontrá-los

Bienal do Livro de São Paulo acontece entre os dias 4 e 13 de setembro/ Wilson Dias/ Agência Brasil

A literatura brasileira está longe de se resumir aos nomes que aparecem nos livros escolares. Enquanto Machado de Assis, Clarice Lispector, Jorge Amado e outros clássicos continuam ocupando um espaço de patrimônio histórico, uma nova geração de escritores vem construindo histórias sobre amor, identidade, viagens, pertencimento, cultura pop, relações familiares e conflitos contemporâneos.

Continua após a publicidade

A 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, que vai desta sexta-feira (04) a 13 de setembro, no Distrito Anhembi, é uma ótima oportunidade para conhecer novos títulos nacionais. A edição de 2026 reúne 350 autores nacionais e internacionais, 269 expositores e 11 espaços culturais, com expectativa de receber mais de 700 mil visitantes.

O evento é bastante importante, agora que o Brasil está lendo menos, segundo uma pesquisa do Instituto Pró Livro. Pela primeira vez na série histórica da pesquisa, os não leitores se tornaram maioria. Em 2024, 53% dos entrevistados disseram não ter lido sequer parte de um livro nos três meses anteriores à pesquisa, contra 47% que haviam lido. O país perdeu 6,7 milhões de leitores em quatro anos.

Antes de procurar um nome estrangeiro, vale olhar para a literatura brasileira

Ler livros é importante independente de gênero ou autor, e a valorização da produção nacional não significa colocar autores brasileiros e estrangeiros em lados opostos. Ler uma obra de outro país também amplia referências, apresenta novas culturas e permite conhecer experiências diferentes.

Continua após a publicidade

O problema aparece quando a origem estrangeira passa a ser vista automaticamente como um selo de qualidade, enquanto escritores brasileiros precisam provar repetidamente que suas histórias também podem despertar interesse, identificação e encantamento. 

Essa percepção se aproxima do que ficou conhecido no Brasil como “complexo de vira-lata”, expressão associada ao dramaturgo e cronista Nelson Rodrigues. A ideia pode ser aplicada, em sentido cultural, à tendência de enxergar aquilo que vem de fora como superior ao que é produzido no próprio país. 

Na literatura, isso pode aparecer de formas mais sutis: na impressão de que vivências de outras nacionalidades são automaticamente mais interessantes, na preferência por determinados nomes estrangeiros simplesmente por serem conhecidos internacionalmente ou na dificuldade de reconhecer autores nacionais contemporâneos como referências literárias.

Continua após a publicidade

Autores não estão imunes à síndrome

Também é possível notar que muitos dos nossos autores contemporâneos preferem ambientar suas histórias em outros países, o que não é necessariamente ruim. A literatura também é uma forma de viajar, conhecer outras culturas e imaginar realidades diferentes da nossa. O problema aparece quando essa preferência se torna tão recorrente que faltam, nas prateleiras, romances contemporâneos capazes de retratar com a mesma riqueza as experiências vividas no Brasil.

A ótica brasileira carrega particularidades que não podem ser simplesmente reproduzidas em uma história ambientada em outro lugar. Nossas relações familiares, cidades, sotaques, desigualdades, formas de amar, trabalhar, fazer amizades e até os pequenos acontecimentos da vida cotidiana são atravessados por uma realidade social e cultural própria. 

Há algo de muito específico em se apaixonar em São Paulo, crescer no interior, pegar um ônibus lotado, passar férias no litoral brasileiro, lidar com a família ou construir uma carreira em meio às dificuldades e contradições do país.

Continua após a publicidade

Isso não significa que toda história brasileira precise acontecer no Brasil, e muito menos que autores devam limitar sua imaginação à própria realidade. Significa apenas que também precisamos de espaço para que essas experiências sejam transformadas em ficção. Quanto mais leitores descobrirem e divulgarem autores nacionais, maior tende a ser o interesse por suas obras e, consequentemente, por novas histórias ambientadas aqui.

Incentivar a literatura brasileira não é fechar as portas para o que vem de fora, mas abrir mais espaço para o que ainda pode ser contado por aqui. Acredito que o primeiro passo seja justamente esse: conhecer os nossos autores, comprar seus livros, falar sobre suas histórias e fazer com que esses nomes circulem. 

Quanto mais uma história encontra leitores, maior é a chance de que outras histórias, inclusive aquelas que se passam em nossas próprias ruas, também encontrem espaço para nascer.

Continua após a publicidade

Não sabe por onde começar? Veja autores brasileiros para conhecer na Bienal

Para quem quer aproveitar a passagem pela Bienal para sair da programação com um novo livro, e talvez um novo autor favorito, o evento reúne escritores com histórias bastante diferentes entre si, confira.

Lys Malloy Diniz

Escritora e estudante de Psicologia e Ciência de Dados, Lys Malloy Diniz escreve histórias que procuram aproximar ciência e sentimentos. Sua literatura explora especialmente as nuances do comportamento humano e personagens que precisam lidar com as contradições dos relacionamentos.

Em A Fórmula do Encontro Perfeito, Olívia Peters decide recomeçar a vida depois de enfrentar um passado difícil. Ela se muda para a cidade natal do pai, retoma a vida acadêmica e chega à UC Berkeley, onde enfrenta um ambiente profissional dominado por homens e as consequências de um noivado fracassado.

Continua após a publicidade

A solidão a leva a experimentar o Liiv, um aplicativo proibido entre os professores da universidade, no qual desconhecidos compartilham fantasias sem revelar suas identidades. A partir daí, o romance mistura relacionamentos, ciência, traumas e descobertas pessoais.

Onde encontrar: estande da Amazon, nos dias 5, 6 e 7 de setembro, a partir das 14h.

Pedro Rhuas

Escritor, jornalista, cantor e compositor, Pedro Rhuas cresceu entre o interior do Rio Grande do Norte e o litoral do Ceará. Sua obra leva para a literatura experiências ligadas à cultura nordestina e à representação LGBTQIA+.

Continua após a publicidade

Seu romance de estreia, Enquanto eu não te encontro, venceu o Concurso de Literatura Pop e também ganhou uma adaptação musical. Depois, publicou O mar me levou a você. Juntos, os dois romances já ultrapassaram 100 mil exemplares vendidos, segundo as informações divulgadas pela assessoria.

Além dos encontros com leitores, Rhuas participa de uma conversa sobre o crescimento dos clubes do livro no país no Salão de Ideias.

Onde encontrar: 5 de setembro, às 14h, no Salão de Ideias; 6 de setembro, às 17h, em sessão de autógrafos oficial e às 18h em bate-papo na Skeelo. No dia 9, participa da cerimônia do Prêmio Kindle de Literatura Jovem.

Continua após a publicidade

Stefany Nunes

Natural de Sorocaba, Stefany Nunes é formada em Letras e Direito e escreve romances. A experiência de morar em Londres também entrou em sua trajetória literária, e a autora chegou a publicar no Reino Unido o livro Falling on a Duke.

Na Bienal, ela lança Ringo, romance sobre um lutador que é obrigado a abandonar a carreira depois de uma grave lesão.

Após um assalto que quase lhe custa a vida, Ringo Hunt passa a questionar as escolhas que fez e decide voltar aos ringues, mesmo contra a vontade da família. É nesse momento que conhece Jane Palmer, uma antiga fã com quem descobre compartilhar dores e experiências. O relacionamento entre os dois passa a ser parte importante de sua tentativa de reconstruir a própria vida.

Continua após a publicidade

Onde encontrar: lançamento e autógrafos de Ringo em 5 de setembro, a partir das 12h, no estande da Editora Flyve. A autora também participa de atividades nos dias 4, 5, 6, 7, 10 e 12.

Gisele Fortes

Com mais de duas décadas de experiência em Comunicação Corporativa, Gisele Fortes transforma a paixão pela escrita em literatura. Carioca e autora de romances, ela lança na Bienal Meninas céticas compartilham guarda-chuvas.

A história acompanha duas melhores amigas que viajam para a Coreia do Sul. Manuela é cética, focada na carreira e trabalha como editora de terror. Alice, por outro lado, é uma romântica apaixonada por cafeterias, romances e doramas.

Continua após a publicidade

Durante a viagem, as duas enfrentam diferenças culturais e situações inesperadas. O encontro de Manuela com um sul-coreano faz com que ela se veja vivendo alguns dos clichês românticos que sempre rejeitou, enquanto Alice precisa questionar sua própria ideia de final feliz.

Onde encontrar: lançamento e autógrafos em 5 de setembro, às 18h, no estande da Livraria Drummond. Também estará na Livraria Loyola nos dias 5, 6, 7 e 8.

Stefanie Cabanelas

Jornalista, criadora de conteúdo e autora de romances, Stefanie Cabanelas usa a cultura coreana e a estética dos k-dramas como inspiração para suas histórias. Seus livros procuram criar uma experiência que vai além da leitura, com playlists e conteúdos produzidos nos cenários das narrativas.

Continua após a publicidade

Como autora independente, já vendeu mais de 2.500 exemplares físicos e mais de 8 mil digitais, de acordo com o material divulgado pela assessoria.

Em Um Verão Entre Nós, Maria vive ilegalmente em Barcelona enquanto tenta realizar o sonho de se tornar cineasta. Sua vida muda quando ela se apaixona por Ho-yoon, um idol de K-pop que, apesar da fama, deseja escapar do peso do estrelato.

O melhor amigo dele, Haru, segue na direção oposta e deseja justamente conquistar a fama. Entre segredos, ambições, culturas diferentes e escolhas pessoais, os três precisam lidar com caminhos que podem mudar seus destinos.

Continua após a publicidade

Onde encontrar: sessão de autógrafos em 5 de setembro, a partir das 14h, na Travessa Literária. A autora estará no local durante todos os dias da Bienal.

Juliana Souza

Nascida em São Paulo e criada em Mairiporã, Juliana Souza atua como escritora, roteirista e profissional de audiovisual. Trabalha na pós-produção de séries para plataformas como Disney+, HBO e Globoplay e participou de projetos como Os Donos do Jogo e Tremembé.

Seu primeiro livro, De Repente Gringa, nasceu de uma experiência pessoal: Juliana viveu por quase três anos em Seattle.

Continua após a publicidade

A protagonista Carol perdeu a avó, sua última referência familiar, e está presa a um emprego que não gosta. A oportunidade de trabalhar como au pair nos Estados Unidos aparece como uma chance de recomeçar. Mas a experiência em Seattle envolve muito mais do que aprender inglês ou buscar um sonho profissional: Carol enfrenta dates desastrosos, desafios como imigrante, novas amizades e a necessidade de reconstruir o significado de família e pertencimento.

Onde encontrar: 6 de setembro, a partir das 12h, e 7 de setembro, a partir das 14h, no estande Escreva, Garota!

Andrea Nunes

Romancista e procuradora de Justiça, Andrea Nunes é autora de romances policiais como Corpos Hackeados, Jogo de Cena, O Código Numerati e A Corte Infiltrada. Algumas de suas obras receberam prêmios, e Corpos Hackeados teve os direitos de adaptação vendidos para o cinema.

Continua após a publicidade

Na Bienal, ela apresenta Presunção de Inocência, romance policial recomendado por Raphael Montes.

A história acompanha jovens que entram em uma universidade disputada com o sonho de se tornarem grandes criminalistas. O problema é que crimes e conflitos começam a ultrapassar as páginas dos livros e atingir a vida dos próprios estudantes.

Para sobreviver, eles precisam desvendar enigmas, enfrentar ameaças e aprender métodos pouco convencionais com dois professores. Ao mesmo tempo, precisam lidar com a competição da universidade, seus próprios traumas e os relacionamentos que surgem durante a experiência.

Continua após a publicidade

Onde encontrar: bate-papo sobre o livro às 17h de 5 de setembro, no Escreva, Garota!, seguido de sessão de autógrafos às 18h no estande da ABERST. Também estará na Editora Flyve nos dias 5 e 6, a partir das 14h.

Dayane Borges

Dayane Borges escreve desde os 13 anos e é formada em Letras Português/Francês pela Universidade Federal de São Paulo. Em suas redes sociais, também aborda temas relacionados à negritude e à assexualidade.

Na Bienal, lança Mais que um lance. A protagonista Ana Beatriz está prestes a completar 25 anos e sente que sua vida profissional e amorosa está longe do rumo que imaginava. Jornalista esportiva, ela enfrenta dificuldades para conquistar leitores e reconhecimento no trabalho.

Continua após a publicidade

Tudo muda quando um jogador de basquete se torna seu vizinho. E não é qualquer jogador: Ícaro é seu melhor amigo de infância e antigo crush. O problema é que ele desconfia de jornalistas, fazendo com que a tentativa de aproximação entre os dois se transforme em um desafio que mistura carreira, amizade e romance.

Onde encontrar: lançamento e autógrafos em 6 de setembro, às 13h, no estande Crush Literário. Também participa de atividades nos dias 5, 6, 7, 11, 12 e 13.

Tatiana Barroso

Nascida em Recife e formada em Publicidade, Tatiana Barroso chegou à literatura depois de transformar uma antiga fanfic inspirada na banda One Direction em livro. A experiência de morar em Londres também alimentou sua produção. Dividindo Berlim é finalista do concurso Livros do Futuro e será lançado na Bienal.

Continua após a publicidade

O romance coloca uma brasileira e um coreano dividindo um apartamento em Berlim. Luanna e Sun Woo vêm de mundos diferentes e precisam aprender a conviver enquanto enfrentam diferenças culturais e pessoais.

A história combina comédia romântica, viagem e descobertas culturais, tendo Berlim como cenário para o relacionamento dos protagonistas.

Onde encontrar: lançamento e sessão de autógrafos em 6 de setembro, às 13h, no estande Crush Literário. Tatiana também estará no espaço nos dias 4, 5, 6, 7, 11, 12 e 13.

Continua após a publicidade

Ivone Lopes

Escritora brasileira que vive no interior de São Paulo, Ivone Lopes trabalha com histórias marcadas por sensibilidade, força feminina e experiências transformadas em aprendizado.

Em Entre a Luz e as Trevas, a autora apresenta uma narrativa que mistura romance, espiritualidade e vingança.

Cassandra administra um bordel frequentado por homens poderosos e se entrega a uma paixão que termina em traição. Consumida pela vingança, ela passa a sofrer a influência de Jonas. Paralelamente, em uma ilha isolada, uma curandeira assume sozinha os cuidados da neta depois do desaparecimento misterioso da filha.

Continua após a publicidade

As duas histórias se conectam em uma trama que aborda livre-arbítrio, espiritualidade e as consequências das escolhas individuais.

Onde encontrar: estande da Editora Flyve nos dias 11, 12 e 13 de setembro, das 10h às 18h.

Victoria Guimarães

Carioca, escritora e publicitária, Victoria Guimarães aposta em uma escrita marcada pela sensibilidade e pela poesia. Sua obra procura encontrar significado em situações aparentemente banais do cotidiano.

Continua após a publicidade

Na Bienal, lança Que se Dane o Shakespeare. A protagonista Catarina é uma atriz apaixonada por Shakespeare que abandona os palcos depois de sofrer um acidente traumático justamente no dia de sua estreia. Com o tempo, percebe que continuar longe do teatro também está tornando sua vida infeliz e decide enfrentar os próprios medos para voltar.

O retorno, porém, não será simples. Ela terá como par romântico seu ex-melhor amigo, precisará trabalhar com um diretor que mantém uma vida dupla como drag queen e ainda acabará dando aulas para crianças, enquanto convive com uma cabra chamada Madalena e um escritor tão rabugento quanto bonito.

Onde encontrar: lançamento em 11 de setembro, às 19h, no estande da Editora Flyve. Também estará no local nos dias 12 e 13, das 14h às 18h.

Continua após a publicidade

Karin Elisabeth

Karin Elisabeth escreve desde a infância e construiu sua trajetória acadêmica também em torno da literatura, com graduação e mestrado em Letras. Atualmente, além de escritora, é neuroeducadora e cursa uma pós-graduação em biblioterapia.

Seu lançamento na Bienal é Poemas que Curam, obra que parte da proposta de utilizar a leitura e a poesia como momentos de pausa e reflexão.

O livro busca criar um espaço de acolhimento para o leitor em meio à rotina estressante, utilizando poemas e reflexões para estimular momentos de respiro. A proposta é inspirada na biblioterapia, conceito que utiliza a leitura como recurso de cuidado e reflexão.

Continua após a publicidade

Onde encontrar: bate-papo e atividade em 5 de setembro, às 12h, no estande Escreva, Garota!, e sessão de autógrafos em 11 de setembro, às 16h, no mesmo espaço.

Priscilla B. M. Navas

Servidora pública e bacharela em Direito, Priscilla B. M. Navas encontrou na poesia um espaço para refletir sobre as complexidades da vida e construir uma voz marcada pela experiência feminina. Sua escrita transita entre temas como ausência, desejo, tempo, afetos e transformações.

Na Bienal, lança Mulher Ausente: derivações quase poéticas, livro que explora as marcas deixadas pelo tempo no corpo e nos afetos.

Continua após a publicidade

A obra mistura maturidade, erotismo e reflexão sobre a experiência feminina, percorrendo desejos, contradições, amores e as diferentes fases de uma existência.

Onde encontrar: estande Escreva, Garota! em 4, 5 e 7 de setembro. No primeiro dia, Priscilla participa de uma mesa sobre mulheres, escrita e disputa de voz, às 12h, seguida de sessão de autógrafos. No dia 5, participa de outros dois bate-papos, às 16h e às 19h.